25/03/2016

Diplomatas famosos: José Maria da Silva Paranhos Júnior

"O Barão do Rio Branco (José Maria da Silva Paranhos Júnior), diplomata e historiador, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 20 de abril de 1845, e faleceu na mesma cidade, em 10 de fevereiro de 1912.

Filho de José Maria da Silva Paranhos, o Visconde do Rio Branco, foi um dos maiores estadistas da história brasileira.

Cursou o Colégio Pedro II, estudou na Faculdade de Direito de São Paulo, e formou-se em 1866 pela Faculdade do Recife. Regeu a cadeira de Corografia e História do Brasil do Imperial Colégio Pedro II. Em 1869, foi nomeado promotor público de Nova Friburgo. No mesmo ano acompanhou o pai como secretário da Missão Especial, ao Rio da Prata e ao Paraguai. No mesmo caráter participou, em 1870 e 1871 nas negociações da paz entre os Aliados e o Paraguai.

Regressando ao Rio, dedicou-se ao jornalismo, dirigindo A Nação, juntamente com Gusmão Lobo. Em maio de 1876, Rio Branco é nomeado de cônsul-geral do Brasil em Liverpool, onde permaneceu até 1893. Em 1884, recebeu a comissão de Delegado à Exposição Internacional de São Petersburgo e, depois de proclamada a República, foi nomeado em 1891, em substituição ao Conselheiro Antônio Prado, superintendente-geral na Europa da emigração para o Brasil, cargo que exerceu até 1893.

Durante a estada na Europa produziu várias obras, sempre em torno da história pátria: redigiu uma Memória sobre o Brasil para a Exposição de São Petersburgo; para o Le Brésil, de Sant’Anna Nery, escreveu “Esquisse de l’Histoire du Brésil”; apresentou contribuições para a Grande Encyclopédie de Levasseur, na parte relativa ao Brasil; iniciou no Jornal do Brasil a publicação das Efemérides brasileiras, acumulou material para as Anotações à História da Guerra da Tríplice Aliança de Schneider e a biografia do Visconde do Rio Branco.

Em 1893, em substituição ao Barão Aguiar de Andrade, que falecera,foi nomeado chefe da missão encarregada de defender os direitos do Brasil ao territórios das Missões, reivindicado pela Argentina . A questão estava submetida ao arbitramento do presidente Grover Cleveland, dos EUA. Rio Branco, advogando o ponto de vista brasileiro, apresentou ao Presidente Cleveland exposição e valiosa documentação em seis volumes. O laudo arbitral de 5 de fevereiro de 1895 foi inteiramente favorável às pretensões brasileiras.

Em 1898, foi encarregado de resolver outro importante assunto diplomático, a questão do Amapá com a França. Foi escolhido árbitro da questão o presidente do Conselho Federal da Suíça, Walter Hauser. Rio Branco vinha estudando a questão do Amapá desde 1895. Apresentou uma memória em sete volumes. A sentença arbitral, de 1º de dezembro de 1900, foi favorável ao Brasil, e o nome de Rio Branco alcançou plano de grande popularidade.

Terminada a missão, em 31 de dezembro de 1900 foi nomeado ministro plenipotenciário em Berlim. Em 1902 foi convidado pelo Presidente Rodrigues Alves  assumiu a pasta das Relações Exteriores, na qual permaneceu até a morte, em 1912. Logo no início de sua gestão, defrontou-se com a questão do Acre, território boliviano ocupado por brasileiros, solucionando-a amigavelmente pelo Tratado de Petrópolis, assinado em 1903. A seguir, encetou negociações com outros países limítrofes cujas fronteiras com o Brasil suscitavam questões litigiosas. Erigiu como bandeira das reivindicações o princípio do uti possidetis solis, e assim dirimiu velhas disputas do Brasil com quase todos os países da América do Sul.

Em 1901, a questão da Guiana Inglesa foi resolvida por laudo do árbitro Victorio Emanuel, o Rei da Itália, contra o Brasil, apesar dos esforços do plenipotenciário brasileiro Joaquim Nabuco, que foi nomeado em 1905 embaixador do Brasil em Washington.

Em seguida, uma série de importantes tratados: em 1904, com o Equador; em 1907, com a Colômbia; em 1904 e 1909, com o Peru; em 1909 assinou tratado do condomínio da Lagoa-Mirim com o Uruguai; em 1910, com a Argentina. Ficavam definidos, de um modo geral, os contornos do território brasileiro, que, com pequenas alterações, ainda hoje subsistem.

Além da solução dos problemas de fronteira, Rio Branco lançou as bases de uma nova política internacional, adaptada às necessidades do Brasil moderno. Foi, nesse sentido, um devotado pan-americanista, preparando o terreno para uma aproximação mais estreita com as repúblicas hispano-americanas e acentuando a tradição de amizade e cooperação com os Estados Unidos.

O Barão do Rio Branco como Ministro das Relações Exteriores cercou-se de uma plêiade de intelectuais e homens de letras como Graça Aranha, Euclides da Cunha, Domício da Gama, Clóvis Beviláqua, Gastão da Cunha e Heráclito Graça.

Segundo ocupante da cadeira 34, foi eleito em 1º de outubro de 1898, na sucessão de Pereira da Silva. Ao se fundar a Academia em 1897, Rio Branco se encontrava ausente do país. Na votação para preenchimento das dez vagas restantes, teve apenas dez votos, não sendo eleito. Seu nome esteve, entretanto, desde logo lembrado, e, em 1898, ocorria o falecimento de Pereira da Silva, sendo Rio Branco eleito para essa vaga. Não chegou a tomar posse, utilizando-se do dispositivo regimental que permitia a posse por correspondência."

Fonte: 

22/03/2016

Porque o blog está sem atualizações

Imagem da banca 
Queridos leitores, desde o final de 2015 não tenho atualizado o blog com frequência. O motivo foi a necessidade de conclusão do curso de doutorado. Precisei de um pouco mais de tempo para poder finalizar a tese e defendê-la. Neste momento, preciso descansar um pouco, pois esse processo foi bastante cansativo. De qualquer forma, não poderia deixar de compartilhar com vocês a excelente notícia de que agora sou doutora e também não poderia deixar de justificar a ausência de atualizações no blog. Pretendo retomar o blog com novidades em meados de abril.


Até lá, vou somente seguir compartilhando algumas notícias na nossa página facebook.com/diplowifediplolife. Abraços e até breve!

14/03/2016

Dica de Documentário: "Morte e Vida Severina"

Há um documentário produzido pela GloboNews e há esta animação baseada na obra original.



Documentário: "Morte e Vida Severina, 60 anos" refaz a saga de personagem épico. Mais informações em: g1.globo.com e http://globosatplay.globo.com/globonews/v/4562641


GloboNews percorreu mais de 1.400 km em Pernambuco para refazer o caminho de personagem do poema de João Cabral de Melo Neto.


"Sessenta anos depois de João Cabral de Melo Neto ter posto o ponto final em “Morte e Vida Severina”, o seu poema mais popular, uma equipe da GloboNews parte rumo a Pernambuco para refazer o trajeto imaginado pelo poeta, inspirado nos milhões de Severinos que saíram e ainda saem de suas terras em busca de uma vida melhor. Ao longo de duas semanas, a equipe da GloboNews percorre mais de 1,4 mil quilômetros, partindo do Sertão, passando pela Zona da Mata até finalmente chegar ao Recife, ansiosa para encontrar os Severinos e saber o que mudou, depois de 60 anos. Com trilha sonora exclusiva e narração do ator pernambucano Jesuíta Barbosa, o resultado está no documentário ‘Morte e Vida Severina – 60 Anos Depois’ (assista no GloboNews Play).

Os cinco integrantes da equipe não tinham ideia do que encontrariam pela frente. Nem o repórter Gerson Camarotti, o único que já conhecia o percurso mas há 20 anos não passava por essa estrada. “Será que ainda existia o Severino retirante? Iríamos encontrar a rezadeira que vive da mortandade do Sertão? E o mestre Carpina? Quem seria? Os coveiros ainda faziam comparações entre os cemitérios do Recife? Quem era o Severino dos dias atuais?” eram algumas das perguntas que povoavam a cabeça do jornalista. Camarotti refez o percurso com a diretora Cristina Aragão, que só conhecia o sertão por imagens dos tempos de seca, com o produtor Murilo Salviano, o cinegrafista Sandiego Fernandes e o operador de áudio Edson Vander ‘Simpson’.

Para responder a todas essas perguntas, Camarotti e Cristina entrevistaram mais de 40 pessoas que encontraram ao longo do percurso. Gente como a jovem Debora Raquel, de 15 anos, que se emocionou ao ouvir o poema. Como não há banheiro em sua casa, a menina toma banho na tal “água vitalícia” retratada pelo poema, hoje suja e poluída. Gente também como a dona de casa Yolanda de Souza, que há 10 anos vive em uma casa de palafita na beira do Rio Capibaribe, cercada por ratos e baratas, cuja filha de 17 anos identificou que os problemas enfrentados hoje pela família são iguais ou até piores do que os que o poeta documentou há 60 anos. Gente como a benzedeira Dalvina Lopes e os coveiros Ronaldo da Silva e Carlos Ramalho, que assim como os coveiros de João Cabral, dizem não ganhar tantas gorjetas quanto os coveiros de Santo Amaro.

Mas nem tudo está pior. A diretora e roteirista Cristina Aragão faz um balanço do que presenciou durante a viagem. “Vi um sertão com uma força vital, transformado pela chegada das cisternas, caixas de armazenamento de água. Vi também mulheres sozinhas, à espera de seus maridos, migrantes temporários em outras terras do Brasil. Vi a vida e a poesia simbólica do Rio Capibaribe, orgulho pernambucano, gritando de poluição. Vi jovens acreditando que é pela educação que a corrente da miséria deve ser cortada. Vi a potência da cantoria do maracatu. Vi famílias ainda hoje vivendo em palafitas, ali, na cara do Recife. Vi que as palavras do poeta permanecem vivas, seja pela morte, seja pela vida severina”, conclui.

Camarotti credita o sucesso do projeto à química com a diretora e ao envolvimento e dedicação de toda a equipe. “Não queríamos retratar só a morte e a Cristina buscou a vida o tempo todo”, conta. “Mas nem precisamos buscar: o tempo todo fomos surpreendidos pela vida”, complementa o produtor Murilo Salviano. “Mesmo quando estávamos gravando com a mulher que mora na beira do Rio Capibaribe, em uma casa pobre de palafita, fomos surpreendidos pela chegada da sua filha de 17 anos, que quer continuar estudando para se formar em design de interiores e sonha em ter uma vida e uma casa melhores. A filha é a esperança, a vida”, exemplifica Murilo. É o caso também da menina Debora, de 15 anos, que sonha com um futuro melhor e revela, com brilho nos olhos, que pretende continuar estudando para cursar faculdade de Medicina, um futuro diferente do de sua avó, que trabalhava no corte da cana de açúcar."

Filme: Vidas Secas

Filme baseado na obra de Graciliano Ramos.

01/03/2016

O Oscar da Diplomacia

O jornal The Telegraph publicou recentemente um artigo sobre o autor do livro que inspirou o famoso filme que trouxe o Oscar para Leonardo DiCaprio neste domingo. O que me chamou a atenção é que o autor da obra é um renomado diplomata e que devido a regras vinculadas à carreira, ele não pode ir à mídia divulgar seu trabalho como escritor.

Para difundir a história, decidi traduzir (no formato de versão) o texto e compartilhá-lo com vocês. Meu objetivo é não somente parabenizar o Senhor Michael Punke, pelo seu brilhantismo e retidão, mas também reafirmar o que já vimos algumas vezes aqui no blog: diplomacia e literatura caminham de mão dadas.

Após realizar a tradução, verifiquei que os Direitos Autorais do site do Telegraph não permitem a reprodução do texto sem prévia autorização por escrito, o que estou tentando obter antes de publicar a tradução. De qualquer forma, gostaria de adiantar o original, em Inglês, que pode ser encontrado neste link

Diplomatas famosos: Domício da Gama

"Domício da Gama (Domício Afonso Forneiro, adotou do padrinho o Gama), jornalista, diplomata, contista e cronista, nasceu em Maricá, RJ, em 23 de outubro de 1862 e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 8 de novembro de 1925. É um dos dez acadêmicos eleitos na sessão de 28 de janeiro de 1897, para completar o quadro de fundadores da Academia. Escolheu Raul Pompeia como patrono, ocupando a cadeira n. 33. Foi recebido na sessão de 1º de julho de 1900, por Lúcio de Mendonça.

Fez estudos preparatórios no Rio de Janeiro e ingressou na Escola Politécnica, mas não chegou a terminar o curso. Seguiu para o estrangeiro em missões diplomáticas. A sua primeira comissão foi a de secretário do Serviço de Imigração, e o contato, nessa época, com o Barão do Rio Branco, valeu-lhe ser nomeado secretário da missão Rio Branco para a questão de limites Brasil-Argentina (1893-1895) e de limites com a Guiana Francesa (1895-1900) e com a Guiana Inglesa (1900-1901). Foi secretário de Legação na Santa Sé, em 1900 e ministro em Lima, em 1906, onde desenvolveu grande e notável a atividade, preparatória da política de Rio Branco. Embaixador em missão especial, em 1910, representou o Brasil no centenário da independência da Argentina e nas festas centenárias do Chile. Embaixador do Brasil em Washington, de 1911 a 1918, foi o digno sucessor de Joaquim Nabuco, por escolha do próprio Barão do Rio Branco. Ao celebrar-se a paz europeia de Versalhes, Domício, como ministro das Relações Exteriores, pretendeu representar o Brasil naquela conferência, propósito que suscitou divergências na imprensa brasileira. Convidado para a mesma embaixada, Rui Barbosa recusou, e o chefe da representação brasileira foi, afinal, Epitácio Pessoa, eleito pouco depois, em seguida à morte de Rodrigues Alves, presidente da República. Domício foi substituído na Chancelaria por Azevedo Marques, seguindo como embaixador em Londres, em 1920-21. Foi posto em disponibilidade durante a Presidência Bernardes.

Em 1919 foi Presidente da Academia Brasileira de Letras, em substituição a Rui Barbosa.

Domício da Gama era colaborador da Gazeta de Notícias ao tempo de Ferreira de Araújo e, ainda no início da carreira, escreveu contos, crônicas e críticas literárias."

Fonte: http://www.academia.org.br/academicos/domicio-da-gama/biografia