30/05/2016

Entrevista com Flávia Costa, responsável pela Escola de Samba Unidos de Genève

Flávia Costa Jover é uma brasileira que mora em Genebra e mantém a nossa cultura viva na Suíça. Na entrevista de hoje vamos conhecer um pouco mais sobre ela e sobre o trabalho que desenvolve.

Para quem desejar mais informações, basta acessar o facebook.com/danse.samba.geneve ou acessar a página unidosdegeneve.com


Flávia, conte um pouco sobre você, sua formação acadêmica, profissional, onde nasceu e onde já morou pelo mundo.

Meu nome é Flavia Costa Jover, mas no mundo artístico resolvi manter meu nome de solteira, é também  como fazia meus exames da Royal Ballet no Brasil e na Escola Municipal de Bailado do Teatro Municipal (EMBSP), onde estudei até o 5º ano. Infelizmente não conclui o curso profissionalizante, nas duas escolas mencionadas. Naquela época, a EMBSP,  oferecia  a entrada no curso até os 18 anos. Hoje, a estrutura mudou. Até onde eu sei, as crianças entram bastante jovens, entre 8 e 9 anos, o que facilita o término do curso - que dura 8 anos. Para uma garota de 12 anos, que foi meu caso, ficou  difícil concluir, pois eu precisava trabalhar e estava em uma época da adolescência bastante conturbada. Acho que em razão da evasão, eles mudaram a exigência da idade. Eu recomendo a EMBSP para quem quer seguir nesta carreira, é uma referencia e é muito completa, tem aulas de música, arte, Ballet Moderno, além de ser um curso profissionalizante gratuito para meninos e meninas. 

Minha formação acadêmica é em Direito, estudei na Universidade Mackenzie e me formei no ano de 2000. Depois, fiz, nesta mesma instituição, uma pós-graduação latu sensu em Direito Tributário, conciliando a vida como advogada nas áreas Civil e Tributária. No ano de 2007, eu e meu marido nos mudamos para o Montevidéu, Uruguai, onde fiz Mestrado em Relações Internacionais. Vivemos lá por 3 anos. Fiz um estágio no Mercosul e, em 2010, nos mudamos para a Suíça. Em Genebra, também fiz um mestrado em Direito Internacional, que terminei no ano passado.

Aliado tudo a isso, surgiu a escola de Samba aqui em Genebra, que eu jamais pensei que pudesse existir. Ela me abriu um universo europeu do samba, inimaginável. Eu sou passista da Escola de Samba Rosas de Ouro em São Paulo, frequento a quadra desta escola desde 2004 e, para mim, foi incrível ter encontrado uma atividade destas aqui na Suíça.


Quando foi criada a Escola de Samba Unidos de Genève?

A UG foi criada em 2004. Somos uma associação sem fins lucrativos, que foi criada por um Suíço apaixonado pelo Brasil: nosso presidente Cedric Veillard, que é casado com uma amazonense. Nossa escola em sua maioria é  composta por estrangeiros que se interessam pela música e pela dança brasileira.


Você é integrante da Escola de Samba Unidos de Genève, fale um pouco sobre o trabalho que você desenvolve.

A sessão dança foi iniciada comigo em 2011, quando comecei a dar aulas de samba. Antes não existia ninguém fixo, o que existia eram dançarinas contratadas para show pontuais. Eu fui a primeira que se aproximou da escola com este intuito.

No início, eu era a unica dançarina fixa do grupo e depois fomos agregando as outras. No momento, as dançarinas são brasileiras em sua maioria. Estamos agora com uma dançarina africana, do Camarões, que dança muito bem e, logo logo teremos outra da Austrália. Elas têm que se preparar para estar parecidas ao máximo com dançarinas brasileiras no que se refere ao gingado. De resto, cabe a cada uma trabalhar sua exuberância e sensualidade.

Uma coisa que gosto muito de ressaltar é que sensualidade não tem nada haver com vulgaridade. Isso é uma preocupação muito grande minha na escola, preservar a imagem da mulher brasileira é uma bandeira extremamente importante  para mim dentro da UG.

Sou integrante da Escola e sou a responsável - junto com o coreógrafo Sylas le Goff  - pela sessão de dança. Nós dois temos uma base  clássica  muito forte e isso ajuda muito a poder ampliar a gama de danças dentro da escola. Isso quer dizer que puxamos um pouco para as danças afro-brasileiras, além do samba. 




Como a Unidos de Genève divulga a cultura do samba?

Como disse, nunca imaginei encontrar uma escola de samba em Genebra. Com uma estrutura física, existem algumas, mas podemos dizer que são associações que existem para eventos pontuais no ano, sem sede e nem ensaios. Nós temos uma pequena estrutura, um local, horários fixos de ensaios e atualmente temos intercambiado com outras escolas da Europa. 

Para mim, que sou paulistana, quando se fala de samba, a referencia mundial sempre é Rio de Janeiro. Eu procuro divulgar o samba paulistano, faço cursos em São Paulo todos os anos e tenho divulgado a qualidade do samba de São Paulo sempre que posso. 

No ano passado fomos selecionados para fazer parte do maior festival de Samba da Europa - Festival de Coburg, na Alemanha (www.samba-festival.de). Sim, existe uma seleção e não é fácil ser aceito neste festival! E neste ano, iremos pelo segundo ano neste evento. 

No ano passado, fui convidada para ser a coreografa de um grupo de samba em Turquia - Istambul,  o nome do grupo é Carnaval Turco, para mim foi uma grande alegria saber que nossa cultura é admirada em todo mundo. 

O  meu contato maior com as escolas da Europa, se deu com a Unidos de Genève, porque organizávamos um festival em Portugal, que existe até hoje. Infelizmente, por problemas internos, não estamos mais na direção desse festival, mas ele é um festival que cresce a cada ano e que demonstra a admiração pela cultura brasileira. Durante estes anos que organizávamos o festival, conheci grupos da Espanha, França, Bélgica, Suécia, Inglaterra, Áustria, Itália, onde mantenho contato com alguns integrantes destas agremiações. 

Até hoje, paralelamente a isso, temos um programa de rádio que eu e o  presidente da Unidos de Genève, Cedric Veillard, divulgamos a cultura brasileira. A nossa preocupação é explicar a parte histórica, dar  referencias exatas da nossa cultura, como por exemplo o papel de um mestre sala dentre de uma escola de samba, como surgiu o maracatu, coisas do gênero. Temos essa preocupação com o  programa. Estamos em www.radioalmalusa.com -  rádio mundial na internet. No programa, divulgamos eventos sobretudo de Carnaval na Europa ou artistas brasileiros que vivem aqui.


Fale um pouco mais sobre o programa que vocês têm na rádio. Desde quando ele está no ar, qual é o horário em que vocês se apresentam, etc.

O programa na rádio começou com uma entrevista que fizemos a convite de um amigo - DJ Fly. O dono, Sr. Hermínio Mendes, gostou muito do conteúdo e nos chamou para fazermos esse trabalho. Ele nos deu liberdade para escolher o tema e escolhemos falar sobre a cultura brasileira e nos focamos em eventos na Europa voltados para nossa cultura, além de podermos dar explicações sobre dança, música, tradições, etc. Essa é uma marca do nosso programa: levar o ouvinte a informação correta sobre a cultura, sabermos e aprendermos com o entrevistado com o que ele trabalha.

Neste ano o horário não está definido, mas geralmente são às quintas feiras, as vezes em português, as vezes em francês, depende do entrevistado. O horário brasileiro gira em torno da 12h-13h. São programas de duas horas. 


A comunidade brasileira em Genebra é bastante atuante?

Sim, temos algumas pessoas que se preocupam em divulgar a cultura brasileira. Eu não estou bem involucrada dentro dos serviços do Consulado em Genebra, mas já ouvi algo a respeito. Eu peco um pouco em não procurar ajuda, mas existe uma chapa eleita pelos brasileiros que se ocupa da parte cultural em Genebra, talvez até tenha uma extensão dentro de toda a Suíça. Não sei te responder com precisão. Mas vejo muitos artistas brasileiros de bom nível aqui. Por exemplo, vejo alguns que vieram  estudar música na Universidade aqui e acabaram ficando. Dentro da Unido de Genève, fazemos tudo com o dinheiro da cotização dos integrantes, todo dinheiro que entra na agremiação é revertido para ela, com cursos, instrumentos, viagens, etc. para os membros. Infelizmente, não temos ajuda do governo brasileiro. 


O que deve fazer quem quiser se tornar membro da Unidos de Genève, ou participar das atividades promovidas pela Escola?

É simples se tornar membro, temos um site na net. www.unidosdegeneve.com, qualquer pessoa que esteja interessada em aprender música e dança com preços módicos é bem vindo na nossa escola, ficamos em Petit Lancy, tram 14, dentro do estacionamento Louis Bertrand, no subsolo em razão do ruído, saída Chemim du Bac do Estacionamento, estúdio 8, em Genebra na Suíça.

As aulas se dão em francês, mas por tabela, a pessoa vai aprender o português,  não vai ter jeito, além de tomar nas nossas festas a famosa caipirinha brasileira.

27/05/2016

Entrevista com Paulo Roberto de Almeida

Paulo Roberto de Almeida, na infância


Nosso entrevistado é o Ministro Paulo Roberto de Almeida. Diplomata de carreira desde 1977, exerceu diversos cargos na Secretaria de Estado das Relações Exteriores e em embaixadas e delegações do Brasil no exterior. Foi ministro-conselheiro na Embaixada do Brasil em Washington (1999-2003), trabalhou como Assessor Especial no Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (2003-2007), foi Comissário Geral Adjunto do Pavilhão do Brasil na Shanghai Expo 2010. Serviu como Cônsul Geral Adjunto do Brasil em Hartford, CT, EUA (2013-2015).

Pós-Doutorado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2008-2009), doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Bruxelas (1984), mestre em Planejamento Econômico e Economia Internacional pelo Colégio dos Países em Desenvolvimento da Universidade de Estado de Antuérpia (1976), formou-se em Ciências Sociais pela Universidade de Bruxelas (1974). 

É professor no Programa de Mestrado e Doutorado em Direito do Centro Universitário de Brasília (Uniceub); foi professor orientador no Mestrado em Diplomacia do Instituto Rio Branco do Itamaraty. Tem sido regularmente convidado para ensinar em universidades brasileiras e estrangeiras. Possui experiência nas áreas de relações internacionais e em sociologia, com ênfase em desenvolvimento comparado, atuando principalmente nos seguintes temas: relações econômicas internacionais, política externa brasileira, história diplomática, desenvolvimento econômico brasileiro, globalização e segurança internacional. Foi professor convidado no Institut de Hautes Etudes de l'Amérique Latine (Sorbonne), Paris, de janeiro a junho de 2012.  Publicou mais de uma dezena de livros individuais, organizou diversas outras obras, participou de dezenas de livros coletivos e assinou centenas de artigos em revistas especializadas

Sua vocação acadêmica é voltada para os temas de relações internacionais, de história diplomática do Brasil e para questões do desenvolvimento econômico. Suas preocupações cidadãs voltam-se para os objetivos do desenvolvimento nacional, do progresso social e da inserção internacional do Brasil. Suas publicações acadêmicas estão disponíveis em: pralmeida.org

É também autor do blog  http://diplomatizzando.blogspot.com.br.



Antes de se tornar diplomata, qual era a sua formação? Onde estudou?

Meu ingresso na carreira diplomática deu-se em condições muito especiais, pois até poucos meses antes de considerar seriamente a hipótese não tinha sequer aventado essa possibilidade, que surgiu por acaso, como agora passo a relatar.

Tendo me politizado numa idade relativamente precoce, simultaneamente, se ouso dizer, ao golpe militar de 1964, quando eu tinha quatorze anos, portanto, desde cedo encaminhei-me para uma postura de acadêmico engajado nos movimentos políticos que passaram a marcar fortemente o Brasil a partir do regime militar. Desde essa data, até o final da década, fui aumentando minha participação nos movimentos estudantis e mesmo grupos de oposição política ao governo militar, ao mesmo tempo em que avançava em meus estudos secundários e me preparava para ingressar na universidade, desde muito cedo orientado para estudos sociais, mais especificamente sociologia política.

Tendo me preparado precocemente para os estudos que pretendia fazer, ou seja, Ciências Sociais na famosa Fefelech, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, não me foi difícil ultimar algumas leituras, aperfeiçoar o Francês, e inscrever-me para o vestibular que seria feito no final de 1968. Esse foi um ano que não acabou, segundo o título famoso de um livro sobre esse ano conturbado da vida política brasileira: grandes manifestações de massa, de estudantes, intelectuais e outros grupos de oposição ao governo militar do marechal Costa e Silva, ao mesmo tempo em que a guerrilha urbana dava início a uma série de atentados e ataques a quarteis e assaltos a bancos, numa intensificação das ações preconizadas pelos principais movimentos organizados de luta armada. A consequência disso foi a edição do também famoso AI-5, o Ato Institucional número 5, que decretou fechamento do Congresso, novas cassações e uma forte repressão contra todos os setores oposicionistas (inclusive com censura à imprensa e outras medidas desse teor). Pouco antes se deu a famosa “batalha da Maria Antônia”, rua que separava a “velha” Fefelech de uma universidade privada, a Mackenzie, onde era ativo o CCC, o Comando de Caça aos Comunistas, movimento de extrema-direita bastante violento. A “Maria Antônia” foi devastada, inclusive com a morte de um estudante (secundarista) e a faculdade se mudou para o novo campus universitário, na zona sul de São Paulo, onde o curso de Ciências Sociais se abrigou nos famosos barracões, construções pré-fabricadas, de onde nunca mais saiu, diga-se de passagem.

Fui, então, da primeira turma de Ciências Sociais nos barracões da USP, mas bastante esperançoso em relação ao curso, onde pontificavam os mestres da famosa Escola Paulista de Sociologia, entre eles Florestan Fernandes, Fernando Henrique Cardoso, Octavio Ianni, e outros, cujas obras eu já andava lendo algum tempo antes de ingressar na faculdade. Poucos meses depois, porém, em maio de 1969, esses que seriam meus professores, entre muitos outros, foram cassados pelo AI-5, e meu interesse pelo curso diminuiu bastante. Vinculei-me a alguns movimentos de esquerda para participar da resistência contra o governo militar, mas depois de aproximadamente um ano senti que aqueles exercícios de resistência armada não levariam a lugar nenhum, inclusive porque os movimentos armados estavam completamente isolados, deslocados em relação ao processo de forte crescimento econômico que então começava a marcar a conjuntura brasileira dos anos do “milagre econômico”.

Decidi, então, abandonar o curso, abandonar o Brasil e empreendi um autoexílio que pensava que fosse durar pouco tempo, na Europa. Comprei um passagem de terceira classe num vapor espanhol, o Cabo San Roque, e parti, no final de 1970, para uma Europa completamente desconhecida para mim (já tinha viajado muito pelo Brasil e pelo cone sul latino-americano), sem um completo domínio de línguas estrangeiras. Tive sorte, pois a Europa se encontrava num momento de crescimento econômico, dois anos antes do primeiro choque do petróleo, e, depois de três meses num país da esfera soviética, a Tchecoslováquia socialista, mudei-me para a Bélgica, onde encontrei condições para trabalhar e estudar. Lá fiquei quase sete anos, refazendo inteiramente a graduação em Ciências Sociais, a partir do segundo semestre de 1971, completando um mestrado em 1976, e inscrevendo-me no final desse ano para um doutoramento, sobre um tema que ainda figurava entre as minhas predileções intelectuais: o processo de modernização capitalista e os regimes tendencialmente autoritários ou democráticos, segundo a ocorrência, ou não, de uma revolução burguesa, um tema típico da sociologia política e objeto do magnum opus de um dos meus mestres, Florestan Fernandes, o livro A Revolução Burguesa no Brasil. Dei início ao doutorado, mas meus planos mudaram repentinamente no final de 1976 e o início de 1977.



Conte-nos um pouco sobre como e quando o senhor decidiu seguir a carreira no Serviço Exterior Brasileiro.

Nessa conjuntura, portanto, decidi retornar ao Brasil, aproveitando um momento de abertura do regime militar, a famosa “distensão política” do governo Geisel. Voltei, assim, em março de 1977, justo a tempo de conhecer uma nova fase de fechamento, o famoso “pacote de abril”, com novas cassações e perseguições a opositores. Em todo caso, comecei a dar aulas em faculdades privadas de São Paulo, e a preparar-me para algum concurso de ingresso no corpo docente de alguma universidade pública, sem outros planos que não uma carreira acadêmica. Foi assim que tomei conhecimento, em meados do ano, da abertura de um concurso direto para o Itamaraty, em complemento e paralelamente aos exames vestibulares de admissão ao Instituto Rio Branco, levados regularmente em bases anuais. Como teste, eu também fiz as provas do Rio Branco, mas não pretendia, já tendo mestrado, doutorando e sendo professor, voltar a ser aluno novamente. Mas constituiu, digamos, um bom aprendizado quanto ao formato dos exames, que eu considerei relativamente fáceis, e sem quase preparação adequada, inclusive porque fiz inscrição praticamente na última hora e quase não estudei.

Mas eu visava mesmo o concurso direto, pois ele me permitiria ingressar diretamente na carreira, sem ter de “perder” dois anos nos bancos escolares do Rio Branco. Resultado da grande expansão do Serviço Exterior brasileiro da era Geisel, como consequência do esforço exportador e de ampliação das representações diplomáticas no exterior e de seus serviços de promoção comercial, o concurso direto foi uma modalidade excepcional de seleção e admissão de diplomatas que vigorou unicamente durante cinco breves anos, de 1975 a 1979, sem que tivesse sido renovado em épocas ulteriores. À diferença das cinco ou seis provas escritas do vestibular do Rio Branco, que à época requeriam unicamente dois anos de qualquer curso superior (sendo complementadas por mais dois anos como estudante do Rio Branco), o concurso direto exigia graduação completa e notas acima da barra eliminatória em onze provas escritas e orais, acrescida de entrevista e testes psicológicos.

Como para o vestibular do Rio Branco, passei com facilidade – a despeito de minhas deficiências em direito e em inglês – no concurso direto (segundo lugar nas duas seleções), quase sem estudar (inclusive porque não tinha muito tempo. Mas, como eu tinha anos e anos de leituras acumuladas, eu sabia praticamente tudo do que se exigia como conhecimento em história, geografia, economia, política, relações internacionais e um excelente domínio do francês e do espanhol.

Na verdade, a grande motivação para eu deixar a carreira acadêmica em São Paulo e ingressar na diplomacia do Estado “burguês” que eu ainda queria “destruir”, prendia-se justamente ao fato de querer saber se a ditadura tinha algo contra mim, depois de anos passados na Europa escrevendo e atuando contra o regime, ainda que sob “noms de plume”, ou seja, sob outra identidade. Naquela época, o SNI tinha de fazer a verificação de todo e qualquer indivíduo pleiteando um cargo público. Aparentemente, eu estava “limpo”, o que me deixou tranquilo por mais alguns anos. Outro motivo para decidir-me mudar para Brasília era o de terminar um relacionamento em São Paulo, e voltar a ficar livre novamente de quaisquer compromissos. Foi assim que eu decidi me tornar diplomata, sem que eu tivesse muita ideia, praticamente nenhuma, sobre como era a carreira e o que eu iria fazer nela.



Fale sobre sua preparação para o concurso. Quais foram os maiores desafios e como os superou?

Minha preparação foi extremamente precária, pois como disse, poucos meses antes do concurso eu sequer tinha ideia de que estaria prestando exames de seleção dentro de poucas semanas. Dei uma olhada na bibliografia de referência, obtida junto à representação do Instituto Rio Branco (ou do MRE) junto à Reitoria da USP, consegui alguns livros em bibliotecas, outros não, e fiquei, na verdade, lendo livros paralelos à lista de recomendações. Lembro de ter lido livros como Paulo Mercadante, Consciência Conservadora no Brasil, Thomas Skidmore, Preto no Branco, e outros de interesse geral. Considerava estar preparado em francês, história, geografia e economia, em vista dos longos anos de leituras, justamente, e me preocupei mais intensamente com inglês e direito, que eu nunca tinha estudado realmente. Creio ter passado “raspando” nessas duas matérias, mas fiz notas altas, em alguns casos máximas, nas demais, tanto que meus exames de francês, e talvez de história, e também de economia, ficaram nos manuais de estudo do Instituto Rio Branco durante alguns anos. Considero-me um privilegiado nesse aspecto, mas isso apenas porque fui um “rato de biblioteca” praticamente desde que aprendi a ler, na “tardia” idade de sete anos.



Ao ingressar no Ministério das Relações Exteriores, houve alguma mudança na sua vida?

Como explicitei, nunca frequentei o Rio Branco, pelo fato do concurso direto ter me colocado na carreira imediatamente, e assim comecei a trabalhar, sem qualquer treino ou qualificação anterior, a não ser uns quantos dias de palestras para a nova “turma”, no Instituto Rio Branco justamente. Sei que no início sequer sabia redigir um telegrama ou memorando em linguagem diplomática, mas isso nunca me preocupou muito. Meu interesse era pela substância da matéria: política internacional, relações de poder, economia mundial, era tudo que me interessava.

Minha vida mudou, sim, radicalmente, pois sai na última semana de novembro de 1977 de aulas de sociologia e de economia em São Paulo, para o trabalho na Secretaria de Estado logo na primeira semana de dezembro. Não me considerava muito diplomático, e creio que nunca me encaixei no modelo, pois o que sempre me interessou na carreira era seu lado intelectual, não seu lado burocrático, muito hierarquizado e também extremamente disciplinado (coisas que eu sinceramente negligencio quase completamente). Mas, foi uma boa ascensão profissional de imediato, ainda que o salario de um terceiro secretário, nessa época, fosse propriamente miserável. Lembro-me que eu não tinha renda, já não digo para comprar automóvel ou telefone (dois objetos caríssimos nessa época), mas simplesmente para obter crediário numa loja de departamentos para comprar geladeira a prazo. Humilhante como se vê.

Quem me salvou foi a “namorada” que consegui após menos de uma semana no novo emprego: Carmen Lícia era economista, contratada num projeto de comércio exterior pelo MRE, minha subordinada teoricamente na Divisão onde passei a trabalhar, mas ela ganhava o dobro do que eu ganhava, e assim além da futura noiva e mulher, pude ter acesso a carro, telefone, restaurantes, etc. Foi a maior, e melhor, mudança jamais experimentada em minha vida, pois de todos os meus colegas de turma e outros contemporâneos do Brasil, Carmen Lícia e eu formamos, possivelmente, um dos poucos casais estáveis desde o início. Ficamos juntos, além dos motivos usuais de atração, por dois motivos básicos: ambos somos leitores viciados e viciosos, e ambos nômades inveterados, sempre viajando, por quaisquer meios a quaisquer lugares. Cultura, turismo intelectual, restaurantes e prazeres finos, são os motivos que nos unem desde sempre.


Paulo Roberto e Carmen Lícia



Quais postos no Brasil e no exterior o senhor ocupou?

Depois de meu ingresso no Itamaraty, em dezembro de 1977, permaneci por apenas um ano e meio em Brasília; no final de 1978, exatamente um ano depois, já estava casando com Carmen Lícia Palazzo, economista contratada num projeto de cooperação entre a Seplan e o MRE para participar de um grupo de trabalho sobre o comércio do Brasil com o Leste Europeu, a divisão onde eu trabalhava, e recebemos em seguida convite para um primeiro posto, mais exatamente na embaixada do Brasil em Berna. A Suíça nos pareceu um lugar conveniente para o nascimento de nosso primeiro filho, encomendado pouco depois do casamento, e foi assim que partimos do Brasil em meados de 1979. Lá ficamos até meados de 1982, tendo Pedro Paulo nascido em maio de 1980; logo em seguida retomei meu doutoramento que tinha ficado abandonado desde o início do 1977, quando decidi retornar ao Brasil depois de longos anos de estada na Europa, e para isso refiz minha matrícula de doutoramento, em mudar, naquele momento substancialmente o projeto, junto à Universidade de Bruxelas.

Depois de três anos de Suíça e desejando ficar ainda na Europa para continuar e terminar a tese de doutoramento, aceitei um posto em Belgrado, na Iugoslávia formalmente socialista, dois anos depois da morte de seu ditador desde 1945, Josip Broz Tito. A despeito das dificuldades materiais – cortes de eletricidade extensivos e intensos durante o inverno, penúria de gêneros de todos os tipos, inclusive de gasolina – o país balcânico – unificado apenas aparentemente – constituiu uma excelente experiência de vida, de aprendizado, de viagens. Por duas vezes tive de separar-me de minha família – deslocada para Roma durante dois invernos seguidos – e aproveitei os momentos de isolamento para redigir a tese, que ficou pronta no primeiro semestre de 1984, com defesa marcada para junho desse ano em Bruxelas. Aproveitamos o restante de nossa estada na Europa, antes de retornar ao Brasil, para viajar muito em diversos países.

Depois de uma curta estada em Brasília, entre 1985 e o início de 1987, saímos novamente para o que seria o nosso terceiro posto, novamente a Suíça, mas desta vez na delegação multilateral em Genebra, outra excelente estada numa bela cidade, muito bem localizada, extremamente gratificante sob todos os pontos de vista: profissional, cultural, familiar, acadêmico, turístico-gastronômico. Foram três anos muito felizes, ao final dos quais ganhamos uma linda filha, a Maíra, e no início de 1990 já estava partindo novamente para meu quarto posto, desta vez Montevidéu, mas não o bilateral e sim o multilateral da Aladi. Aprendi muito sobre integração, essencialmente sobre o Mercosul, que aliás foi o tema de meu primeiro livro, publicado de retorno ao Brasil, em 1993. A estada em Montevidéu foi extremamente curta, apenas dois anos exatos, após os quais eu voltei para trabalhar justamente na unidade de integração regional e outros temas econômicos na Secretaria de Estado.

Meu quinto posto foi Paris, para onde fui em setembro de 1993, chegando justo a tempo de assistir conversações do então ministro da Fazendo Fernando Henrique Cardoso, e de seu presidente do Banco Central, Pedro Malan, com o Tesouro francês, a propósito de nossa dívida externa e dos acordos contraídos no âmbito do clube de Paris. Foram mais três anos de completa felicidade profissional, familiar, cultural, turística e gastronômica, obviamente, com muitas viagens e enriquecimento intelectual. Em Paris me ocupei de temas econômicos, bilaterais e multilaterais (Clube de Paris e OCDE), o que me trouxe uma imensa bagagem – junto com a adquirida anteriormente em Berna, Genebra e Montevidéu – para me orientar definitivamente para os temas de história econômica e políticas de desenvolvimento.

De volta a Brasília, no início de 1996, assumi a chefia da Divisão de Política Financeira e de Desenvolvimento da Subsecretaria de Assuntos econômicos, onde permaneci três “longos anos”, até receber um convite para ser ministro-conselheiro em Washington, para onde fui em setembro de 1999. Lá permaneci quatro anos completos, voltando em outubro de 2003, já com o novo governo lulopetista. Fui então trabalhar como assessor especial de um dos integrantes da troika que cercava o presidente Lula, ocupando-me de temas de planejamento estratégico, um exercício que poderia ter sido extremamente gratificante se não fosso e vezo petista e militar por planos grandiosos, ambiciosos demais para serem efetivamente executados com sentido pragmático.

Depois de uma missão provisória na China, durante oito meses em 2010, onde desempenhei a função do Comissário Geral Adjunto do Pavilhão do Brasil por ocasião da Exposição Universal de Shanghai, retornei ao Brasil para funções anódinas, tomando então uma licença, no início de 2012, para dar aulas no Institut de Hautes Études de l’Amérique Latine, junto à Universidade de Paris 3 (Sorbonne), na rue Saint-Guillaume. Foram mais seis meses de muita cultura, muitas viagens, muito estudo e satisfação.

De volta ao Brasil, aceitei ser, no final de 2012, ser Cônsul Geral Adjunto no Consulado Geral do Brasil em Hartford, Connecticut, mais três anos de livros, viagens, muita cultura (sobretudo em museus e bibliotecas), várias palestras em universidades americanas da costa leste (e até do Illinois), e duas travessias completas, coast to coast, de um oceano a outro (quando conhecemos praticamente todos os estados americanos), decidimos, Carmen Lícia e eu, voltar ao Brasil no final de 2015, por razões basicamente familiares (ficar próximos dos filhos e netos). Estes foram, pois, os meus postos e minhas viagens, todos eles recheados de muito conhecimento, experiência de vida, e de prazeres culturais e gastronômicos.



Como o senhor descreveria a atuação da sua esposa, ao seu lado, nesses quase quarenta anos? 

Carmen Lícia Palazzo sempre foi, desde o início, continua sendo e assim será no futuro previsível, uma companhia excepcional e provavelmente a melhor coisa que me aconteceu na vida desde que ingressei no Itamaraty em dezembro de 1977. Nunca poderia ter casado com alguém que não amasse, mas sobretudo que não partilhasse comigo os mesmos gostos – por livros, por viagens, por cultura, em geral, por uma vida simples, mas repleta de prazeres intelectuais – e que fosse animada pelo mesmo gosto de aventura, por esse nomadismo constante que é intrínseco à carreira, mas que ambos praticamos no mais alto grau, no limite das possibilidades temporais e materiais. Temos origens relativamente similares – famílias imigrantes, trabalhadoras, motivadas pela educação de seus filhos como via de ascensão social, ainda que eu viesse de um meio bem mais modesto e menos educado do que ela – e cultivamos interesses comuns e pontos de vista políticos e filosóficos também amplamente coincidentes, o que também compreendeu projetos de vida largamente orientados para objetivos partilhados, tanto no plano familiar, quanto no profissional, ou simplesmente de vida intelectual. Esses são os pontos de partida que explicam que, no amplo leque de nossa faixa de casais que coincide temporalmente com a trajetória de vida e carreira, sejamos um dos poucos que se manteve estável ao longo de quase 40 anos de itinerário conjunto.

No plano específico da vida em comum, parece inevitável que alguns trade-offs tivessem de ter sido feitos, aceitos e encarados, nem sempre em igualdade de condições. Como apenas eu ingressei na carreira diplomática, Carmen Lícia, por injunções da vida diplomática – remoções, mudanças de modo de vida, filhos, e uma série de outras vicissitudes – teve de abandonar sua carreira pessoal, como economista, para adentrar num tipo de atividade na qual pudesse conciliar suas preferências pessoais com as condições sempre mutantes da minha condição. Ela se orientou então para o magistério, para a pesquisa, na área de história, uma trajetória tampouco isenta de percalços pois sempre condicionada às possibilidades locais em postos do exterior e à sempre renovada necessidade de retomar trabalho nessas áreas quando no Brasil. Nunca é fácil, inclusive também por que, por temperamento, nenhum de nós dois é adepto de serviçais ou de dependentes para os trabalhos domésticos: ainda que amplamente divididas as tarefas da casa, é óbvio que a carga maior sempre fica com quem tem a obrigação de cuidar dos filhos, de se ocupar de sua educação e do funcionamento da casa, em face de uma carreira bastante exigente em termos de invasão das horas vagas e dos fins de semana.

A compensação vem num planejamento conjunto das diversas possibilidades de remoção e de estilo de vida, num engajamento intenso, e comum, nas atividades que ambos cultivamos – leituras, viagens, lazeres culturais e gastronômicos, e várias outras atividades afins – e num despojamento partilhado em relação ao supérfluo e a certa ostentação, que são talvez muito comuns na carreira, em troca de uma vida mais voltada para o que nos une, justamente, afastada de qualquer exibicionismo ridículo. Carmen Lícia, aliás, lê muito mais do que eu, conhece provavelmente muito mais coisas que eu, em termos de história, civilizações, culturas, e está sempre sugerindo algo para fazermos no universo cultural que nos interessa. Devo a ela muito do que sou, do que fiz, do que pude produzir ao longo dos anos: aliás, só pude escrever e publicar tanto, nestes últimos 40 anos, porque Carmen Lícia assegurou as condições ideais, até com certo sacrifício pessoal, para que tudo isso pudesse ser feito.

Por isso não tenho nenhuma hesitação em proclamar meu amor por ela, e dizer que fui, sou, um homem muito feliz por ter como companhia uma mulher excepcional, bem mais inteligente do que eu, muito mais esperta em coisas da vida, dotada de um faro psicológico superior ao meu para coisas e pessoas, enfim, um amor de pessoa.


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Das atividades que o senhor realizou no MRE, quais mais lhe dão orgulho?

Ter participado das primeiras iniciativas de informação, impressa e digital, sobre integração e diplomacia econômica – com edição de revistas, boletins, publicações diversas – entre os anos 1990-93, e depois acompanhado muito do trabalho negociador de diplomacia econômica, seja em Paris (entre 1993 e 95, no Clube de Paris), seja em Brasília, nos temas de investimentos e finanças (entre 1996 e 1999), e depois em Washington, nos mesmos temas, mais ciência e tecnologia. Todos os meus livros, mesmo os de história diplomática, trazem esse universo das relações econômicas internacionais e da história econômica do Brasil, que estão no centro de minhas pesquisas, estudos, escritos e aulas. Atualmente, sem um cargo definido no Itamaraty, na transição de um governo e outro, encontro-me colaborando com atividades de natureza cultural na Funag, tendo já organizado um seminário e livro sobre um historiador-diplomata, Francisco Adolfo de Varnhagen, e preparando outros projetos nesse mesmo universo da história diplomática e da política externa do Brasil.



O que diria sobre a carreira diplomática? Como o senhor a vê?

De espírito e motivações basicamente acadêmicas, só sou diplomata porque encontro essa profissão a mais intelectual de todas as carreiras do serviço público, a que mais se amolda a meu espírito de pesquisador, de escritor, de professor (uma atividade que sempre desempenhei em caráter complementar, mas de forma constante, intensa). Não tenho grandes motivações corporativas, no sentido de fazer da carreira o centro exclusivo de meu interesse profissional ou até de vida, mas considerando-a, de certa forma, como um esteio muito gratificante a esses outros aspectos intelectuais ou culturais que preenchem não apenas a minha vida, mas também a de Carmen Lícia, uma leitora voraz, uma intelectual, uma pesquisadora e professora, como eu. A maior parte de meus colegas, reconheço, fazem da carreira uma verdadeira vocação, um modo de vida e um objetivo central de seus itinerários profissionais, o que não é exatamente o meu caso, ainda que eu considere esses objetivos plenamente válidos, pois eles são, de fato, o constitui a essência da carreira diplomática: informar, representar, negociar.

É o que de certa forma também fiz, ao longo de minha carreira, mas sem jamais abandonar, ou descurar, minhas outras atividades intelectuais, a pesquisa, o estudo, as aulas, palestras, conferências, participação em revistas e grupos de estudo e trabalho na esfera precipuamente acadêmica, no Brasil e no exterior. É o que sempre fui, professor, o que outros reconhecem que sou, e o que me dá maior prazer e satisfação intelectual. Não tenho essa obsessão de outros colegas pelo trabalho puramente burocrático de chancelaria – a não ser o que envolve, justamente, a produção de material substantivo de pesquisa e formulação de posições, com base num estudo detalhado de cada tema diplomático ou cada problema negociador inscrito em nossa agenda – e menos ainda pelo aspecto coloquial dos coquetéis e recepções diplomáticas onde se perde um tempo enorme com banalidades até obter alguma informação relevante para o trabalho próprio do diplomático. Como sou um leitor inveterado, prefiro “perder” meu tempo na companhia dos livros e em outras atividades desse tipo, a frequentar salões e gabinetes nos quais a hipocrisia é de rigor e onde as frases de efeito e os chavões abundam.

Fui e sou muito feliz na carreira diplomática, pois ela me permitiu fazer, e de maneira abundante, o que mais eu e Carmen Lícia gostamos de fazer: viajar, ler, frequentar grandes e pequenos museus, conhecer todos (ou quase todos) os países do mundo, praticar gastronomia (sobretudo italiana, la vera) enfim, circular como nômades com relativo conforto e segurança, satisfazendo nossa insaciável sede de cultura, de conhecimento, de prazer estético, cultural, intelectual.



 Em que medida a diplomacia e a academia são complementares ou excludentes?

Para mim elas se entrelaçam profundamente, ainda que colegas diplomatas possam ver nisso algum “desvio de função”. Nunca considerei assim, pois só o hábito de pesquisa, de exposição clara dos fatos, de aprofundamento das razões, origens e desenvolvimento de uma questão qualquer, de suas conexões com o Brasil, podem contribuir para a formulação das melhores posições negociadoras para o país. Ao fazer isso, não é sem orgulho que reconheço ter estado, na maior parte dos casos, e em grande medida na proposição de “soluções” a uma questão negociadora qualquer, à frente do meu tempo, à frente dos meus colegas, o que não é fácil, reconheço desde já. O fato de estudar muito, de pesquisar, de ler intensamente sobre todos os assuntos que me foram atribuídos me habilitou a dispor, se ouso dizer, de um conhecimento aprofundado dessas questões, podendo assim contribuir para a formulação das posições negociadoras que encontro as melhores para o Brasil. Isso nem sempre é visto, e muito raramente é visto, como positivo, uma vez que o Itamaraty, como toda grande instituição burocrática, é eminentemente conservadora, um pouco ao estilo do Vaticano, com seus dogmas e rituais, seus cardeais e seus grandes burocratas, que se apoiam na tradição, bem mais do que nos estudos de vanguarda.

Não tenho nenhum problema assim, de “acusar” o Itamaraty, de ser basicamente conformista com certos mitos do passado, com certos conceitos válidos (talvez) numa certa época, mas que se cristalizaram numa ideologia nacionalista um pouco ingênua, crenças desenvolvimentistas do tipo rústico – ou seja, sem fundamentos econômicos mais refinados – e esse vago terceiro-mundismo onusiano que encontra ultrapassado e que é completamente artificial, para não dizer anacrônico sob todos os pontos de vista. Os companheiros no poder, de 2003 a 2016, ainda consolidaram toda uma ideologia nefasta da divisão do mundo entre países hegemônicos – as economias avançadas, e antigos impérios coloniais – e emergentes – supostamente anti-hegemônicos, e portanto, automaticamente aliados numa causa simplória de reorganização do mundo segundo novas bases, que ainda carregam esse entulho ideológico do desenvolvimentismo de base estatal, protecionista, introvertido e, ao fim e ao cabo, basicamente prejudicial ao nosso desenvolvimento econômico e nossa integração nos circuitos da globalização. O Itamaraty, durante todos esses anos, foi extremamente passivo com posturas e ações totalmente contrários a nossos interesses nacionais, alinhados com algumas das piores ditaduras da região e alhures, totalmente em conformidade com o espírito socialista vulgar dos que estiveram no poder durante esse período.

Atribuo meu ostracismo e alijamento de funções relevantes no Itamaraty durante todo esse período à minha postura claramente opositora, não apenas a esse esquerdismo infantil e anacrônico, mas também a certa passividade ou submissão diplomática em face de iniciativas claramente contrárias a nossos interesses como nação integrada ao mundo, não alinhada a regimes deploráveis no plano da democracia e dos direitos humanos. Nunca deixei de pensar com minha cabeça e de expressar o que penso sobre tudo isso, e mais ainda: de escrever e publicar o que penso. Prefiro ficar em paz com minha consciência, do que fingir uma concordância hipócrita com posturas que sei que são contrárias às melhores tradições diplomáticas de nossa história. Este também é um aspecto que deriva de meu pendor pelos estudos e pelas pesquisas especializadas.







Quais foram os maiores desafios, ao longo da sua carreira? 

Não posso reclamar de uma carreira que me levou a conhecer alguns dos lugares mais interessantes do mundo, que me permitiu desenvolver quase plenamente todos os meus interesses intelectuais, e que me ofereceu segurança e estabilidade para justamente poder me dedicar, nas horas vagas de uma atividade profissional geralmente intensa – pelo menos até certa etapa –, aos meus hobbies preferenciais e eternos: leituras, escrita, viagens e cultura refinada, no sentido mais intelectual do que artístico. Não obstante, alguns momentos foram desafiadores, ou difíceis, na vida pessoal, familiar, profissional.

Nossa estada na então Iugoslávia, entre 1982 e 1985, foi bastante problemática, inclusive porque, em virtude de racionamento de quase tudo, de penúrias constantes, e de cortes de eletricidade em pleno inverno, Carmen Lícia e Pedro Paulo, então entre 3 e 4 anos, tiveram de se instalar em Roma por dois invernos seguidos, enquanto eu permanecia em Belgrado durante a semana e os visitava nos fins de semana ou nas saídas periódicas. O período coincidiu também com a preparação de minha tese de doutorado junto à universidade de Bruxelas, o que também implicou em separação maior do que o imaginado. Foi, certamente, meu único “posto de sacrifício”.

O outro grande desafio da carreira foi ter enfrentado, por razões claramente políticas – em virtude meus escritos fortemente críticos aos governos do PT –, um veto virtual, efetivo, a cargos e funções na Secretaria de Estado desde praticamente 2003 até o presente momento, quando recém se inicia um novo governo. Fui, provavelmente, um dos críticos mais evidentes e declarados do regime lulopetista, que sempre considerei prejudicial ao Brasil em geral, e especialmente danoso do ponto de vista da política externa e de sua diplomacia. Eu tinha publicado, ainda em Washington, em 2003, depois unificada em um livro coletivo, uma série de análises tópicas sobre temas de política internacional e de diplomacia prática, provocativamente chamada de “Contra a Corrente: Treze Ideias Fora do Lugar”, na qual eu já criticava as concepções que passaram a figurar na base da diplomacia implementada desde então. A consequência foi um veto explícito a qualquer cargo em Brasília, primeiro no Instituto Rio Branco, depois na própria SERE. Fiquei no limbo, portanto, Aproveitei o tempo “livre” para produzir ainda mais, e publicar um número superior de escritos ao que teria sido possível fazer se tivesse tido funções de responsabilidade na SERE.



O que diria aos jovens estudantes que pretendem prestar o Concurso de Admissão (CACD)?

Não tenho grandes conselhos a dar, pois julgo que cada indivíduo possui suas próprias motivações e interesses pessoais, para a sua vida profissional, familiar ou intelectual. Minha vida sempre foi feita de estudos, de leituras, de notas e escritos e acho isso um bom método para quem pretende ser diplomata: ler de tudo (material de boa qualidade, quero dizer), anotar, refletir, sintetizar, expor, colocar as ideias em ordem e saber se expressar claramente, o que só se consegue estudando muito, o que permite pensar de forma abrangente. Quem começa a pensar em estudar para o concurso de ingresso na carreira diplomática de certa forma já começa tarde, pois a atitude correta, para qualquer profissão aliás, é a de estudar sempre, desde pequeno e durante toda a vida, mesmo depois de realizado o objetivo de ingressar na carreira diplomática.

Quanto aos princípios e valores que devem guiar alguém na preparação ou no desempenho de sua carreira diplomática, creio que já escrevi alguma coisa a esse respeito neste pequeno texto que provavelmente merece atualização reflexiva, depois de mais de uma década e meia de redigido:

“Dez regras modernas de diplomacia” (agosto de 2001)



Esta entrevista é a sua publicação de número 1.226, qual é a sua maior motivação para escrever? 

Trata-se de uma compulsão interior, certamente derivada desse meu hábito “insano” de intensas leituras, sempre com anotações, e de uma dedicação paralela, mas também intensa, a atividades acadêmicas, o que me motivou a escrever textos de nítido perfil didático, que a partir de uma determinada etapa se transformaram em livros (mais de uma dúzia), capítulos de livros em dezenas de obras coletivas, e algumas centenas de artigos que são regularmente colocados à disposição dos interessados ou curiosos em meu site (www.pralmeida.org), blog (http://diplomatizzando.blogspot.com) e em plataformas de intercâmbio acadêmico, tipo Academia.edu e Research Gate, além dos veículos que publicam esses materiais.

Já escrevi muito, também, sobre essa minha maneira de ser, justamente, tanto pela vertente diplomática-acadêmica, quanto pela de “escrevinhador” e divulgador dos escritos os mais diversos. Permito-me, portanto, alinhar aqui, alguns desses trabalhos que podem complementar esta breve informação sobre meus métodos de trabalho, sobre minhas atividades intelectuais, sobre minha postura em relação à dupla militância, na carreira diplomática e nas lides acadêmicas. Apenas transcrevo os textos segundo a numeração na lista de originais, eventualmente complementada pela de publicados.


800. “Dez Regras Modernas de Diplomacia”, Chicago, 22 julho 2001; São Paulo-Miami-Washington 12 agosto 2001, 6 p; Ensaio breve sobre novas regras da diplomacia. Postado no blog Diplomatizzando (16/08/2015, link: http://diplomatizzando.blogspot.com/2015/08/dez-regras-modernas-de-diplomacia-paulo.html). Relação de Publicados n. 282.


1073. “Mensagem aos formandos”, Washington, 4 jul. 2003, 5 p. Texto de saudações elaborado para atender a convite da comissão de formatura do curso de Relações Internacionais da Universidade Tuiuti do Paraná. Encaminhado em 4/07, em versão preliminar. Postado no blog Diplomatizzando (27/05/2016; link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2016/05/saudacao-formandos-de-relacoes.html).


1089. “Aprenda diplomacia por sua própria conta (e risco), em apenas um dia”, Washington, 2 ago. 2003, 4 p. Paródia aos manuais de auto-aprendizado de economia, imaginando matérias e métodos para um self-made diplomat. Postado no blog Diplomatizzando (27/05/2016; link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2016/05/seja-diplomata-por-sua-propria-conta-e.html).


1181. “A formação e a carreira do diplomata: uma preparação de longo curso e uma vida nômade”, Brasília, 14 jan. 2004, 3 p. Texto preparado para o Guia para a Formação de Profissionais do Comércio Exterior, das Edições Aduaneiras. Postado no blog Diplomatizzando (27/05/2016; link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2016/05/preparacao-para-carreira-diplomatica.html).


1345. “A caminho de Ítaca”, Brasília, 18 out. 2004, 7 p. Ensaio sobre como e por que sou professor, de caráter autobiográfico. Postado no site pessoal (link: http://www.pralmeida.org/05DocsPRA/1344ItacaProfessor.html), no blog DiplomataZ (23.11.2009; link: http://diplomataz.blogspot.com/2009/11/24-por-que-sou-professor-uma-reflexao.html); republicado no blog Diplomatizzando (15/10/2015; link: http://diplomatizzando.blogspot.com/2015/10/a-caminho-de-itaca-como-e-por-que-sou.html)


1403. “Conselhos de um contrarianista a jovens internacionalistas”, Brasília, 5 março 2005, 6 p. Alocução de patrono na XI turma (2º semestre de 2004) de Relações internacionais da Universidade Católica de Brasília (10/03/2005). Mesmo texto aproveitado para alocução de paraninfo na turma de Relações internacionais da Universidade do Sul de Santa Catarina, Unisul, Tubarão, SC, de 2004 (8/04/2005). Mensagem disponível no site pessoal: http://www.pralmeida.org/05DocsPRA/1403Contrarianista.html.


1492. “Postura diplomática”, Brasília, 8 e 12 nov. 2005, 2 p. Comentários a questão colocada a propósito de situações difíceis enfrentadas no trabalho diplomático. Divulgado no blog Diplomatizzando (2/07/2012; link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2012/07/postura-diplomatica-o-contrarianista.html).


1507. “Por que leio tanto? e Meus ‘métodos’ de leitura...”, Brasília, 18 dez. 2005, 3 p. Dois textos sequenciais sobre leituras e métodos, para postagem no meu blog (http://paulomre.blogspot.com). Apresentação ao novo Blog “Textos PRA” (1 p.). Postado no blog Diplomatizzando (27/05/2016; link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2016/05/por-que-leio-tanto-meus-metodos-de.html).


1529. “O que faz um diplomata, exatamente?”, Brasília, 11 janeiro 2006, 4 p. Resposta a indagações efetuadas sobre a natureza do trabalho diplomático, como remissão a meu trabalho sobre as “dez regras modernas de diplomacia”; Blog n. 153 (link: http://paulomre.blogspot.com/2006/01/153-o-que-faz-um-diplomata-exatamente.html).


1535. “Alguns aspectos da cultura diplomática: respostas a questionário no âmbito de projeto sobre a mulher na diplomacia”, Brasília, 18 janeiro 2006, 12+5 p. Respostas a questionário submetido por professora da USP, no quadro do projeto “Mulheres e Relação entre os Gêneros nas Diplomacias Brasileira e Portuguesa”. Novas perguntas em 20 de fevereiro, respondidas em 25 de fevereiro (total: 17 p). Postado no blog Diplomatizzando (27/-5/2016; link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2016/05/a-cultura-diplomatica-e-as-mulheres.html).


1558. “Ser um bom internacionalista, nas condições atuais do Brasil, significa, antes de mais nada, ser um bom intérprete dos problemas do nosso próprio País”, Brasília, 8 março 2006, 6 p. Alocução de paraninfo na turma de formandos do 2º Semestre de 2005 do curso de Relações internacionais do Uniceub, Brasília (16 de março de 2006, 20hs, Memorial Juscelino Kubitschek). Colocado à disposição no site pessoal (link: http://www.pralmeida.org/05DocsPRA/1558uniceub16mar2006.doc).


1563. “As relações internacionais como oportunidade profissional”, Brasília, 23 março 2006, 9 p. Respostas a algumas das questões mais colocadas pelos jovens que se voltam para as carreiras de relações internacionais. Postado no blogpessoal (http://diplomatizzando.blogspot.com/2013/03/as-relacoes-internacionais-como.html). Relação de Publicados n. 627.


1591. “O Ser Diplomata: Reflexões anárquicas sobre uma indefinível condição profissional”, Brasília, 2 maio 2006, 3 p. Reflexões sobre a profissionalização em relações internacionais, na vertente diplomacia. Disponível no site pessoal (link: http://www.pralmeida.org/05DocsPRA/1591serdiplomata.doc).


1624. “Declaração de princípios: sou um homem de causas”, Brasília, 20 junho 2006, 2 p. Post inaugural no novo blog Vivendo com livros, voltado para os livros e o estudo (http://vivendocomlivros.blogspot.com/). Postado novamente no blog Diplomatizzando (31/01/2014: http://diplomatizzando.blogspot.com/2014/01/e-por-falar-em-blogs-uma-declaracao-de.html).


1670. “Dez obras fundamentais para um diplomata”, Brasília , 29 setembro 2006, 2 p. Lista elaborada a pedido de aluno interessado na carreira diplomática: obras de Heródoto, Maquiavel, Tocqueville, Pierre Renouvin, Henry Kissinger, Manuel de Oliveira lima, Pandiá Calógeras, Delgado de Carvalho, Marcelo de Paiva Abreu e Paulo Roberto de Almeida, para uma boa cultura clássica e instrumental, no plano do conhecimento geral e especializado. Blog Diplomatizzando (link: http://diplomatizzando.blogspot.com/2006/09/625-dez-obras-fundamentais-para-um.html). Revisto e ampliado, com explicações e links para cada uma das obras, em 14 de outubro de 2006 (6 p.). Relação de Publicados n. 709.


1688. “Auto-entrevista (ao chegar numa certa idade...)”, Brasília, 19 novembro 2006, 6 p. Algumas perguntas (leves) a um personagem conhecido: um texto comemorativo. Postado no site, link: http://www.pralmeida.org/05DocsPRA/1685AutoEntrevista.pdf.


1704. “Um autodidata na carreira diplomática”, Brasília, 26 dezembro 2006, 4 p. Respostas a questões colocadas por jovem candidato à carreira diplomática. Colocada no blog Diplomatizzando; link: http://diplomatizzando.blogspot.com/2006/12/667-um-autodidata-na-carreira.html#links.


1705. “Carreira Diplomática: dicas e argumentos sobre uma profissão desafiadora”, Brasília, 27 dezembro 2006, 6 p. Consolidação e compilação de meus trabalhos relativos à carreira diplomática e à profissão de internacionalista, para atender às muitas consultas que me são feitas nesta época. Colocada no blog Diplomatizzando (link: http://diplomatizzando.blogspot.com/2006/12/669-carreira-diplomatica-dicas.html) e incorporada ao site pessoal, seção “Carreira Diplomática”.


1706. “Retrato do diplomata, quando maduramente reflexivo”, Brasília, 31 dezembro 2006, 5 p. Reflexões pessoais em torno de uma vida dedicada aos livros, ao estudo e ao aperfeiçoamento da sociedade. Postado no blog Diplomatizzando (link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2006/12/679-retrato-do-diplomata-quando.html) e no site pessoal (link: http://www.pralmeida.org/05DocsPRA/1703RetratoDiplomata.html).


23/05/2016

Como é a festa à fantasia do IRBr

Já me perguntaram algumas vezes - especialmente porque sempre publico as fotos nas redes sociais - como é a festa à fantasia que os alunos do Instituto Rio Branco organizam para os seus "calouros", todos os anos. Então, decidi escrever este post, para colocar de forma organizada todas as informações.

Inicialmente, é importante dizer que a festa é aberta não só a todos os funcionários do MRE, mas também a qualquer pessoa que tenha interesse em participar. Cada edição da festa é diferente das anteriores, pois toda a organização depende da turma que já está de saída (ou acabou de sair) do IRBr e que recepciona os recém ingressados e homenageia seus veteranos. 

Tenho participado de todas as edições desde 2009. Não perdi nenhuma e posso dizer que o toque de personalidade de cada turma é visível quando da realização da festa. A primeira questão, que denota os perfis das turmas, é a escolha do tema. O tema determina não somente as fantasias, mas a decoração, a comida e a música. Os temas mais recentes, foram:


Festa de 2016, em homenagem aos que ingressaram em 2015


Festa de 2015, em homenagem aos que ingressaram em 2014.

Festa de 2014, em homenagem aos que ingressaram em 2013

Em 2013, não teve festa à fantasia, devido à data do concurso.


Festa de 2012, em homenagem aos que ingressaram em 2012.


Festa de 2011, em homenagem aos que ingressaram em 2011.


As principais diferenças e semelhanças entre as festas de 2011 a 2016


Em alguns anos, foram duas pistas com DJs que tocavam, simultaneamente, estilos diferentes de música, como foi o caso da festa "Do Lounge à Laje" (2011) ou "De Hollywood a Bollywood" (2015). Em outros anos, havia duas pistas, mas com tema determinado, como foi o caso de "Delírio Tropical" (2014), que optou pelo tropicalismo. 

Na festa "De Brasília à Gotham City" (2016),  um bloco de carnaval foi a atração extra da festa; na "De Hollywood a Bollywood" (2015), uma artista performática foi a mestre de cerimônias e houve concurso de fantasias; na "Delírio Tropical" (2014), uma banda tocou músicas brasileiras ao vivo; na "Do Lounge à Laje" (2011), teve um grupo de forró e de axé tocando ao vivo. 

O evento foi open bar em todas as edições nas quais estive presente e já esteve à cargo do Funny Show Bar (2016),  Dancing Bar (2015), Bartino Open Bar (2014).

A festa foi open food até 2014, mas deixou de sê-lo em 2015, quando optou-se pelo food truck. Quando o evento era open food, na "Delírio Tropical" (2014), foi servido ceviche e outros tira-gostos tropicais, na "Mocinhos e Bandidos" (2013), tinha cachorro quente e opções de salgados; na "Do Lounge à Laje" (2011), teve churrasquinho e aperitivos. Na festa "De Hollywood a Bollywood" (2015), quando houve a transição, forram oferecidas guloseimas típicas das salas de cinema (incluindo pipoca), além dos trucks.  A partir do momento em que o food truck foi definitivamente introduzido, na festa "De Brasília à Gotham City" (2016), os trucks à disposição foram: Master Truck, Chez Mi Churros e Samurai Truck.

A música das festas sempre esteve a cargo de DJs e VJs. Na  festa "De Brasília à Gotham City" (2016), quem estava à frente das pickups foram a dupla de DJs "She's my fave" que tocavam na festa Play, Dyke-se e no Velvet Pub; e o DJ Igor Fearn tinha uma pegada mais ano 80 e 90. Na "De Hollywood a Bollywood" (2015), DJ Maya, que tocava no Victoria Haus; DJ Pezão, do Criolina; DJ Tony Carvalho; DJ Igor Fearn, e DJs Tonny Carvalho e Helio Weirdo, residentes na Play. Na "Delírio Tropical" (2014), os DJs que tocaram foram Nagô, Pezão, Tamara Correia, Pati Merenda, Ops, Nada, Karla Testa, VJs Niberas, Oga Julia e Mari Mira.

Em termos de diversidade fotográfica e de redes, na festa de 2016, havia cabine de fotos instantâneas; na festa de 2015, a fotógrafa contratada publicou as imagens na página do evento. Em 2015, foi criada uma conta no Instagram (festaafantasia.irbr), em 2012, foi criada uma página no Facebook (festaafantasia.irbr).


Público das festas

De modo geral, o público são jovens diplomatas, seus(suas) respectivos(as) e amigos(as), aspirantes à carreira de diplomata e, eventualmente, professores do IRBr e dos cursinhos preparatórios para o CACD. Como a festa é aberta todos que quiserem participar, também temos outras gamas de perfis, mas esse é o predominante. As festas são sempre muito animadas, e muito pacíficas também. Nunca presenciei nenhuma discussão em nenhuma das edições. Percebe-se que há respeito mútuo entre os que estão ali, então, as pessoas se divertem, dançam e entram no clima do tema e das fantasias sem preocupações.


As fantasias

Tem fantasia para todos os gostos. Desde quem pegou uma roupa em casa e montou uma produção de última hora, passando por quem alugou em uma loja ou pegou emprestado, até quem fez a fantasia sob encomenda.

19/05/2016

Entrevista com Priscilla Barros - Sócia e Fundadora da La Blancheur


Priscila Barros é Dentista, Sócia e Fundadora da La Blancheur, mãe e Diplowife. Ela nos contará sobre sua trajetória como profissional e empreendedora. Um exemplo de mulher que inova e faz sucesso.


Priscilla, conte um pouco sobre você.

Sou graduada em Odontologia pela Universidade Paulista-Unip. Atuo desde 2009 como cirurgiã-dentista  Atualmente estou concluindo pós-graduação em implantodontia. Sempre senti vocação para o empreendedorismo e tenho buscado desenvolver cada vez mais os meus talentos e habilidades nessa área. 


Como surgiu a ideia de abrir uma empresa?

A combinação de meu interesse pela moda com meu contexto profissional me  ajudaram a enxergar um nicho de mercado muito pouco explorado: a moda destinada aos profissionais de saúde. A Ideia surgiu na época da graduação. Durante o curso, eu não podia compreender por que os jalecos disponíveis no mercado tinham de ser tão desconfortáveis e cafonas. Eu acreditava firmemente que profissionalismo e elegância eram sim compatíveis, e que haveria demanda por um produto diferenciado nesse ramo. Em parceria com minha amiga e sócia Sara Cabral - também dentista - resolvemos dar início, em 2015, à La Blancheur. Focamos no atendimento da demanda por jalecos estilizados, elaborados com tecidos de alta qualidade e corte sofisticado, de modo a propiciar conforto, elegância e autenticidade ao profissional de saúde.










A escolha do nome foi fácil? Qual é seu significado? 

Não foi uma tarefa fácil, porém muito divertida. Pensamos em vários nomes que tivessem a ver com nosso público e evocassem sofisticação. Depois selecionamos três. Fizemos uma pesquisa com nossos amigos e familiares. E, por fim, decidimos por La Blancheur, nome de origem francesa que significa "A brancura". Optamos por esse nome por refletir a essência de nossa marca.


Como é o processo de criação dos designs dos jalecos?

Com inspiração na alta costura, desenhamos os modelos, pensamos nos tecidos, nas rendas e nos detalhes para um resultado de elevada qualidade. Tudo é feito com muito carinho e criatividade. Em seguida, efetuamos testes, juntamente com os profissionais de costura, para verificação do caimento, corte, costura e acinturamento da peças.


Quais foram as dificuldades iniciais que você encontrou para entrar no mercado?

Foi um grande desafio encontrar fornecedores e prestadores de serviço que atendessem nossos requisitos de qualidade. Fizemos vários testes com diferentes profissionais até escolhermos aqueles que eram mais sensíveis à exigência de alta qualidade da nossa marca.


A La Blancheur foi lançada em 2015, como vocês fizeram para torná-la conhecida?

Após a criação dos primeiros modelos, começamos a divulgação por nossa rede de amigos e colegas da área de saúde. Comecei a usar os jalecos da La Blancheur no ambiente de trabalho e nos cursos que frequentava. Não demorou muito para que os amigos se interessassem e as indicações ocorressem. Além disso, elaboramos uma intensa campanha de divulgação nas redes sociais, que acabou tendo grande sucesso.


O que você diria a quem gostaria de empreender, como você?

Acho que quem quer empreender tem que ser antes de mais nada ousado. Tem que arriscar e não pode ficar com receio. Não é nada fácil transformar uma ideia em negócio. Por isso, o ideial é começar com uma estrutura de custos fixos bem modesta e, se possível, com terceirização e estoque mínimo. É isso que tem nos ajudado a seguir firme apesar da atual crise.


Como é possível adquirir os produtos La Blancheur? É necessário residir em Brasília?

Não é preciso residir em Brasília. Enviamos para todo Brasil e Exterior. As compras podem ser feita diretamente pelo site: www.LaBlancheur.com.br.




Para conhecer mais sobre a  La Blancheur, acesse:
Facebook.com/lablancheur.lb
LaBlancheur.com.br
Instagram.com/la.blancheur

17/05/2016

Bela, qualificada e do Home (Office)

Sou fã do Go Home Office. Desde que descobri a página, comecei a aplicar as dicas do André e da Marina e devo admitir que a minha produtividade melhorou e muito. Pesquisas, artigos, trabalhos de coordenação, posts do blog, ... faço tudo de casa.

Para quem tem que mudar de país constantemente, essa me pareceu uma excelente perspectiva para manter-se em atividade, onde estiver pelo mundo. Muitas dicas se aplicam também a quem está estudando em tempo integral (para o CACD, por exemplo) ou fazendo uma pós-graduação - o vídeo sobre produtividade é ótimo para isso. Separei vídeos que podem lhes interessar. O primeiro é enxuto e tem várias dicas. O segundo, é sobre produtividade e o terceiro é o mais longo, tem depoimentos.

Para quem deseja aprender mais, recomendo o livro 100 dicas do Home Office (custa só 39 Reais) e o kit de três livros Home Office & Filhos, 130 Ideias de Negócios e 100 dicas do Home Office (por somente 49 Reais).










Resumos de Política Externa e História




para obter os links para os resumos de



  • PEB DE DUTRA A JK (1946-1961) 
  • PEB DE JÂNIO A MÉDICI (1961-1974)
  • PEB DE COLLOR A FHC (1990-2002)
  • HISTÓRIA DA POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA (1945-2010)
  • RELAÇÕES ENTRE BRASIL E  RÚSSIA
  • RELAÇÕES ENTRE BRASIL E CHINA
  • AMÉRICA LATINA NO SÉCULO XIX
  • HISTÓRIA DA AMÉRICA LATINA
  • AMÉRICA LATINA NO SÉCULO XX: CUBA, CHILE E NICARÁGUA
  • O BLOCO SOCIALISTA E O FIM DA GUERRA FRIA



AUTOR DOS RESUMOS

O diplomata Bruno Quadros e Quadros, que além de se dedicar ao serviço exterior, é numismata, enólogo, vexilólogo e grande conhecedor de história e política externa russas, tendo seu trabalho nessa seara sido reconhecido e premiado pela Federação Russa. Bruno já morou em Curitiba, Foz do Iguaçu e Brasília. Na carreira diplomática, realizou missões na Líbia e na Guiné Equatorial, ambas em 2014, para ser Encarregado de Negócios do Brasil junto àqueles países. Esteve também no Senegal, em 2015, para auxiliar nos preparativos da visita do Ministro Mauro Vieira àquele país africano. Fala português, castelhano, francês. inglês e russo.


15/05/2016

Entrevistas com Jovens Diplomatas - Marcela Braga

Dando continuidade à série de entrevistas, conheceremos a história da Secretária Marcela Braga. Diplomata desde 2008. Carioca, formada em Letras, professora de inglês e de português, mestre em Linguística pela UFRJ, prestou o Concurso e Admissão (CACD) duas vezes. Dedicou-se aos estudos ao mesmo tempo em que os conciliava com a carreira de professora e pesquisadora. Já serviu no Consulado Brasileiro em Tóquio, Japão, e atualmente serve na Embaixada em Liubliana, Eslovênia. Ao longo da sua carreira, enfrentou  adversidades com coragem e resiliência. Atualmente, exerce as nobres funções de diplomata, mãe e dona de casa. 


Marcela, antes de se tornar diplomata, qual era a sua formação?

Formei-me em Letras, habilitação português-inglês, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. 


Que carreira(s) você seguiu antes de ingressar no Ministério das Relações Exteriores?

Comecei a dar aulas de inglês com 18 anos, logo após meu intercâmbio nos Estados Unidos, e só parei quando fui aprovada no concurso. Dei aulas em cursinhos e na UFRJ, como professora substituta. Lecionava língua inglesa, pronúncia, sintaxe e tradução.


Conte-nos um pouco sobre como e quando você decidiu seguir a carreira no Serviço Exterior Brasileiro.

É uma história um tanto estranha. Estava cursando o doutorado em linguística e dando aulas na UFRJ. Continuava com alguns alunos particulares também, pois a bolsa de doutorado e o salário de professora não eram suficientes para pagar as contas. Um amigo viu o edital no jornal e chamou a minha atenção: "Você adora estudar. As matérias são interessantes e o salário é muito bom." Resolvi entrar de cabeça. Não foi planejado. 


Como você fez para se informar sobre o concurso, as matérias, a carreira e a vida na diplomacia?

Meus professores no Curso Clio foram minhas fontes de informação sobre o concurso e a preparação acadêmica. Sobre a carreira e a vida na diplomacia, confesso que estava por fora. Tive contato com alguns colegas aprovados no concurso de 2007, ouvi alguns contos, li biografias, mas a realidade, mesmo, só veio quando comecei a estagiar no Cerimonial.  


Fale sobre sua preparação para o concurso. Quais foram os maiores desafios e como você os superou?

Tentei o concurso duas vezes e fui aprovada na segunda. Fiz algumas matérias no Curso Clio do Rio de Janeiro e me dediquei de corpo e alma à bibliografia. Li praticamente tudo. Fiz resumos. Curti mesmo a parte do estudo, sabe? Acho que o maior desafio foi conciliar a minha vida de professora e pesquisadora com os estudos. Por isso, abdiquei de fins de semana e saidinhas à noite. Eu sabia o que queria e a dedicação foi fundamental para a minha aprovação.


 Ao ingressar no Instituto Rio Branco, houve alguma mudança na sua vida? 

Ao ingressar no IRBr tudo mudou na minha vida. Nunca havia estado em Brasília, não tinha a mínima ideia de como funcionava o MRE, me senti um peixe fora d'água nos primeiros meses. Foi um período muito difícil de adaptação.


Após sua aprovação no concurso, seguiu na carreira de professora, dando aula para candidatos ao CACD. Essa opção se deu por algum motivo especial? 

Certamente. Minha paixão é lecionar. Atualmente, dou aulas de português para eslovenos gratuitamente como parte do nosso programa cultural na Embaixada em Liubliana. 


Quais são as atividades que você realiza ou já realizou, das quais mais se orgulha, no MRE?

Certamente a atividade da qual mais me orgulho foi ter ajudado os brasileiros residentes no Japão após o terremoto/tsunami de 2011.


Não sei se todo os leitores se lembram da sua entrevista ao Fantástico, em 2011, pois ela foi essencial para ver a bravura necessária para a realização do trabalho que o consulado brasileiro exerceu nos meses após o terremoto/tsunami. Na época você era Vice-Cônsul, poderia nos contar um pouco sobre a sua atuação? 

Nossa, aquele dia ainda está tão vivo na minha memória. Lembro que meu pai disse que, no início da entrevista, não me reconheceu. Eu estava abatida, exausta, triste. Parecia realmente outra pessoa. Nosso pessoal tanto no Consulado quanto na Embaixada sabia que era preciso agir rápido e para tanto, trabalhávamos em média 16 horas por dia. A Embaixada tinha, inclusive, um regime de plantão. Funcionava 24 horas por dia durante todo o mês de março. Nossa equipe no Consulado fez o trabalho de localização e resgate dos brasileiros residentes nas regiões afetadas, além de ter distribuído água e outros mantimentos para famílias necessitadas.  


Além de ser diplomata, você tem algum hobby ou paixão?

Sou diplomata-mãe-dona de casa e ultimamente a minha paixão tem sido dedicar-me a minha filha de um ano e onze meses e ao pequeno ser que se desenvolve agora no meu útero.  


Por fim, o que você diria a mulheres que pretendem prestar o concurso para a diplomata?

Somos poucas, mas estamos caminhando juntas pela igualdade de genêro no MRE. Espero ver no futuro um aumento no número de diplomatas mulheres aprovadas no Concurso.


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Aqueles que desejarem saber um pouco mais sobre a atuação do MRE em 2011, seguem links de interesse:





Nossas fantasias na festa do IRBr 2016



Como 2016 foi o ano dos quadrinhos e da Pop Art na Festa à Fantasia do Instituto Rio Branco, decidimos nos vestir como um casal bastante apaixonado (e um pouco louco, também): Arlequina e Coringa, da série de quadrinhos do Batman. As fantasias seguiram a linha do filme que será lançado em agosto deste ano (Suicide Squad), bastante diferentes das roupas tradicionais dos personagens.

Nesta semana, eu aprendi a usar o Tumblr e, para estreá-lo, publiquei o processo de arrumação para a festa na página diplowife.tumblr.com. De qualquer forma, vou explicar como fizemos.

Para fazer o cosplay do Coringa, bastou uma camisa social vinho, uma calça preta, tinta verde especial para cabelo, tinta branca para o rosto e lápis preto para fazer as tatuagens. Foi bem simples.





Já a Arlequina exigiu mais trabalho: eu mesma personalizei um taco de baseball com canetas de marcar cd e fita durex colorida (ela usa um meio "excêntrico" no filme). Precisei buscar na internet fotos das gravações no taco original, para tentar fazer parecido. Para a roupa, tive ajuda de costureiras (que fizeram o short de duas cores e a camiseta) e comprei a jaqueta na Amazon. Precisei de uma peruca, já que não estou mais loira. A maquiagem foi feita com pancake, sombras rosa e azul e lápis preto, para fazer as tatuagens. Os esmaltes eram azul e vermelho, da Risqué. Os acessórios foram emprestados por amigos ou comprados na internet e personalizados por mim. O colar escrito PUDDIN, foi feito com cartolina dourada e fita durex transparente, assim como a pulseira e os anéis.




E como gosto de saber a história (no caso, estória) por de trás dos personagens, fiz um levantamento sobre o Coringa e sobre a Arlequina, que ora compartilho com vocês. E então, gostaram da escolha das fantasias?




Arlequina


"Harleen Quinzel destacou-se durante o período escolar como uma ágil ginasta, o que lhe permitiu obter uma bolsa de estudos para estudar Medicina na Universidade de Arkham. Posteriormente, trabalhou como psiquiatra no Manicômio Arkham, onde conheceu Coringa, seu paciente. Enganada pela história de que ele havia tido uma infância infeliz, Quinzel apaixona-se profundamente. As autoridades suspeitaram que ela tenha sido a responsável por ajudar o Coringa a escapar por diversas vezes do asilo e, por isso, a aprisionaram. 

Durante um terremoto em Gotham City, Quinzel escapa da prisão e transforma-se Harley Quinn, parceira de Coringa no crime. Ajudante, parceira de crime, namorada e eventual empregada doméstica do Príncipe Palhaço do Crime, a bela Harley Quinn está sempre a postos para atender as vontades do seu amado Coringa, e sua devoção ao criminoso chega a tal ponto que ela só chama o sorridente vilão de “Senhor Coringa”, “Senhor C.” ou – pior ainda – “Pudim” ou “Pudinzinho”. O relacionamento entre Coringa e Harley Quinn é um dos mais complexos do Universo DC.

Arlequina não apresenta nenhum poder, porém graças ao soro dado pela Hera Venenosa, sua força e agilidade foram aumentadas significativamente. O soro também lhe deu a capacidade de resistir a maioria das toxinas, incluindo o gás do riso do Coringa e o gás do medo do Espantalho.

Ao contrário do que muitos pensam, Arlequina é muito inteligente e uma ótima estrategista. Arlequina também possui grande conhecimento na área da psiquiatria podendo fazer rápidos diagnósticos de heróis e vilões.

Harley é uma ginasta altamente capacitada o que faz dela uma ótima lutadora. Assim como o Coringa ela se demonstra extremamente violenta e imprevisível em combate, mas por mais que sua imprevisibilidade seja marcante ela tem um estilo de luta bem diferente do de seu "pudinzinho", enquanto o Coringa tem um estilo de luta mais focado e muitas vezes utilizando armas brancas e de fogo, Harley também usa armas porém tem um estilo mais aéreo com acrobacias e chutes altos."
Fonte:  Wikipedia






Coringa


"Coringa (ou Joker) é um supervilão fictício que aparece no squadrinhos norte-americanos publicados pela DC Comics. Foi criado por Jerry Robinson, Bill Finger e Bob Kane e apareceu pela primeira vez em Batman #1 (Abril de 1940). Parcialmente inspirado em Gwynplaine, um dos personagens principais do romance L'Homme qui rit (O Homem que Ri) de Vitor Hugo, os créditos para a criação do Joker são disputados; Kane e Robinson reclamam responsabilidade pelo seu desenho, apesar de reconhecerem a contribuição de Finger na escrita. 

De acordo com o plano inicial, o Joker deveria ter morrido na sua primeira aparição, mas foi poupado por uma intervenção editorial, permitindo assim que o personagem fosse progredindo como o célebre arqui-inimigo do super-herói Batman. Joker também é conhecido por outros nomes, incluindo "Clown Prince of Crime" (Príncipe Palhaço do Crime), o "Jester of Genocide" (Bobo do Genocídio), o "Scourge of Gotham" (Flagelo de Gotham), o "Harlequin of Hate" (Arlequim do Ódio) e o "Ace of Knaves" (Ás de Valetes).

Nas suas aparições nos quadrinhos, o Joker é retratado como um gênio do crime. Introduzido como um psicopata com um sentido de humor sádico e doentio, o personagem tornou-se no final da década de 1950 um ladrão pateta e brincalhão, como resposta à regulação do "Código dos Quadrinhos" (Comics Code Authority), antes de regressar às suas raízes mais negras durante os anos de 1970.

Como o nêmesis de Batman, o Joker tem feito parte de algumas histórias que definem o super-herói, incluindo o assassinato de Jason Todd (o segundo Robin sobre a tutela de Batman) e a paralisia de um dos aliados de Batman, Barbara Gordon. Durante as décadas em que tem aparecido, o Joker tem tido várias histórias sobre a sua origem. A mais comum delas apareceu pela primeira vez em Detective Comics #168 (Fevereiro de 1951), e envolve a sua queda para dentro de um tanque de desperdícios químicos que branqueia a sua pele, torna o seu cabelo verde e os seus lábios vermelhos; o resultado da sua desfiguração leva-o à loucura e adotou o nome "Joker", a partir da figura das cartas de jogo que ele veio a assemelhar-se. Como a antítese da personalidade e da aparência de Batman, o Joker é considerado pelos críticos como o seu adversário perfeito.

O personagem não tem habilidades sobre-humanas, em vez disso, usa a sua experiência em engenharia química para desenvolver misturas tóxicas e/ou letais, bem como armamento temático, incluindo cartas de jogo com pontas cortantes, campainhas de brinquedo mortais e flores de lapela que projetam ácido. Apesar do Joker por vezes trabalhar com outros super-vilões, como o Pinguim e o Two-Face, e em grupos como Injustice Gang e Injustice League, tais relações acabam muitas vezes por entrar em colapso devido ao constante desejo do Joker em procurar o caos desenfreado. 

A década de 1990 introduziu um interesse romântico no Joker na forma da sua ex-psiquiatra, Harley Quinn, que se torna inclusive na sua parceira no crime. Apesar da sua grande obsessão ser o Batman, o Joker já foi adversário de outros heróis como o Superman e a Wonder Woman.

Um dos mais icônicos, se não o mais reconhecido, personagens da cultura popular, o Joker tem sido citado como um dos maiores vilões e personagens de quadrinhos alguma vez criados, e "muito possivelmente mais interessante que o seu homólogo super-herói." 

A enorme popularidade da personagem já o fez aparecer numa grande variedade de produtos, como roupa e objetos de colecionadores, videogames, estruturas reais (como atrações de parques temáticos) e várias outras referencias na media, para além de ser o primeiro vilão a ter a sua própria série de quadrinhos, The Joker (1975-1976). As revistas Wizard e Complex colocaram-no em #1 nas suas listas dos "Melhores Vilões dos quadrinhos". Numa publicação semelhante, o IGN posicionou-o em #2, atrás de Magneto, e a Empire em #8 na sua lista dos "50 Melhores Personagens dos Quadrinhos de Todos os Tempos".

O Joker tem servido como adversário do Batman no cinema, na animação e nos videojogos, incluindo na série de televisão da década de 1960, Batman, (interpretado por Cesar Romero), no cinema por Jack Nicholson em Batman (1989), por Heath Ledger em The Dark Knight (2008) e por Jared Leto em Suicide Squad (2016). Mark Hamill, Michael Emerson, Troy Baker, entre outros, já deram a sua voz ao personagem animado." Fonte: Wikipedia