30/08/2016

Diplowives e Mulheres Diplomatas



Recentemente, fiquei sabendo que um grupo de mulheres diplomatas (em parte, inspiradas pelo blog) criaram um grupo que as congrega com as diplowives da sua turma. A notícia me trouxe muita alegria, pois apesar dos diferentes papeis que temos dentro do serviço exterior brasileiro, somos todas mulheres e temos interesses, dúvidas e problemas em comum. Achei a iniciativa louvável <3 Se todas as turmas fossem assim, todos seríamos muito mais felizes. Parabéns a todas!

Lançamento: Relações entre o regime militar brasileiro e a União Soviética

"Entre a ideologia e o pragmatismo: As relações entre o regime militar brasileiro e a União Soviética (1964-1985)", de Bruno Quadros e Quadros é o mais novo livro, lançado pelo diplomata que, além de se dedicar ao serviço exterior, é autor de resumos para o cacd, professor de curso preparatório para o cacd, numismata, enólogo, vexilólogo e grande conhecedor de história e política externa brasileiras e russas. 


"Entre a ideologia e o pragmatismo: As relações entre o regime militar brasileiro e a União Soviética (1964-1985)" aborda as relações entre o regime militar brasileiro e a União Soviética, questionando se elas foram pautadas pela ideologia e/ou pelo pragmatismo. Os seus objetivos são levantar os fatores que favoreceram o desenvolvimento das relações entre regimes com projetos político-ideológicos tão distintos, compreender como o contexto internacional da época influenciou o seu encaminhamento e detectar em quais domínios elas foram mais  substanciais. Não menos importante, a proposta é estabelecer um entendimento genuinamente brasileiro sobre a União Soviética e sua política externa. Para que isto seja possível, o estudo está estruturado de forma a fornecer todos os subsídios conceituais e factuais para a análise. No primeiro capítulo, trata-se dos seus antecedentes, cobrindo o período que vai da independência do Brasil em 1822 até o golpe militar de 1964. No capítulo seguinte, analisa-se a política externa do regime militar brasileiro. No terceiro capítulo, discute-se a política externa soviética. No último capítulo, se dá atenção às relações propriamente ditas entre o regime militar brasileiro e a União Soviética. Por fim, serão feitos comentários conclusivos sobre o tema. 

Palavras-chave: Regime Militar Brasileiro; União Soviética; Relações Diplomáticas; Guerra Fria; Ideologia; Pragmatismo.


Detalhes do produto
Formato: eBook Kindle
Tamanho do arquivo: 1000 KB
Número de páginas: 129 páginas
Vendido por: Amazon Servicos de Varejo do Brasil Ltda
Idioma: Português
ASIN: B01L2U5UCE

Entrevista com o Embaixador Sergio Moreira Lima

Acordos Promulgados Hoje

Decreto nº 8.842, de 29.8.2016 - Promulga o texto da Convenção sobre Assistência Mútua Administrativa em Matéria Tributária emendada pelo Protocolo de 1º de junho de 2010, firmada pela República Federativa do Brasil em Cannes, em 3 de novembro de 2011.

Decreto de 29.8.2016 - Revoga o Decreto nº 92.055, de 2 de dezembro de 1985, que autorizou o Lloyds Bank Plc a funcionar no Brasil.

29/08/2016

Diplomatas Famosos: Vasco Mariz

Aos 92 anos, o Embaixador Vasco Mariz lançou a obra "Nos Bastidores da Diplomacia", que narra momentos memoráveis da sua carreira no Ministério das Relações Exteriores. No post de hoje, gostaria de homenageá-lo, citando seu próprio texto, presente no mencionado livro autobiográfico. 


"Sou de ascendência portuguesa do lado de meu pai, e basca do lado de minha mãe. Meu pai, Joaquim José Domingues Mariz, vinha de uma família de classe média do norte de Portugal, de Fão e Esposende, com algumas posses, e um tio que chegou a bispo de Braga, personagem regional. Meus avós desejavam que meu pai seguisse a carreira eclesiástica e o internaram quase à força no seminário de Braga. Ele era um bom estudante e se distinguiu no seminário, mas por ocasião do assassinato do rei de Portugal em 1911, os seminários foram fechados e meu pai aproveitou para fugir para o Brasil, onde tinha um parente bem posicionado. Veio trabalhar com José Maria da Cunha Vasco, importante industrial português, então presidente da fábrica de tecidos Confiança, no Rio de Janeiro, hoje transformada em shopping center. Meu avô materno era de “cuna basca” e foi uma espécie de mecenas, amigo dos melhores artistas da época. Meu pai trabalhou com ele, conviveu com a filha do patrão e encantou-se com ela. Casaram-se em 1920 e eu nasci a 22 de janeiro de 1921. 

Minha mãe, Anna da Cunha Vasco, foi uma pintora já bastante conhecida no Rio de Janeiro, a “aquarelista do Leme”, e que até hoje é citada em vários livros brasileiros de história da arte, pois ela pintou o Rio de Janeiro do início do século XX e Copacabana ainda como um grande areal. Carlos Drummond de Andrade escreveu um belo artigo no JB louvando as aquarelas de Anna Vasco, ao comentar uma exposição de sua obra.

Meu pai era homem de negócios, representante no Rio de Janeiro de uma importante fábrica de tecidos paulista. Não ficou rico, mas ao aposentar-se havia juntado um razoável pecúlio, vivia bem e mantinha uma bela casa na serra de Corrêas. Viajou à Europa várias vezes e era homem de boa base cultural, pois fora seminarista e falava latim e francês razoavelmente. Era respeitado na então poderosa comunidade portuguesa no Rio de Janeiro e chegou a presidente da Sociedade de Beneficência Portuguesa por dois mandatos e, em 1954, foi um dos diretores do Jockey Clube Brasileiro, encarregado da construção do belo prédio no centro da cidade. No 8º andar desse prédio, junto à entrada da biblioteca, há uma fotografia da diretoria que construiu o edifício. Sempre que lá vou almoçar, faço-lhe uma visitinha para ver a sua foto ao lado dos outros diretores. Tinha dotes oratórios e era chamado para fazer discursos pela comunidade lusa. Certa vez, quando jovem, surpreendeu-me para dizer que no dia seguinte viria almoçar em nosso apartamento de Copacabana um colega de seminário em Braga: era o cardeal Cerejeira, primaz de Portugal.

A princípio morávamos em Botafogo, então bairro elegante carioca, e estudei no colégio Santo Inácio, um dos melhores do Rio até hoje. Recentemente, quando o famoso colégio completou 100 anos, fui um dos convidados a contar recordações em sessão especial do IHGB. Entrei para a Faculdade de Direito em 1938, ano em que faleceu minha mãe, e lá fui companheiro de banco de Clarice Lispector, com quem tive um ligeiro flirt sem consequências.

Dois anos depois, meu pai casou-se novamente e a minha madrasta, D. Acácia, teve um papel muito importante na minha formação, porque ela me estimulou bastante nos estudos e orientou minhas leituras. O serviço militar também me fez bem, dando-me maior noção de disciplina e responsabilidade. 

Formei-me em Direito em 1943 e estava entusiasmado por ingressar na carreira diplomática. Não estava bem preparado ainda, mas fiz o concurso de 1942 somente para sentir a atmosfera e não fui aprovado. Convocado pelo exército, cursei o Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva (NPOR) em Niterói e cheguei a ter data marcada para embarcar para a Itália. 

No ano seguinte consegui ficar entre os primeiros colocados no concurso do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP) para a carreira diplomática, mas a nomeação demorou e só em dezembro de 1945 tomei posse. Minha turma era de bom nível e tivemos algumas personalidades que ficaram famosas, como Ramiro Saraiva Guerreiro, futuro chanceler, Antonio Houaiss, futuro ministro da Cultura e presidente da Academia Brasileira de Letras, José Sette Câmara, governador do Rio de Janeiro, João Cabral de Melo Neto, famoso poeta também da Academia, e outros que alcançaram o nível mais alto na carreira, como eu mesmo. 

Ao ser nomeado chefe de missão em Quito em 1969, eu era o embaixador mais jovem em atividade Durante o primeiro estágio no Itamaraty servi na Divisão de Atos Internacionais, onde tive a primeira decepção na carreira, na Divisão do Pessoal, onde aprendi os meandros da administração, e na Divisão Cultural, onde conheci minha primeira esposa, Therezinha Soares Dutra, sobrinha do famoso almirante. Ao chegar a hora de ir trabalhar no exterior, em 1948, ofereceram-me os consulados em Londres, que não me convinha porque havia na época forte racionamento, Amsterdam e o consulado-geral no Porto, terra de origem de meu pai, cargo que aceitei. Fui trabalhar com um brilhante intelectual, Renato de Mendonça, premiado pela Academia Brasileira de Letras. Passo a seguir a tecer alguns comentários sobre Portugal de ontem e de hoje, o que acredito vai interessar aos leitores." (...) 


Mariz, Vasco.  Nos bastidores da diplomacia : memórias diplomáticas. Brasília : FUNAG, 2013. Páginas 17 a 20.

Íntegra disponível em:
http://funag.gov.br/loja/download/1077-nos-bastidores-da-diplomacia.pdf

22/08/2016

Promoção

Quer capturar um Dragonite? Responda à trívia que faremos às 20h do dia 24 de agosto na página facebook.com/diplowifediplolife e  garanta seu Pokemon!

Para mais informações, visite a página www.autodidaktos.com.br/pokemon


Como eu me sinto

Substitua "scientists" por "diplomats", "diplowives/diplohusbands" ou "Ofchans". 
Substitua "science" por "international politics" ou "foreign languages".


Fonte: facebook.com/academicssay

19/08/2016

Acordos Promulgados Hoje

Decreto nº 8.839, de 17.8.2016 - Promulga o Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República do Uzbequistão sobre Cooperação Econômica e Comercial, firmado em Brasília, em 28 de maio de 2009.

Decreto nº 8.838, de 17.8.2016 - Promulga o Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Francesa relativo à Cooperação no Domínio da Defesa e ao Estatuto de suas Forças, firmado em Paris, em 29 de janeiro de 2008.

Consulado Itinerante e Assistência Consular



O Programa "Brasileiros no Mundo", da TV Brasil Internacional, abordou a temática dos consulados itinerantes, realizados periodicamente pelo Itamaraty para atender as comunidades de brasileiros que se encontram longe da cidade-sede do Consulado.

17/08/2016

O Brasil na II Guerra Mundial




Doutor Francisco Doratioto, Professor de História do Instituto Rio Branco (IRBr) e da Universidade de Brasília (UnB), fala sobre a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial e seus efeitos econômicos e políticos para o País.

15/08/2016

Entrevistas com Jovens Diplomatas - Aminthas Angel

Nosso quinto entrevistado é Aminthas Angel, que ingressou na carreira diplomática em 2009. Formado em Psicologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), ele superou diversos obstáculos e, devido aos seus esforços e sua capacidade intelectual foi aprovado no CACD, um sonho de seu pai. Aminthas teve o apoio da Bolsa de Ação Afirmativa e conquistou bolsa de estudos no Curso Clio, com suas altas notas e excelente desempenho. Como diplomata, serviu, provisoriamente, em Roterdã (2012) e em Caiena (2015). Aminthas é compositor, músico e escritor, suas grandes paixões. Recentemente, publicou um livro e lançou o CD, que pode ser encontrado no link http://www.cdbaby.com/cd/aminthasangel2


Antes de se tornar diplomata, qual era a sua formação?
 Fiz Psicologia na Universidade Federal da Bahia (UFBa).


Que carreira(s) você seguiu antes de ingressar no Ministério das Relações Exteriores?
Fui recepcionista Bilíngue no teatro Coliseu em Santos (2007 a 2008), Assistente Administrativo na Fundação Municipal de Ensino de Piracicaba (julho de 2006 a fevereiro de 2007), professor particular de inglês (2005 - São Paulo), aplicador de pesquisas (2005 - São Paulo), analista em ONG (2005 - São Paulo), bancário (2002 a 2004 - Cicero Dantas, Lagarto (Trainee) e São Paulo), professor de Filosofia e de Estudos Religiosos (2002 - Lauro de Freitas – BA), vendedor de curso de inglês (Bahia – 2001), recenseador do IBGE (1997), professor Estagiário de Filosofia (Bahia – 1997).


Conte-nos um pouco sobre como e quando você decidiu seguir a carreira no Serviço Exterior Brasileiro.
Decidi em 2005, quando estava desempregado em São Paulo, sem um centavo depois de ter voltado de Londres, saudoso de minha namorada paulistana e sem ter conseguido me estabelecer como musico. Painho, anos atrás, já me tinha sugerido fazer o CACD, mas, não dei fé, conscientemente.


Fale sobre sua preparação para o concurso. Quais foram os maiores desafios e como você os superou?
A preparação foi muito gostosa, em termos acadêmicos. Eu me divertia estudando o conteúdo muito legal. Me sentia ótimo tendo algumas das melhores notas do Clio. O maior desafio foi o desconhecimento da prova. Li um livro de Milton Santos - Por Um Outra Globalização, e pensei que seria fácil passar. Claro que não deu certo. Depois, fiz um cursinho preparatório ineficaz, depois fiz outro tb ineficaz. Consegui progredir quando comecei no Clio. Um mês de Clio e já fui pra segunda fase. Outro obstáculo foi a falta de grana para pagar um bom curso, o que foi resolvido com minha aprovação na Bolsa de Ação Afirmativa do IRBr, em 2008; e a falta de tempo pra estudar, também sanado com a aprovação na Bolsa. Eu estudava no ônibus de Santos para Praia Grande e entre 10 e meia noite, depois do trabalho.Com a Bolsa pude concorrer de igual pra igual com os garotos que não precisavam trabalhar e dispunham de tempo para estudar 10 horas por dia e/ou eram de áreas mais afins ao CACD. Eu era bastante organizado. Metódico. Aplicado. Diagnostiquei os pontos fracos e fiz progressos incríveis no Clio. Nos exercícios de primeira fase, só Thomaz tinha notas melhores que as minhas, segundo minhas estimativas. Eu era muito competitivo. Foi decepcionante ficar em 72 lugar no CACD, tendo ficado entre os melhores do Clio. No mais, consegui bolsa de 40 por cento no Clio, mediante concurso e foi só alegria.


Ao ingressar no Instituto Rio Branco, houve alguma mudança na sua vida?
De classe media baixa consegui renda de classe media. Com a grana comprei uma cobertura na Bahia, gravei um CD, um clip e um DVD, viajei pra caramba, a trabalho e a passeio.  Em termos emocionais, foi um saco o IRBr. Parecia, exceto por Inglês e Frances, a despeito da professora de francês, vez ou outra, desnecessariamente, severa, um Clio muito piorado. A mudança de cidade foi um saco no começo, adorava Sampa. Hoje gosto bastante de BSB. Fiz alguns poucos amigos no IRBr. O mais legal era o marido italiano de Nina. Ele era muito doido e muito boa gente. Ah, e o glamour que a gente de fora bota na carreira. Passaporte vermelho e todas essas facilidades.


Quais são as atividades que você realiza ou já realizou, das quais mais se orgulha, no MRE?
Me orgulho de ter fechado parceria com Mauricio de Sousa, no envio de brindes para o Brasileirinhos no mundo. Me orgulho de ter contribuído para  o Brasileirinhos no Mundo se tornar algo realmente interessante. Me orgulho de ter tratado as pessoas com carinho nos plantões consulares e de as ter tratado com raiva quando a idiotice da demanda pedia; me orgulho de ter tido ótimas ideias e de ter posto em praticas algumas delas como a campanha dos jornais para presos, que evoluiu para livros  para detentos, revistas em quadrinhos para crianças e para adolescentes, me orgulho de ter organizado a hercúlea tarefa de enviar 27 mil livros didáticos pra comunidade  brasileira-mirim mundo afora. Me orgulho de ter tido uma gestão comprometida do Facebook da DBR. Me orgulho de ter tido bons momentos com Daniel Lisboa, Felipão. Me orgulho demais da amizade com a querida Isabela, com quem eu detestava trabalhar no começo. Ela era muito certinha e vivia corrigindo meus textos, que eram feitos com preguiça. Hoje, agradeço. A convivência com ela me ensinou a escrever objetivamente.  Me orgulho de ter sido, certamente, o primeiro diplomata preto a ficar com o cabelão no Itamaraty - meu crachá prova o feito, a despeito de eu ter cortado o black, logo que entrei no Rio Branco. Me orgulho de ter sido carinhoso a maior parte do tempo com os colegas e de chamar de colega todos os colegas, não apenas os diplomatas. Me orgulho de ter sido eu mesmo a maior parte do tempo. Me orgulho de ter tido ótimos interlocutores na Esplanada: Jairo, Sandra Grippi, Silvia, entre outros, me orgulho de ter ido de corpo e alma na semana do trabalhador brasileiro na Guiana Francesa. Eu e Dede - líder comunitário brasileiro, trabalhamos debaixo de chuva torrencial na Amazônia, fomos a cada buraco inacreditável! Me orgulho de não puxar saco de ninguém. Me orgulho de ter saído daquilo tudo. Me orgulho de ter feito a vontade de Painho e ter passado no CACD. Ele se orgulhou muito de tudo isso e sempre me apoiou, inclusive na decisão de tirar licença de 3 anos. Ele dizia: meu filho, seja feliz!


O que você diria para quem pensa em prestar a prova de seleção para o Programa de Ação Afirmativa do Instituto Rio Branco?
Procure estudar provas antigas, todas que você encontrar. Diagnostique sua performance. Procure resolver suas duvidas pontualmente na internet. Não precisa perder tempo com leitura de livros. Procure ler os discursos presidenciais e do ministro das relacoes exteiores. Familiarize-se ao jeito CESPE de provas. Isso vai te fazer progredir.


Você daria alguma dica para quem quer se tornar diplomata?
Se prepare para a prova e para a carreira. Seja você mesmo e tudo dará certo!


Além de ser diplomata, você tem algum hobby ou paixão?
Paixão, tenho por compor musicas, arranjos vocais e instrumentais e por escrever, acabo de escrever um livro.


Amintas já lançou o vídeo clipe da música "Morena". Assista em:

12/08/2016

Abaixo-assinado

Vamos apoiar esta causa! Clique aqui e assine o abaixo-assinado em defesa da estabilidade de acesso à educação para as crianças das famílias do Itamaraty. Leia o texto que a AFSI compartilhou no Facebook e entenda:

"É para que situações como essa não se repitam que o auxílio-educação é necessário!
Assinem!!"

"Quando fui removida para Ásia, pelo Itamaraty, minha filha que tinha 10 anos na época, foi matriculada em escola local, ela era a única ocidental de toda escola e, assim como os outros alunos ela também foi submetida a severas regras da educação local (tipo presenciar professores punindo alunos com chibatadas), ainda no primeiro mês de aula ela apresentou rejeição pela escola, todos os dias quando chegava na aula ela passava mal. Sem nenhuma condição de pagar uma escola internacional porque as mensalidades eram quase o valor do meu salário, eu e meu marido decidimos por afastá-la da escola, e ficamos dando aulas em casa até ela criar resistência e força para continuar.
Meu exemplo é um dentre tantos outros que conheço de servidores de minha categoria que tiveram sérios problemas com os filhos em escolas locais no exterior."




11/08/2016

Conhecendo a autora de Dicas da Diplomata



No último sábado, tive o prazer de participar do encontro promovido pela diplomata Claudia Assaf, autora do blog Dicas da Diplomata. Um prazer maior ainda foi poder conhecê-la pessoalmente. A conversa do dia, com todos os presentes, está disponível na página facebook.com/DicasDaDiplomata, que recomendo a todos que pensam em prestar concurso para a diplomacia. Sábado, também conheci duas queridas leitoras do blog: Rachel e Alessandra. Foi muito, mas muito legal mesmo poder conversar com vocês e vê-las pessoalmente! Um beijo, meninas!

10/08/2016

Entrevista com o professor Daniel Araújo




Hoje entrevistaremos o professor Daniel Araújo, autor de "Onde a Arena vai mal, um time no Nacional" e do livro de História Geral pela Coleção Diplomata. Daniel é carioca, formado em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF), pós-graduado em História da África e do Negro no Brasil e mestre em História, com o tema da Ditadura Civil-Militar, professor do Colégio e Curso pH e do Curso Clio.


Conte-nos um pouco sobre sua formação acadêmica e experiência como professor de história e para o CACD.
Sou formado em História pela UFF e fiz pós-graduação em História da África e do Negro no Brasil. Nos dois cursos, estudei a intervenção cubana na guerra civil angolana (1975-2002). Depois mudei o foco, pois no mestrado estudei sobre a Ditadura Civil-Militar. Como fruto do mestrado, publiquei o livro "Onde a Arena vai mal, um time no Nacional" (http://m.travessa.com.br/produto.aspx?codartigo=96eb4de2-490d-4fe3-aa63-1d918e81f819). Sobre a experiência em sala de aula, desde 2002 eu dou aula em uma das maiores escolas particulares do Rio de Janeiro, o Colégio e Curso pH. No final de 2009, início de 2010, o professor João Daniel de Almeida, referência na preparação ao IRBr, fez o convite para entrar no Curso Clio. Fui recebido com carinho pelos colegas (muitos passaram pelo pH também, então foi um reencontro) e cá estou até hoje. Posso dizer que sou uma exceção na profissão, pois me sinto muito bem nos dois empregos que eu tenho.


Você lançou recentemente um livro de História Geral pela Coleção Diplomata, da Editora Saraiva, organizada por Fabiano Távora. Conte-nos um pouco sobre a organização e os objetivos da obra.
Tudo começou em 2012 com o convite do Fabiano Tavora via Rodrigo Goyena, o autor do manual de História do Brasil. Conversamos na tradicional Livraria Da Vinci e, dali, saiu o esboço. Como lançar um livro nos dias de hoje é uma tarefa hercúlea, a obra demorou quase quatro anos para ser lançada. Pronta não digo pois todo livro é uma "obra em construção". O objetivo é facilitar a vida do candidato ao IRBR. Ao longo do curso eu recomendo vários livros para o aprofundamento daquilo que é passado em sala de aula. Isso é caro e muito difícil para alguns, principalmente para aqueles que trabalham. Reunindo tudo em um só volume e de forma mais didática possível, meu objetivo é levar a aula para a casa do candidato.


Você recomendaria a obra para quem está começando e busca por um ponto de partida, ou para um estudante mais avançado, que quer revisar a matéria, sedimentar  e sistematizar o conhecimento?
Para os dois tipos de alunos. Pensei em uma escrita fácil para o iniciante e que também trouxesse algo de novo para aquele que já está "avançado" nos estudos. Bom, ao menos foi isso que planejei :)


Você acredita que, dentro do conteúdo programático de História do Brasil do CACD, qual é o período mais complexo de ser estudado?
Olha, período mais difícil...muitos alunos ainda ficam "travados" com o Segundo Reinado. É muita informação nova para eles. Eu dou aula no Ensino Médio e posso afirmar: a aula é outra. Então, é normal a reação dos alunos. Na minha sexta aula de História do Brasil, falo de gabinetes do Império. Ao final da aula, sinto que muitos alunos pensam: "Desisto hoje ou não?". Ao final das 20 semanas iniciais eles sentam comigo e ficam rindo desse momento. É quando eles percebem a linha que separa o Ensino Médio para a nossa preparação para o IRBr.


E qual seria o período mais controverso?
Mais controverso... posso escolher dois? Ditadura Civil - Militar (ou Ditadura Militar, ou Revolução de 1964, ou Regime Militar, escolhe aí) e a Era Vargas. Sobre o último tema, perco alguns minutos diferenciando as visões sobre trabalhismo e populismo


Teria alguma dica para quem pretende começar a estudar história do Brasil?
Paciência. Você definitivamente não vai aprender tudo o que precisa para o concurso em seis meses.


Daniel, o Brasil é para iniciantes?
Definitivamente não!!! Tem uma bela frase do Tim Maia sobre o Brasil mas, por questões éticas, não posso reproduzir aqui. Deixo o "pai Google" fazer o seu trabalho.


Em relação à História Geral, quais são os maiores percalços para os estudantes?
O grande desafio de História Geral, que agora eles chamam de Mundial, é que pode cair definitivamente tudo: desde o concretismo arquitetônico, passando pela princesa Cixi e a Reforma dos Cem Dias Chinesa, chegando à independência do Suriname. Então o candidato sempre tem que se preparar para o ineditismo.


Como é possível estudar História Geral (Mundial) em um contexto de imprevisibilidade?
Essa é uma difícil missão. O candidato tem que estar preparado para ler muito sobre tudo. Ter uma cultura geral. O professor, em sala de aula, simulados e exercícios pode estimular isso - muitas vezes fomos criticados no Clio por fazer isso. Mas esse é o caminho que foi gradualmente abandonado pela banca e que voltou com todas as forças em 2016.

09/08/2016

Entrevistas com Jovens Diplomatas - Ernesto Mané Jr.

Na quarta entrevista da série, conheceremos a história do Secretário Ernesto Mané Júnior, diplomata desde 2014. Natural de João Pessoa, Ernesto é físico, PhD em Física Nuclear pela Universidade de Manchester e realizou pós-doutorado no Laboratório de Física Nuclear e de Partículas do Canadá. Antes de ingressar no Itamaraty, trabalhou como professor de inglês, programador, garçom e pesquisador. Em seguida, foi bolsista do Programa de Ação Afirmativa do Instituto Rio Branco para Afrodescendentes e prestou o concurso apenas duas vezes, tendo sido aprovado em quarto lugar na sua turma. Atualmente, atua na Divisão de Desarmamento e Tecnologias Sensíveis.


Antes de se tornar diplomata, qual era a sua formação?
Física. Bacharel pela UFPB e PhD pela Universidade de Manchester.


Que carreira(s) você seguiu antes de ingressar no Ministério das Relações Exteriores?
Antes de entrar no MRE, fui professor de inglês, programador, garçom e físico nuclear - nesta ordem.


Conte-nos um pouco sobre como e quando você decidiu seguir a carreira no Serviço Exterior Brasileiro. 
Para falar porque decidi me tornar diplomata, preciso comentar minha trajetória. Eu fui uma criança muito curiosa e demonstrei, desde cedo, interesse por matemática e ciências naturais. Aos sete anos, havia decidido que queria ser cientista quando crescesse. Tive, no ensino fundamental, excelentes professores, que me inspiraram e me incentivaram a me aprofundar nos estudos. Foi no início da adolescência que eu despertei a paixão pela física.  Aos 14 anos, tive contato com o cálculo diferencial e estava começando a buscar livros de física em nível universitário. Fiz o ensino médio na uma Escola Técnica Federal e me especializei em programação de computadores. Apesar de minha inclinação natural para os números, tive a sorte de também ter recebido, ao longo de meus anos escolares, uma boa formação humanística.  Na Escola Técnica, por exemplo, fui aluno do Prof. Dr. Evaldo Souza, que dava aulas de geografia e sociologia. Também tive aulas de filosofia, artes, ética e cidadania.

Já na universidade, fiz o bacharelado em física, e fui bolsista do Programa Especial de Treinamento (PET), sob a tutoria do Prof. Dr. Pedro Christiano. No PET, para além das matérias básicas, discutíamos o impacto da ciência na sociedade e o papel político do cientista. Éramos instigados a ler e discutir, em grupo, obras clássicas. Também iniciei um projeto de iniciação científica voluntária em física nuclear com o Prof. Dr. Nilton Teruya.

Paralelamente, descobri cedo que tinha forte inclinação para línguas estrangeiras. Aos 11 anos, por exemplo, pedi a minha mãe para me matricular em um curso de inglês, onde, mais tarde, também tive aulas de espanhol, de modo que, no final da adolescência, falava bem as duas línguas. Aos 15 anos comecei a estudar alemão sozinho.

Aos 20 anos, fiz parte de um programa de intercâmbio acadêmico em Manchester, no Reino Unido, entre setembro de 2003 e julho de 2004. Durante o intercâmbio, tive a oportunidade de aperfeiçoar o inglês e aprofundar minha formação em física. Foi também minha primeira experiência no exterior, intensa e transformadora. Cursei dois semestres acadêmicos, o que correspondeu ao último ano da graduação. Fiz também algumas matérias da pós-graduação. Ao final do intercâmbio, com base em meu desempenho acadêmico considerado excelente (first class, no sistema inglês), recebi o convite do Prof. Jonathan Billowes, líder do grupo de física nuclear da Universidade de Manchester, o berço da física nuclear, para fazer o PhD direto, sem mestrado, sob sua supervisão. O trabalho de pesquisa deveria realizar-se no Centro Europeu de Pesquisas Nucleares – o CERN, localizado em Genebra. Aceitei com entusiasmo o convite, porém, antes, precisava voltar para o Brasil, aproveitar os créditos do intercâmbio, fazer algumas disciplinas que faltavam para receber o diploma de bacharel em física.

Imediatamente após retornar do intercâmbio, iniciei um curso de francês na Aliança Francesa de João Pessoa, considerando que iria fazer parte de minha pesquisa de doutoramento em Genebra e mantinha um relacionamento à distância com uma francesa que conheci em Manchester. Na Aliança, tive contato o Prof. e teatrólogo João Torquato de Lima Filho, figura importante na cena cultural pessoense, que estava à frente do Café Cultural e com quem mantive agradáveis conversas nos intervalos das aulas.  Foi ele quem me falou do Programa de Ação Afirmativa para Afrodescendentes (PAA), iniciativa fruto de uma parceria entre o CNPq, IRBr e a agora extinta SEPPIR. O Prof. Torquato me incentivou bastante a fazer a inscrição para a prova da bolsa. Conversei com meus pais e antigos mentores, e todos me deram total apoio. Desses, os Profs. Evaldo e Pedro Christiano foram grandes incentivadores.

Com praticamente nenhuma preparação especial, passei na seleção da bolsa. Isso foi no primeiro semestre 2005. No entanto, havia acabado de me formar e estava prestes a começar o doutorado em Manchester, que começaria em setembro de 2005. A chegada dos documentos relativos à implementação da bolsa coincidiu com minha ida à Inglaterra, e foi-me vedado nomear um procurador para assiná-los em meu nome. Tentei argumentar com o CNPq, mas, a instituição ao tomar conhecimento que estava no exterior, decidiu cancelar a concessão da bolsa, alegando que a realização do doutorado seria incompatível com os estudos de preparação ao concurso de admissão à carreira de diplomata (CACD).

Tudo isso para falar que essa foi a semente que ficou plantada na minha cabeça durante os anos em que estava fazendo o doutorado. Nesse período, entre 2005 e 2009, morei um ano em meio em Genebra, a fim de realizar minha pesquisa de campo no CERN. Foi um período enriquecedor, pois estava em contato direto com as mentes mais brilhantes da comunidade científica internacional, além de ter conhecido muitas pessoas que trabalhavam nos inúmeros organismos multilaterais sediados na cidade.

Defendi minha tese em julho de 2009. Em agosto do mesmo ano, recebi uma oferta para realizar o pós-doutorado no laboratório nacional do Canadá de física nuclear e de partículas – TRIUMF, localizado em Vancouver, sob a chefia do Dr. Matthew Pearson e do Dr. Jens Dilling.  O laboratório possuía interesse no trabalho realizado no CERN e gostaria de trazer os avanços que eu havia ajudado a desenvolver na área de aprisionamento e resfriamento de íons radioativos e técnicas de espectroscopia laser de alta resolução. O pós-doutorado durou três anos (2009 a 2012), sendo bem sucedido nesse aspecto. Nesse período, também dediquei-me à espectrometria de massa de precisão e à ressonância nuclear, sendo autor e coator de uma série de publicações em jornais especializados, incluindo o prestigiado Physical Review Letters.

Durante os anos em que realizei o pós-doutorado, amadureci a ideia de retomar o projeto de fazer o CACD. Os seguintes fatores, embora não sejam exaustivos, contribuíram para eu tomar essa decisão:

a) A física continuava sendo minha paixão, mas o ambiente científico, por vezes, chegou a ser desestimulante. Houve episódios relacionados à dinâmica do trabalho que foram extremamente desagradáveis e me fizeram reconsiderar se eu gostaria de continuar uma carreira na ciência. Estava fazendo pós-doutorado, sem muita perspectiva de quais seriam os próximos passos para assegurar um trabalho estável no Brasil ou no exterior, que me permitisse produzir pesquisa de qualidade, de acordo com minhas capacidades e os recursos disponíveis.

b) Estava com saudades do Brasil. Estava há oito anos morando no exterior, e julgava que seria bom retornar para casa. À época, o Brasil estava passando por um momento excepcional e muitos brasileiros que moraram no exterior, assim como eu, queriam retornar e fazer parte daquele momento. A economia estava indo bem e o país estava liderando iniciativas diplomáticas inovadoras, muitas das quais estavam ressonando em todas as partes do mundo. Além disso, graças à internet, eu mantive o hábito de acompanhar a vida política do Brasil em tempo real. Sentia um orgulho tremendo do Brasil. Ter morado tanto tempo no exterior tornou-me ao mesmo tempo cosmopolita e reforçou dentro de mim um forte sentimento de brasilidade.

c) Era uma questão de encontrar o momento certo para perseguir esse objetivo, que havia temporariamente adiado. Um amigo próximo e conterrâneo, o Mozart Grisi, formado em engenharia elétrica, havia passado no CACD de 2010. Quando soube que ele havia passado, pensei que talvez houvesse chances reais de eu passar também. Ainda no Canadá, escrevi-lhe alguns e-mails, os quais ele respondeu com prontidão e me encorajou a considerar a ideia com mais seriedade. Sua ajuda foi imprescindível, e recebi muita assistência dele posteriormente nos primeiros meses que cheguei a Brasília.

d) Estava chegando ao fim do meu contrato de pós-doutorado no TRIUMF, e um desses eventos desagradáveis me deixou sem perspectivas, dentro da física, no curto prazo. Foi-me oferecido, no segundo semestre de 2011, um contrato de trabalho em um laboratório nos EUA, o Argonne National Laboratory. Fui a Chicago e realizei processo seletivo que durou uma semana, incluindo apresentação de seminário e entrevistas. O diretor científico do laboratório, Prof. Robert Janssens, disse que havia ficado impressionado com meu portfolio e reiterou a oferta de emprego. Entretanto, o líder do grupo de pesquisa que me havia feito a oferta inicial, Dr. Peter Muller, após ter confirmado verbalmente a oferta, e eu tê-la aceitado, cortou abrupta e inexplicavelmente o contato, não respondendo mais aos meus e-mails ou telefonemas.  Com a chegada do final do ano de 2011 e o início de 2012, as circunstâncias foram me conduzindo para o retorno ao Brasil.

e) Eu sempre quis poder apreciar da liberdade intelectual que me permitisse direcionar minha curiosidade ao que me interessa. Paradoxalmente, durante o doutorado e o pós-doutorado, não consegui realizar essa vontade em sua plenitude. Além disso, depois de ter dedicado alguns anos à pesquisa, descobri que a ciência é uma atividade política em todos os sentidos. Por exemplo, depois do doutorado e do pós-doutorado, o indivíduo tem de lutar por sua estabilidade profissional, por financiamento, por alunos e para ter suas ideias aceitas na comunidade científica. Esperava que, como diplomata, eu pudesse desfrutar de mais liberdade intelectual para explorar áreas da ciência e de outros domínios do conhecimento, que estariam inacessíveis, em decorrência das estruturas rígidas das universidades e dos centros de pesquisa.

Finalmente, ao decidir retomar o projeto do CACD, tive a sorte de descobrir que o PAA ainda existia. Vim para o Brasil no final de 2011 para realizar a prova da bolsa e, em março do ano seguinte, fui convocado para a entrevista. Ao sair o resultado final do processo da bolsa, arrumei minhas malas e voltei para o Brasil. Dia 20 abril de 2012 estava em Brasília, pronto para começar a preparação.


Fale sobre sua preparação para o concurso. Quais foram os maiores desafios e como você os superou?
Foi um processo bem intenso. Fiquei aproximadamente dois anos estudando em período integral, incluindo fins de semana e feriados.  Fiz o CACD em 2013 e não passei na primeira fase, por pouco. Em 2014 eu passei no CACD em quarto lugar. Os estudos seguiram o caminho usual - uma combinação de cursinhos, aulas particulares, leituras e fichamentos. Para mim, o maior desafio foi o de manter o conteúdo factual fresco na memória. A melhor forma de superar essa dificuldade foi por meio de exercícios e da resolução de provas anteriores.


Ao ingressar no Instituto Rio Branco, houve alguma mudança na sua vida? 
Sim. Primeiramente, tive que passar a vestir terno e gravata todos os dias, algo que só havia feito três ou quatro vezes na vida! Em segundo lugar, comecei a conhecer o Itamaraty por dentro e as pessoas que compõe o Serviço Exterior Brasileiro. A própria rotina do IRBr impôs mudanças na vida, já que é um curso de formação de período integral, com elevada carga de leitura e trabalhos acadêmicos. Além disso, passei a me socializar intensamente com meus colegas do IRBr.  


Quais são as atividades que você realiza ou já realizou, das quais mais se orgulha, no MRE?
Atualmente estou trabalhando na Divisão de Desarmamento e Tecnologias Sensíveis, onde tenho a oportunidade de tratar, por exemplo, dos esforços multilaterais no sentido de proibir o emprego de armas de destruição em massa – químicas, biológicas e nucleares -, e diminuir o sofrimento humano em situações de conflito armado.


Além de ser diplomata, você tem algum hobby ou paixão?
Física, capoeira, escalada, música, leitura. Não necessariamente nesta ordem.


O que você diria para quem pensa em prestar a prova de seleção para o Programa de Ação Afirmativa do Instituto Rio Branco para Afrodescendentes?
Diria que estudem, que se dediquem com o mesmo afinco de quem se prepara para passar no CACD. Conseguir a bolsa está se tornando uma tarefa cada vez mais complexa, o que vem exigindo uma preparação mais robusta dos candidatos à bolsa.


Você daria alguma dica para quem quer se tornar diplomata?
Sim, que sejam organizados. O edital é amplo, e é preciso conseguir manter o material de estudo constantemente organizado. Organizar o material força a organização das ideias, o que ajuda ao longo da preparação e, sobretudo, às vésperas das provas, quando, neste caso, o tempo para revisar é escasso. 

Clarice Lispector: uma diplowife - Parte IV: Paulo Gurgel fala sobre sua mãe




Como parte do evento "Hora de Clarice", o IMS produziu um vídeo-depoimento de Paulo Gurgel Valente, filho de Clarice Lispector, que conversa com Eucanaã Ferraz e Elizama Almeida e relembra as personalidades que frequentavam a sua casa e o primeiro livro que leu da mãe. Mais informações: http://goo.gl/bMfXQP

08/08/2016

Clarice Lispector: uma diplowife - Parte III: o estranhamento



"(...) O estranho, explicou a palestrante, é o “de fora’, o que não pertence a determinada comunidade. “Ninguém é estranho em si, mas em relação a”. certa vez, contou Noemi. (...) Segundo a escritora, Clarice tinha, em sua obra, a capacidade de ver as coisas como uma criança. era como se as visse pela primeira vez e fizesse com que os leitores reconquistassem um olhar inaugural: “o que é essa palavra que sempre digo mas nunca disse?”

Esse olhar do estrangeiro, disse a especialista, é também o olhar do espanto. “Platão falava da filosofia como a origem do espanto: ‘o que é a vida?’; ‘para que existe a morte?’; ‘qual a origem do mundo?’ Crianças e poetas fazem essas perguntas. Com o tempo, a gente para de se espantar com a realidade. até ler Clarice.”

Noemi citou a capacidade de maravilhamento de Clarice em relação a uma simples barata, um inseto considerado repugnante pela maioria das pessoas. Da mesma forma, o ovo, para a autora de “A Legião estrangeira”, pode ser uma coisa espantosa. “Como é possível que exista um ovo?”, perguntava a escritora. (...)"

05/08/2016

Inscrições Abertas de 05 a 26 de Agosto!


Acesse facebook.com/EmbaixadoresDaJuventude e se inscreva no Programa Embaixadores da Juventude! Uma iniciativa do Escritório das Nações Unidas Sobre Drogas e Crime e do Instituto Caixa Seguradora.

Decretos publicados hoje

Decreto nº 8.833, de 4.8.2016 - Promulga a Convenção de Auxílio Judiciário em Matéria Penal entre os Estados Membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, firmada pela República Federativa do Brasil, em Cidade da Praia, em 23 de novembro de 2005.

Decreto nº 8.832, de 4.8.2016 - Transfere a cumulatividade da Embaixada do Brasil em Mogadíscio, República Democrática Somali, para a Embaixada do Brasil em Nairóbi, República do Quênia.

Decreto nº 8.831, de 4.8.2016 - Dispõe sobre a execução, no território nacional, da Resolução 2283 (2016), de 28 de abril de 2016, do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que revoga o embargo de armas e o regime de sanções aplicáveis à Costa do Marfim.

04/08/2016

Melhor vídeo sobre o Barão do Rio Branco

Este vídeo é apresentado por um garoto de nove anos e é uma fofura. Resume direitinho quem foi o Barão do Rio Branco e, ainda por cima, consegue ser engraçado. Tem menos de dois minutos de duração. Vale a pena assistir.


História do Barão do Rio Branco



Imagens gravadas na ocasião do falecimento do Barão do Rio Branco




"A data de 20 de abril comemora o nascimento, em 1845, do patrono da diplomacia brasileira, José Maria da Silva Paranhos Junior (1845-1912), Barão do Rio Branco. Bacharel em Direito, jornalista, deputado, estudioso da História e da Geografia do Brasil, cônsul e diplomata (em um período em que as duas carreiras eram separadas), o Barão do Rio Branco foi o estadista que conduziu processos de arbitragem e de negociação que concorreram decisivamente para o estabelecimento pacífico das fronteiras do Brasil. Atuou como Ministro das Relações Exteriores entre 1902 e 1912, durante os mandatos de quatro presidentes consecutivos. No vídeo, imagens gravadas na ocasião de seu falecimento, em 1912."

02/08/2016

VAMOS APOIAR ESSA CAUSA!

Caros leitores e leitoras, VAMOS APOIAR ESSA CAUSA!
Repassem aos colegas, cônjuges, companheiros, filhos, associação representativa, amigos,  vizinhos, crush, etc., seu apoio à proposta de auxílio familiar para despesas com educação!!!


"Há grande empenho no Ministério da Fazenda para aprovação de PEC que congelará o orçamento do governo pelos próximos muitos anos. Se aprovada, será praticamente impossível conquistarmos o auxílio educação – além de ficarmos, por muito tempo, sem aumento real de salário. Por isso, urge realizarmos gestões para conquistarmos esse direito."




Proposta do GT Educação da ADB, com participação da AFSI.


PROJETO DE EMENDA PARLAMENTAR
PL 4.253/2015
EMENDA N° ____
(Deputado __________________________)

Acrescenta modificação ao Artigo 55 do Projeto de Lei nº 4.253/2015.
Art. 55. A Lei nº 5.809, de 10 de outubro de 1972, passa a vigorar com as seguintes
alterações:

Lei 5.809/72, SEÇÃO V, "Do Auxílio‐Familiar"
Art 20. Auxílio‐Familiar é o quantitativo mensal devido ao servidor, em serviço no exterior, a título de indenização para atender, em parte, à manutenção e às despesas de educação e assistência, no exterior, a seus dependentes.

Art 21. O auxílio‐familiar é calculado em função da indenização de representação no exterior recebida pelo servidor à razão de:

I ‐ 10% (dez por cento) de seu valor, para o cônjuge; e

II – até 50% (cinquenta por cento) de seu valor, por dependente, mediante a comprovação da despesa, nos casos em que o servidor tiver custos com serviços educacionais (creche, pré‐escola e escola nos níveis fundamental ou médio) de filho, enteado, adotivo, tutelado e curatelado desde que vivam com o servidor removido;

Parágrafo único. O quantitativo a que se refere o inciso II poderá ser acrescido de parcela única adicional, por deslocamento do servidor e por dependente, de até 12 (doze) vezes o seu valor, para a cobertura de custos não‐recorrentes com os referidos serviços educacionais, tais como taxa de ingresso, taxa de capital ou taxa de matrícula (se esta for de natureza não‐recorrente), mediante comprovação da despesa.


____________


JUSTIFICATIVA


"A proposta busca atender uma das mais antigas reivindicações de servidores que atuam em nome do Brasil no exterior, especialmente integrantes do Serviço Exterior Brasileiro – SEB (Diplomatas, Oficiais de Chancelaria e Assistentes de Chancelaria).

Atualmente, os servidores que atuam no exterior recebem o “auxílio-familiar”, que é uma indenização voltada a “atender, em parte, à manutenção e às despesas de educação e assistência, no exterior, a seus dependentes” (Lei de Retribuição no Exterior, LRE, nº 5.809/72, art. 20). Para o servidor que possuir dependente, o “auxílio familiar” corresponde a 5% da Indenização de Representação no Exterior (IREX), outra parcela indenizatória estabelecida pela LRE.

No regime atual, o auxílio-familiar de 5% da IREX, por dependente, é pago independentemente da existência de despesas com educação. O atual percentual do auxílio familiar é claramente insuficiente para atender, sequer parcialmente, as despesas com a educação de dependentes.

O direito à educação é um dos direitos sociais garantidos pela Constituição Federal (artigos 6º e 205) e constitui dever do Estado, que deve garantir “educação básica obrigatória e gratuita dos 4 aos 17 anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria” (inciso I do Artigo 208 constitucional). Inclusive, constitui direito público subjetivo o acesso ao ensino obrigatório e gratuito (§ 1º do Artigo 208 constitucional).

A ausência de oferta do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua oferta irregular, “importa responsabilidade da autoridade competente” (§ 2º do mesmo dispositivo). Como todos são iguais perante a lei (caput do art. 5º da Constituição Federal) e, acima de tudo, todos são iguais perante os direitos sociais constitucionalmente garantidos, como é o caso do direito à educação, os dependentes dos Diplomatas em missão no exterior estão evidentemente afastados da possibilidade de o Estado brasileiro prestar-lhes diretamente a oferta obrigatória e gratuita de ensino prevista pela Constituição Federal.  A consequência lógica dessa impossibilidade seria a compensação dessa desigualdade pela ordem legal, especialmente pela LRE, mediante o pagamento de justa indenização.

Para que um servidor possa se deslocar do País para servir no exterior, é preciso prover a educação de seus dependentes. Número crescente de postos (embaixadas, consulados ou outras representações do Brasil) tem-se tornado inacessível para servidores que possuem dependentes em idade escolar em virtude 
(i) do alto custo com a educação em diversos países, aliada ao 
(ii) desamparo em que se encontra o servidor para custear essas despesas. 

O sistema atual dificulta a mobilidade internacional de número significativo de servidores; gera distorções nas possibilidades de carreira entre servidores com dependentes e os demais; e, em última instância, afeta negativamente a qualidade da atuação do Brasil no mundo.

Em muitos países, o acesso ao ensino público não é uma opção, seja pelas limitações ao ingresso – falta de vagas, preferência nas listas de espera para nacionais ou residentes – seja por dificuldades próprias do local, como o idioma de ensino. Seria pouco atraente para um servidor removido por três anos na Rússia, República Tcheca, Japão, China ou Coréia submeter seus dependentes a sistema de ensino básico em russo, tcheco, japonês, mandarim ou coreano.

Para servidores com dependentes em idade escolar, em muitos casos a única alternativa é o ensino em instituição privada em línguas francas (em geral, inglês ou francês). Nessas instituições o custo absorve parcela significativa do salário. Além de mensalidades que variam entre US$ 1.000 e US$ 2.000, por aluno, dependendo da cidade e do sistema de ensino, a maioria das escolas internacionais cobra uma "contribuição" ou "taxa de matrícula", que pode passar de US$ 10.000 para cada dependente matriculado. 

Assim, ao chegar ao Posto, o servidor precisa desembolsar uma soma alta apenas para ter seu filho aceito na escola. Quando é transferido para outro Posto, precisa pagar outra vez taxa equivalente à nova escola, muitas vezes para mais de uma criança.

Apesar do alto custo, escolas internacionais configuram as opções mais adequadas para expatriados porque garantem currículo similar, em diversos países, ao longo dos anos de formação da criança. Essas opções em geral são inviáveis porque seu custo pode alcançar metade da renda, no exterior, de funcionário em classe inicial ou intermediária das carreiras do SEB – justamente as classes em que há maior necessidade de amparo ao custeio da educação de dependentes.

Um Segundo Secretário (estágio inicial da carreira de Diplomata, com 8 anos de Itamaraty) no Japão, por exemplo, compromete cerca de 35% do orçamento familiar para manter dois filhos no ensino fundamental. A escola internacional custa, anualmente, por aluno, US$ 25.800,00, mais taxas extras que somam mais de US$ 9.000,00 – pedido de matrícula, matrícula e fundo de desenvolvimento. 

Na Rússia, a Escola Americana cobra US$ 31.000,00 anuais por estudante. Um Segundo Secretário que tenha dois filhos matriculados nesse sistema comprometerá 50% do salário em despesas com educação. Além disso, terá que pagar US$ 20.000,00 logo que chegar a Moscou para que as duas crianças sejam aceitas na instituição.

Em muitos casos, a majoração ao auxílio-familiar proposta pela presente emenda – de 5% da IREX para 50%, mediante comprovação da despesa com serviço educacional prestado – não resolverá definitivamente o desafio de educar dependentes no exterior. Servirá, contudo, para mitigar essa séria dificuldade enfrentada por servidores que defendem o País no exterior e que afeta negativamente a própria qualidade da atuação do Brasil no mundo.

Cabe informar que a extensa maioria das organizações internacionais e chancelarias provê esse benefício a seus funcionários no exterior, conforme revelou pesquisa realizada pela ADB (Associação dos Diplomatas Brasileiros) e pela AFSI (Associação dos Familiares dos Servidores do Itamaraty), com dados sobre auxílio-educação em países como Estados Unidos, Reino Unido, Bélgica, Austrália, Espanha, França, Suíça, México, Eslovênia e em organizações como a ONU. 

Abaixo, os dados do levantamento estão compilados em tabela consultiva."