08/12/2017

TEURRITÓRIO - Luiz Marques de Lima e Marcos Borri




TEURRITÓRIO - Luiz Marques de Lima e Marcos Borri


Aonde quer que eu vá,Vou marcar o nosso território
Que você pode chamar de lar.
E, quando você chegar,
Vai te parecer familiar.
Eram trigais que agora lembram seus cabelos.
Onde eu passar, será o nosso lar.
Em cada continente, um refúgio. Você quer?
Eram trigais que agora lembram seus cabelos.
Onde eu passar, será o nosso lar.
Em cada continente, um refúgio!
Nosso trajeto, nosso projeto.
O nosso meu, o nosso teu, o nosso céu.
Principado, teu reinado, coroado
Por uma cria, uma dinastia,
Você mais eu, que deu um nós eternizado.
Nossa família, nossa matilha.
O nosso meu, nosso teu, o nosso céu.
Nossa família, nossa matilha,
O nosso meu, nosso teu, o nosso céu.
Vou marcar o nosso território
Que você pode chamar de lar.
Vou balizar o caminho
E, quando você chegar,
Vai te parecer familiar.
Conquistando, premiando, venerando
Nosso trajeto, nosso projeto.
O nosso meu, o nosso teu, o nosso céu.
Principado, teu reinado, coroado
Por uma cria, uma dinastia.
Você mais eu, que deu um nós eternizado.
Eram trigais que agora lembram seus cabelos.
Onde eu passar, será o nosso lar.
Em cada continente, um refúgio. Você quer?
Eram trigais que agora lembram seus cabelos.
Onde eu passar, será o nosso lar.
Em cada continente, um refúgio!
Eram trigais que agora lembram seus cabelos.
Onde eu passar, será o nosso lar.
Em cada continente, um refúgio. Você quer?
Eram trigais que agora lembram seus cabelos.
Onde eu passar, será o nosso lar.
Em cada continente, um refúgio. Você quer?
Vou balizar o caminho
Istambul, Cambé, Nova Delhi, Santo André
Istambul, Cambé, Nova Delhi, Santo André
Conquistando, premiando, venerando
Teurritório, meritório, oratório.
Teurritório, meritório, oratório
Aonde quer que eu vá,
Istambul, Cambé, Nova Delhi, Santo André
Istambul, Cambé, Nova Delhi, Santo André
Istambul, Cambé, Nova Delhi, Santo André
Istambul, Cambé, Nova Delhi, Santo André

A Melhor Maneira de Viajar é Sentir

A Melhor Maneira de Viajar é Sentir

"Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.
Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente,
Porque todas as coisas são, em verdade, excessivas
E toda a realidade é um excesso, uma violência,
Uma alucinação extraordinariamente nítida
Que vivemos todos em comum com a fúria das almas,
O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas
Que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos.

Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como várias pessoas,
Quanto mais personalidade eu tiver,
Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver,
Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas,
Quanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento,
Estiver, sentir, viver, for,
Mais possuirei a existência total do universo,
Mais completo serei pelo espaço inteiro fora.
Mais análogo serei a Deus, seja ele quem for,
Porque, seja ele quem for, com certeza que é Tudo,
E fora d'Ele há só Ele, e Tudo para Ele é pouco.

Cada alma é uma escada para Deus,
Cada alma é um corredor-Universo para Deus,
Cada alma é um rio correndo por margens de Externo
Para Deus e em Deus com um sussurro soturno.

Sursum corda! Erguei as almas! Toda a Matéria é Espírito,

Porque Matéria e Espírito são apenas nomes confusos
Dados à grande sombra que ensopa o Exterior em sonho
E funde em Noite e Mistério o Universo Excessivo!
Sursum corda! Na noite acordo, o silêncio é grande,
As coisas, de braços cruzados sobre o peito, reparam

Com uma tristeza nobre para os meus olhos abertos
Que as vê como vagos vultos noturnos na noite negra.
Sursum corda! Acordo na noite e sinto-me diverso.
Todo o Mundo com a sua forma visível do costume
Jaz no fundo dum poço e faz um ruído confuso,

Escuto-o, e no meu coração um grande pasmo soluça.

Sursum corda! ó Terra, jardim suspenso, berço
Que embala a Alma dispersa da humanidade sucessiva!
Mãe verde e florida todos os anos recente,
Todos os anos vernal, estival, outonal, hiemal,
Todos os anos celebrando às mancheias as festas de Adônis
Num rito anterior a todas as significações,
Num grande culto em tumulto pelas montanhas e os vales!
Grande coração pulsando no peito nu dos vulcões,
Grande voz acordando em cataratas e mares,
Grande bacante ébria do Movimento e da Mudança,
Em cio de vegetação e florescência rompendo
Teu próprio corpo de terra e rochas, teu corpo submisso
A tua própria vontade transtornadora e eterna!
Mãe carinhosa e unânime dos ventos, dos mares, dos prados,
Vertiginosa mãe dos vendavais e ciclones,
Mãe caprichosa que faz vegetar e secar,
Que perturba as próprias estações e confunde
Num beijo imaterial os sóis e as chuvas e os ventos!

Sursum corda! Reparo para ti e todo eu sou um hino!
Tudo em mim como um satélite da tua dinâmica intima
Volteia serpenteando, ficando como um anel
Nevoento, de sensações reminescidas e vagas,
Em torno ao teu vulto interno, túrgido e fervoroso.
Ocupa de toda a tua força e de todo o teu poder quente
Meu coração a ti aberto!
Como uma espada traspassando meu ser erguido e extático,
Intersecciona com meu sangue, com a minha pele e os meus nervos,
Teu movimento contínuo, contíguo a ti própria sempre,

Sou um monte confuso de forças cheias de infinito
Tendendo em todas as direções para todos os lados do espaço,
A Vida, essa coisa enorme, é que prende tudo e tudo une
E faz com que todas as forças que raivam dentro de mim
Não passem de mim, nem quebrem meu ser, não partam meu corpo,
Não me arremessem, como uma bomba de Espírito que estoira
Em sangue e carne e alma espiritualizados para entre as estrelas,
Para além dos sóis de outros sistemas e dos astros remotos.

Tudo o que há dentro de mim tende a voltar a ser tudo.
Tudo o que há dentro de mim tende a despejar-me no chão,
No vasto chão supremo que não está em cima nem embaixo
Mas sob as estrelas e os sóis, sob as almas e os corpos
Por uma oblíqua posse dos nossos sentidos intelectuais.

Sou uma chama ascendendo, mas ascendo para baixo e para cima,
Ascendo para todos os lados ao mesmo tempo, sou um globo
De chamas explosivas buscando Deus e queimando
A crosta dos meus sentidos, o muro da minha lógica,
A minha inteligência limitadora e gelada.

Sou uma grande máquina movida por grandes correias
De que só vejo a parte que pega nos meus tambores,
O resto vai para além dos astros, passa para além dos sóis,
E nunca parece chegar ao tambor donde parte...

Meu corpo é um centro dum volante estupendo e infinito
Em marcha sempre vertiginosamente em torno de si,
Cruzando-se em todas as direções com outros volantes,
Que se entrepenetram e misturam, porque isto não é no espaço
Mas não sei onde espacial de uma outra maneira-Deus.

Dentro de mim estão presos e atados ao chao
Todos os movimentos que compõem o universo,
A fúria minuciosa e dos átomos,
A fúria de todas as chamas, a raiva de todos os ventos,
A espuma furiosa de todos os rios, que se precipitam,

A chuva com pedras atiradas de catapultas
De enormes exércitos de anões escondidos no céu.

Sou um formidável dinamismo obrigado ao equilíbrio
De estar dentro do meu corpo, de não transbordar da minh'alma.
Ruge, estoira, vence, quebra, estrondeia, sacode,
Freme, treme, espuma, venta, viola, explode,
Perde-te, transcende-te, circunda-te, vive-te, rompe e foge,
Sê com todo o meu corpo todo o universo e a vida,
Arde com todo o meu ser todos os lumes e luzes,
Risca com toda a minha alma todos os relâmpagos e fogos,
Sobrevive-me em minha vida em todas as direções! "

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa

25/11/2017

Clube do Livro: Diplowife - Mês 11



Os dedos de Norma reúne 22 contos inéditos do diplomata e poeta Geraldo Holanda Cavalcanti sobre as diversas facetas do feminino. Holanda Cavalcanti cria personagens fortes – como Norma, Lucrezia, Aspásia e Marina –, tece odes aos olhos e à nuca das mulheres, e relata encontros e desencontros, em uma chave essencialmente urbana e pós-moderna. 

Geraldo Holanda Cavalcanti é diplomata, poeta, ensaísta, memorialista e tradutor premiado. Sua estreia na ficção, Encontro em Ouro Preto, foi finalista do Prêmio Jabuti em 2008. Foi eleito em 2010 para a Academia Brasileira de Letras, da qual foi eleito presidente em 2014.

 “…um livro encantador, de grande riqueza (…) Os dedos de Norma concentram-se no feminino, na sua poética do encontro, ou seu inverso, da parte contra o todo. Não o rosto, mas os dedos. E sua delicada poesia.” – Marco Lucchesi

28/10/2017

Clube do Livro: Diplowife - Mês 10



Da medina de Marraquexe, colorida pelas especiarias e perfumada pelo incenso, às frias muralhas da praça de Ceuta, passando pelos serões quentes e opulentos dos bailes do Rio de Janeiro ou pelos exóticos haréns da Índia, este livro leva-o, numa viagem apaixonante, aos quatro cantos do mundo, onde mulheres portuguesas fizeram história. Protagonistas de estórias de amor ou de batalhas sangrentas, cruzaram mares, empenharam armas, foram hábeis diplomatas e audazes comerciantes. D. Maria de Eça, a Capitoa, D. Juliana, a Negociadora, D. Mécia de Monroy, a Cativa, são algumas destas aventureiras que a jornalista Rosário Sá Coutinho resgatou do anonimato a que a História oficial habitualmente centrada nas personagens masculinas, as relegou. Este livro, baseado numa vasta e original pesquisa histórica, descreve-lhe a empolgante vida destas corajosas mulheres que, ao longo de quatro séculos, desafiaram preconceitos, lutaram pelos seus sonhos e viveram sempre à frente do seu tempo. Mulheres aventureiras que merecem um lugar na nossa História.

16/10/2017

Série Jovens: o nosso futuro. Entrevista com Walisson de Souza

Em 2017, iniciamos uma nova série de entrevistas aqui no blog, intitulada "Jovens: o nosso futuro". Nela, jovens de 18 a 30 anos contarão suas histórias, expressarão suas opiniões e nos contarão o que têm feito para melhorar o mundo em que vivemos. No primeiro post, conhecemos Alexandre Netto, no segundo, Eduarda Zoghbi, no terceiro, Dani Black. Hoje, conheceremos Walisson de Souza.

Imagem: Diego Mendonça 
Walisson Lopes de Souza tem 21 anos, é LGBT e morador da Estrutural (Distrito Federal). Sua mãe é cabeleireira e seu pai eletricista. Ele atua desde 2015 no Observatório da Criança e do Adolescente (OCA) e no Projeto Adolescentes protagonistas (Projeto ONDA). Em 2014, colaborou com o projeto Rejupe (Rede de Adolescentes e Jovens Unidos pelo Esporte Seguro e Inclusivo), do UNICEF. Em 2016, participou do Programa de Formação Embaixadores da Juventude, do UNODC e Caixa Seguradora. Vamos conhecer um pouco mais sobre sua trajetória e sua superação?


Walisson, conte-nos um pouco sobre sua história pessoal

WALISSON: Bom, eu sempre tive uma relação ruim e negativa com a minha escola a ponto de me esconder atras do ponto de ônibus pra não ter que ir ao colégio. Eu sofria muita violência física e Bullying por ser LGBT, e as formas de avaliação da escola eram extremamente opressoras e excludentes. Parecia que eu nunca tinha conhecimento suficiente pra conseguir alcançar os outros. Quando completei 15 anos, arrumei meu primeiro emprego em um supermercado e acabei evadindo no primeiro ano do Ensino Médio, o que acarretou na minha reprovação. Depois disso resolvi assumir a minha sexualidade em casa, o que resultou em uma depressão que durou mais de um ano, ocasionando problemas e mais desgastes dentro da minha família. 

Foi ai que eu percebi que precisava dar um outro sentido à minha vida. Decidi começar com a minha escola. Um ano apos a minha reprovação, eu decidi me candidatar ao conselho escolar para representar o segmento aluno no conselho. Fui eleito por todos os turnos da escola e por maioria dos estudantes. Em seguida entrei em um projeto chamado Adolescentes Protagonistas (Projeto ONDA) e no projeto OCA (Observatório da Criança e do Adolescente) onde comecei a me engajar nas causas de educação com foco em evasão escolar e orçamento publico. Comecei a participar das agendas relacionadas ao tema, e a levar os debates para a escola para que outros colegas pudessem se apropriar dos temas. Na medida do possível, fui criando dentro da escola, caminhos para que tivéssemos mais liberdade e poder de decisão, o que fez com que a escola fosse se tornando referencia

Em 2014, meu ultimo ano do ensino médio, fui convidado pelos projetos dos quais fazia parte, a participar de uma agenda do Unicef, paralela a Assembleia Geral das Nações Unidas, sobre os desafios do Ensino Médio em Nova York. Nesse mesmo ano tive uma peça musical sobre segurança no transito que foi escrita e dirigida por mim como a primeira peça de Brasília a participar do festival estudantil temático de teatro para o trânsito, e tive um dos meus poemas sobre a cidade escolhidos como um dos 20 melhores do segundo concurso Brasília de literatura da Bienal do Livro. Nesse mesmo ano, compus a equipe de Cenários Transformadores para e Educação Basica no Brasil. 

Apesar de todos os desafios que tive durante a minha infância e na minha adolescência com a minha família, e com as pessoas a minha volta me dizendo a todo tempo que eu não conseguiria ser nada além daquilo que se é resignado a um jovem gay de periferia. Eu resinifiquei minha existência e acabei me tornando o único estudante do meu ano a passar na UnB. 

Imagem: Diego Mendonça 

O que você diria a jovens LGBT que vivenciam hoje os desafios que você já vivenciou ou que ainda vivencia?

WALISSON: Eu diria que infelizmente por conta da nossa orientação, por conta da nossa condição humana, enquanto jovens LGBT que estaremos sujeitos a sempre ser 2,3,4 vezes mas cobrados pelo mundo. E que a maior respostas que podemos dar a essas pessoas e acordar todos os dias, colocar nossa cara linda no sol, e seguir sobrevivendo, tumultuando, e desconstruindo essa sociedade que só nos oprime e que também nos desafia a viver nossa humanidade da forma mais colorida, e bonita possível.  


Fale sobre o trabalho que você faz na Estrutural, no OCA.

WALISSON: Desde de 2015, desenvolvo um trabalho com crianças e adolescentes de 06 a 14 anos que estão em situação de vulnerabilidade na cidade Estrutural, dentro de uma ONG chamada coletivo da cidade. Que atua na Cidade desde 2011. Dentro do coletivo eu ajudo a desenvolver a metodologia do OCA (Observatório da criança e do adolescente). 

O OCA é uma tecnologia social, que da ferramentas para a comunidade discutir direito a cidade, garantia de direitos e violação de direitos, e todos os temas relacionados aos direitos humanos e que proporciona dialogo com o poder publico. Isso acontece por meio de oficinas de comunicação com as crianças e adolescentes rodas de conversa, intervenções e assim por diante. Toda essa dinâmica e metodologia esta inserida dentro de uma metodologia maior criada pelo coletivo da cidade, conhecida como rodas de aprendizagem, que é a metodologia que norteia o serviço dentro da comunidade. 


Imagem: Diego Mendonça 

Quais foram os principais benefícios que vocês trouxeram para essa comunidade, por meio do OCA?

WALISSON: Os maiores benefícios que trouxemos para a comunidade por meio do projeto OCA foi a possibilidade que tivemos juntos de conseguir entender qual o nosso papel em quanto comunidade de, pressionar o poder público, e a força que o povo tem.  A revitalização de um beco hoje conhecido como beco da esperança, a crianção de uma agência de comunicação livre chamada voz da quebrada, que é tocada pelos adolescentes projeto, entre várias outras. 


Qual foi a experiência que mais te marcou no trabalho voluntário?

WALISSON: Em 2014 eu ajudei a tocar um projeto do Unicef chamado Rejupe (Rede de Adolescentes e Jovens Unidos pelo Esporte Seguro e Inclusivo) Que foi uma rede criada para monitorar os mega eventos esportivos nos pais. Dentro desse rede fizemos varias ações em algumas periferias do Distrito Federal e nesse processo tive varias experiencias que me marcaram. Primeiro tem a coisa do contato com pessoas diferentes com dinâmicas diferentes, onde a gente acaba percebendo que apesar da diferença, as violações são as mesma e as necessidades também. 

Todos os trabalhos eram com crianças e adolescentes, em alguns locais conheci crianças que me ensinavam algo novo em todas as oficinas e isso fazia com que eu voltasse cheio de energia e de esperança. Mas acho que de todas essas experiencias, a que mais me marcou foi uma que tive aqui na Estrutural, onde eu me encontrei com uma criança de 8 anos que estava com um cigarro na mão. Essa criança me viu brincar com outras crianças e me perguntou se eu era pedófilo, o que deixava clara a violação sofrida por essa criança, já que a analise que ele fazia de um adulto perto de outras crianças era essa. Sentamos juntos, ele me entregou o cigarro, conversamos sobre muitas coisas e terminamos o a manhã brincando. Essa foi a experiencia que mais me marcou no trabalho voluntario. 

Imagem: Diego Mendonça 


O que você diria para jovens em situação de vulnerabilidade, que sentem que suas vidas estão sem rumo?

WALISSON: Quando se vive em periferia, onde a drogas são vendidas praticamente na porta da sua casa, onde você desvia da poça de sangue pra chegar onde você quer, e quando você olha para os lados e percebe que não há mais o que fazer, principalmente para a juventude, que grita desesperadamente por oportunidade eu só digo uma coisa, seja você mesmo a sua própria oportunidade. Sempre que você se perceber num poço sem fundo de onde não há mais escapatória, grite! Grite alto, grite suas dores, anseios, alegrias, lave os seus olhos e perceba que a periferia para além das violações e violências ela é beleza na sua mais pura essência. O amanhã pode demorar a chegar, mas ele sempre chega, e o hoje é momento de se preparar pra receber os frutos desse amanhã que se aproxima. 

Imagem: Diego Mendonça 


Você também é ator, Que papel as artes cênicas têm na sua vida?

WALISSON: Eu sou ator e o teatro mudou minha vida. Foi através do teatro que eu encontrei esperança pra continuar resistindo e resignificado a minha história. Com o Teatro eu tive a oportunidade de viver outros personagens para além de mim, de viver outras pessoas. Isso é mágico porque é se colocando no lugar do outro e é vivenciando outras realidades, mesmo que só em cena, que você se humaniza.

Imagem: Webert da Cruz 


Contatos:
Coletivo da cidade/Oca 
(61) 3465-6351
http://www.coletivodacidade.org
coord.coletivo@gmail.com

Inesc/Oca: 
(61) 3212-0200
http://www.inesc.org.br
cleomar@inesc.org.br


30/09/2017

Clube do Livro: Diplowife - Mês 09



"Coverage of the Democratic People's Republic of Korea (DPRK) all too often focuses solely on nuclear proliferation, military parades, and the personality cult of its leaders. As the British ambassador to North Korea, John Everard had the rare experience of living there from 2006, when the DPRK conducted its first nuclear test, to 2008. While stationed in Pyongyang, Everard's travels around the nation provided him with numerous opportunities to meet and converse with North Koreans.

Only Beautiful, Please goes beyond official North Korea to unveil the human dimension of life in that hermetic nation. Everard recounts his impressions of the country and its people, his interactions with them, and his observations on their way of life. He also provides a picture of the life of foreigners in this closed society, considers how the DPRK evolved to its current state, and offers thoughts on how to tackle the challenges that it throws up, in light of the failure of current approaches. The book is illustrated with often striking photographs taken by Everard during his stay in North Korea."

29/09/2017

Como é servir na Coreia do Norte?

A vida da única família brasileira na Coreia do Norte
Luis Barrucho - @luisbarrucho
Da BBC Brasil em Londres

"É um funcionário corajoso, cumprindo bem o seu papel, sobretudo para nos dar informações sobre aquilo que acontece num ponto nevrálgico da política mundial. E nós vamos mantê-lo lá", disse há duas semanas em Pequim o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, quando questionado sobre o possível fechamento da embaixada brasileira em Pyongyang, capital da Coreia do Norte.

"Na ocasião, o país, liderado por Kim Jong-un, havia acabado de testar a poderosa bomba H, seu mais significativo teste nuclear até então. Depois disso, ainda lançou um míssil de médio alcance que sobrevoou o Japão.

O "funcionário corajoso" a que Nunes se referiu é o gaúcho Cleiton Schenkel, de 46 anos, atualmente encarregado de negócios da embaixada. Morando com a mulher, também servidora pública (em licença), e seu filho pequeno há pouco mais de um ano em Pyongyang, ele é o único integrante do corpo diplomático brasileiro no país que se tornou o principal foco de tensão global.

Os três são, atualmente, a única família brasileira vivendo na Coreia do Norte. Fora eles, só há mais uma brasileira: a mulher do embaixador da Palestina. Ela nasceu no Brasil e tem cidadania, mas saiu do país ainda criança."

Leia a íntegra em:
http://www.bbc.com/portuguese/internacional-41340519?SThisFB

17/09/2017

Playlist Diplowife: Natasha Bedingfield - Unwritten





Natasha Bedingfield - Unwritten

I am unwritten, can't read my mind, I'm undefined
I'm just beginning, the pen's in my hand, ending unplanned

Staring at the blank page before you
Open up the dirty window
Let the sun illuminate the words that you could not find

Reaching for something in the distance
So close you can almost taste it
Release your inhibitions
Feel the rain on your skin
No one else can feel it for you
Only you can let it in
No one else, no one else
Can speak the words on your lips
Drench yourself in words unspoken
Live your life with arms wide open
Today is where your book begins
The rest is still unwritten

Oh, oh, oh

I break tradition, sometimes my tries, are outside the lines
We've been conditioned to not make mistakes, but I can't live that way

Staring at the blank page before you
Open up the dirty window
Let the sun illuminate the words that you could not find

Reaching for something in the distance
So close you can almost taste it
Release your inhibitions
Feel the rain on your skin
No one else can feel it for you
Only you can let it in
No one else, no one else
Can speak the words on your lips
Drench yourself in words unspoken
Live your life with arms wide open
Today is where your book begins

Feel the rain on your skin
No one else can feel it for you
Only you can let it in
No one else, no one else
Can speak the words on your lips
Drench yourself in words unspoken
Live your life with arms wide open
Today is where your book begins
The rest is still unwritten

Staring at the blank page before you
Open up the dirty window
Let the sun illuminate the words that you could not find

Reaching for something in the distance
So close you can almost taste it
Release your inhibitions
Feel the rain on your skin
No one else can feel it for you
Only you can let it in
No one else, no one else
Can speak the words on your lips
Drench yourself in words unspoken
Live your life with arms wide open
Today is where your book begins

Feel the rain on your skin
No one else can feel it for you
Only you can let it in
No one else, no one else
Can speak the words on your lips
Drench yourself in words unspoken
Live your life with arms wide open
Today is where your book begins
The rest is still unwritten
The rest is still unwritten
The rest is still unwritten

Oh, yeah, yeah

Written by Tarik L. Collins, Ahmir K. Thompson, Karl B. Jenkins, Tahir Cheeseboro Jamal, Khari Abdul Mateen, Radji Mateen, Ridhwan Mateen • Copyright © Sony/ATV Music Publishing LLC,

Universal Music Publishing Group

Playlist Diplowife: Nelly Furtado - I'm Like A Bird




Nelly Furtado - I'm Like A Bird

You're beautiful and that's for sure
You'll never ever fade
Your lovely, but it's not for sure
And I won't ever change
And though my love is rare
And though my love is true
I'm like a bird
I'll only fly away
I don't know where my soul is (Soul is)
I don't know where my home is
And baby all I need for you to know is
I'm like a bird
I'll only fly away
I don't know where my soul is (Soul is)
I don't know where my home is
And I need for you to know
Is your faith in me brings me to tears
Even after all these years
And it pains me so much to tell
That you don't know me that well
And though my love is rare
And though my love is true
I'm like a bird
I'll only fly away
I don't know where my soul is (Soul is)
I don't know where my home is
And baby all I need for you to know is
I'm like a bird
I'll only fly away
I don't know where my soul is (Soul is)
I don't know where my home is
And baby all I need for you to know is
It's not that I want to say good-bye
It's just that every time you try to
Tell me, me that you love me (Oh, oh)
Each and every single day
I know I'm gonna have to eventually give you away, yeah
And though my love is rare
And though my love is true yeah
And I'm just scared
That we may fall through, yeah, yeah
I'm like a bird (I'm like a bird)
I don't know where my soul is (Soul is)
I don't know where my home is
And baby all I need for you to know is
I'm like a bird
I'll only fly away
I don't know where my soul is (Soul is)
I don't know where my home is
And baby all I need for you to know is
I'm like a bird
I'll only fly away
I don't know where my soul is (Soul is)
I don't know where my home is
And baby all I need for you to know is
I'm like a bird
I'll only fly away (I don't know where my soul is)
I don't know where my soul is
I don't know where my home is
And baby all I need for you to know is
I'm like a bird
I'll only fly away (I don't know where my soul is)
I don't know where my soul is
I don't know where my home is
And baby all I need for you to know is
I'm like a bird
I'll only fly away
I don't know where my soul is
I don't know where my home is
And baby all I need for you to know is

Compositores: Nelly Furtado

Letra de I'm Like a Bird © Sony/ATV Music Publishing LLC

Playlist Diplowife: Train - Drops of Jupiter





Train - Drops of Jupiter

Now that she's back in the atmosphere
With drops of Jupiter in her hair, hey, hey
She acts like summer and walks like rain
Reminds me that there's time to change, hey, hey
Since the return from her stay on the moon
She listens like spring and she talks like June, hey, hey
Tell me did you sail across the sun
Did you make it to the Milky Way to see the lights all faded
And that heaven is overrated
Tell me, did you fall from a shooting star
One without a permanent scar
And did you miss me while you were looking for yourself out there
Now that she's back from that soul vacation
Tracing her way through the constellation, hey, hey
She checks out Mozart while she does tae-bo
Reminds me that there's room to grow, hey, hey
Now that she's back in the atmosphere
I'm afraid that she might think of me as plain ol' Jane
Told a story about a man who is too afraid to fly so he never did land
Tell me did the wind sweep you off your feet
Did you finally get the chance to dance along the light of day
And head back to the milky way
And tell me, did Venus blow your mind
Was it everything you wanted to find
And did you miss me while you were looking for yourself out there
Can you imagine no love, pride, deep-fried chicken
Your best friend always sticking up for you even when I know you're wrong
Can you imagine no first dance, freeze dried romance five-hour phone
Conversation
The best soy latte that you ever had, and me
Tell me did the wind sweep you off your feet
Did you finally get the chance to dance along the light of day
And head back toward the Milky Way
And are you lonely looking for yourself out there?
Tell me did you sail across the sun
Did you make it to the milky way to see the lights all faded
And that heaven is overrated
Tell me, did you fall from a shooting star
One without a permanent scar
And did you miss me while you were looking for yourself out there

Compositores: Charles Colin / Charlie Colin / James Stafford / James W Stafford / Pat Monahan / Robert Hotchkiss / Robert S Hotchkiss / Scott Underwood / Scott Michael Underwood

Letra de Drops of Jupiter © Sony/ATV Music Publishing LLC

15/09/2017

Documentário Caminhos da Diplomacia






Entrevista com o Embaixador Rubens Ricupero

Dando continuidade aos posts sobre "diplomatas famosos", hoje vamos acompanhar a trajetória do Embaixador Rubens Ricupero, bem como entrevista concedida por ele ao Ministro Paulo Roberto de Almeida, publicada recentemente no Mundorama. As informações sobre o Embaixador têm como fonte a página www.rubensricupero.com.

BIOGRAFIA

Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, turma Clovis Bevilaqua, 1955-1959.  Curso de Preparação à Carreira Diplomática do Instituto Rio Branco, Rio de Janeiro, 1955-1960. Prêmio “Lafayette de Carvalho e Silva”: 1º colocado no exame de ingresso ao IRBr, 1958. Prêmio Rio Branco e Medalla de Vermeil: 1º colocado no curso do IRBr, 1959-1960.

Ultimo cargo
Secretário-Geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), mandatos de 1995 a 1999 e de 1999 a 2004. Subsecretário Geral da ONU no mesmo período.

Cargos governamentais
Ministro do Meio Ambiente e da Amazônia Legal, 1993-1994; e Ministro da Fazenda, 1994.

Atividades Profissionais
Diplomata da carreira. Lotado em Brasília (1961 – 1963), Viena (1963-1966), Buenos Aires (1966 – 1969), Quito (1969 – 1971), Brasília (1971 – 1974), Washington (1974 – 1977), Brasília (1977 – 1987), Genebra (1987 – 1991) e Washington (1991 – 1993).  Chefe da Divisão de Difusão Cultural (1971 – 1974). Chefe da Divisão da América Meridional – II e de Fronteiras (1977 – 1981). Chefe do Departamento das Américas (1981 – 1985). Assessor Internacional do Presidente-eleito Tancredo Neves (1984 – 1985). Subchefe da Casa Civil do Presidente da República (1985). Assessor Especial do Presidente da República (1985 – 1987). Embaixador – Representante Permanente do Brasil em Genebra (1987 – 1991). Coordenador do Grupo de Contacto sobre Finanças da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, Rio de Janeiro (1992). Embaixador do Brasil em Washington, (1991 – 1993). Embaixador do Brasil em Roma (1995).

Atividades em Genebra
Presidente do Comitê de Comércio e Desenvolvimento do GATT (1989). Presidente do Conselho dos Representantes do GATT (1990). Presidente das Partes Contratantes do GATT (1990 – 1991). Presidente do Grupo Informal dos Países em Desenvolvimento do GATT (1989 – 1991).

Atividades Acadêmicas.
Professor da Teoria de Relação Internacionais, UnB, Brasília (1979 – 1987, 1994). Professor de História das Relações Internacionais do Brasil, Instituto Rio Branco (1980 – 1987, 1994). Professor Honorário da Academia Diplomática do Peru. Professor da UNITAR da ONU – Cursos ministrados no Suriname e Gabão.


TRECHO DA ENTREVISTA PUBLICADA NA MUNDORAMA

"A diplomacia na construção do Brasil – uma entrevista com Rubens Ricupero, por Paulo Roberto de Almeida


1 – Por que o sr. escreveu A diplomacia na construção do Brasil?

Porque não consegui encontrar nas livrarias o livro que procurava quando comecei a dar aulas de história das relações internacionais do Brasil, quarenta anos atrás. Precisava de um texto que me ajudasse a ensinar como a política externa era um fio inseparável da trama da história nacional, uma parte integral de tudo o que acontecia naquele momento, ligada, não separada da sociedade como um todo.

2 – Não havia nenhuma obra que tratasse desse tema?

Na época, as obras gerais sobre história do Brasil quase não falavam da política externa, no máximo alguns parágrafos ou notas ao pé da página. O mundo exterior não existia, era como se a história de um país constituísse um todo suficiente, fechado em si mesmo. Já as histórias diplomáticas cometiam o erro oposto: só tratavam da diplomacia, sem mencionar a política interna e a economia, como se a política externa funcionasse dentro de um vácuo. Uma das originalidades desta obra é que ela tenta não separar diplomacia, política e economia interna. Sobretudo nos capítulos sobre os períodos mais recentes, a atenção dedicada à economia e à política é quase igual ao espaço da diplomacia.

3 – Qual a linha mestra do livro?

Além de narrar uma história, a da política externa, procurei mostrar como a diplomacia ajudou a dar forma à história e à identidade do Brasil, como vieram da diplomacia alguns dos valores e ideais básicos da imagem que os brasileiros fazem de si próprios. Por exemplo, o pacifismo, a tendência de resolver conflitos pela conciliação, a negociação, a transação, a repulsa à violência, ao militarismo, à conquista pela força, a opressão de outros povos. Ainda que essa imagem seja interesseira, que não corresponda inteiramente à realidade, a própria escolha desses valores é melhor do que se imaginar como povo conquistador, predestinado a impor a democracia ao mundo, com direito a anexar território dos vizinhos, ideologias frequentes em muitos países.

4 – A que tipo de leitor se destina a obra?

O livro se dirige não apenas aos professores, estudantes de relações internacionais, ciências sociais, diplomatas, internacionalistas, mas aos leitores que se interessam pela história do Brasil e querem compreender como o país se relacionou com o mundo exterior e foi influenciado por acontecimentos e tendências externas. Mesmo aqueles que tentam entender porque o Brasil mergulhou na profunda crise atual talvez encontrem no texto algumas reflexões úteis. Evitei o tom apologético das histórias antigas, para as quais o governo brasileiro sempre tinha razão. Há um esforço de compreender e valorizar as perspectivas do outro, de nossos vizinhos, às vezes adversários, e a disposição de assumir que em alguns casos, tivemos uma parcela de culpa nos conflitos e guerras na região do Rio da Prata.

5 – Qual o papel da diplomacia brasileira para a conformação de nosso atual território?

Se não fosse o êxito da diplomacia brasileira, o Brasil teria hoje um território de apenas um terço do atual e não seria um país continental capaz de fazer parte dos BRICS. A aceitação pacífica e a legalização da expansão territorial foram o produto da perseverança com que a diplomacia se dedicou à questão até 1910 mais ou menos. Atribui-se ao barão do Rio Branco a frase “território é poder”. É óbvio que território apenas, sem desenvolvimento, não representa grande coisa. O território, porém, é a condição que torna possível não só o poder, mas a soberania. Definir o território constitui o ato inaugural do relacionamento do país com o mundo. Sua importância é fundamental: a maioria das guerras teve origem em disputas territoriais. Consolidar o território pela diplomacia, sem guerra, faz uma diferença enorme no destino histórico de qualquer nação.

6 – O sr. enaltece no livro a chamada “diplomacia do conhecimento”. Por que?

Entre as histórias que conto no livro, uma ilustra bem como nossa diplomacia se baseou sempre no conhecimento. Uma vez, o médico de Rio Branco chegou de manhã ao Itamaraty e o encontrou de roupa amassada. Constrangido, o Barão apontou para um enorme mapa desdobrado no chão e confessou que tinha querido examinar detalhes do mapa e adormecera em cima dele. Esse episódio verídico explica o êxito da diplomacia na negociação dos limites do Brasil. As vitórias nas negociações e nas arbitragens foram preparadas por anos de busca e estudo de velhos mapas e documentos em arquivos e bibliotecas.

Foi graças a essa “diplomacia do conhecimento” e a métodos de “poder suave” como a negociação que o Brasil, país sem grande poder militar ou econômico, conquistou um território de vastidão continental e imensas riquezas naturais. Jamais teríamos chegado perto desse patrimônio se tivéssemos recorrido a meios militares.

 7 – Qual o balanço que o sr. faz de nossa diplomacia de 1750 até os dias de hoje?

Com seus acertos e erros, a diplomacia marcou profundamente cada uma das etapas definidoras de nossa história: a abertura dos portos, a independência, o fim do tráfico de escravos, a inserção no mundo pelo comércio, os fluxos migratórios, voluntários ou não, base da população, a consolidação da unidade nacional ameaçada pela instabilidade na região platina, a modernização, a industrialização e o desenvolvimento econômico.

 8 – A maior parte dos problemas enfrentados por nossos diplomatas durante o século XIX foi com os nossos vizinhos sul-americanos. Como o sr. avalia essa relação?

O que distingue o caráter internacional do Brasil é o grande número de vizinhos, dez, comparados aos Estados Unidos (dois), ao Canadá (um), à Austrália (nenhum). Além de muitos, esses vizinhos são heterogêneos, vão da Guiana Francesa ao Uruguai, do Suriname à Bolívia, do Peru à Guiana ex-inglesa. Conseguir estabelecer limites com todos por meio de negociação, transação, arbitragem, sem guerra de conquista, não é tarefa menor a ser subestimada. Basta comparar a experiência brasileira com a de outros países com numerosos vizinhos (Rússia, China, por exemplo). Em março de 2020, aniversário do fim da Guerra do Paraguai, o Brasil completará 150 anos sem nenhuma guerra com um vizinho. Quantos países poderão dizer o mesmo?

9 – E como o sr. explica esse êxito da política de fronteiras?

Pela opção não violenta da delimitação, a preparação cuidadosa, a continuidade na defesa de uma linha coerente de ação diplomática, a perseverança. A definição pacífica poupou ao Brasil a condição de refém de litígios fronteiriços que teriam paralisado boa parte da nossa capacidade de iniciativa diplomática. Também o senso de oportunidade de resolver relativamente cedo todas as questões pendentes criou condições para desenvolver diplomacia voltada não para resolver conflitos, mas para dar ao relacionamento com os vizinhos conteúdo concreto de cooperação e de comércio. A diplomacia precisa, para isso, saber captar a realidade exterior, interpretar corretamente o mundo e suas oportunidades. Em sentido inverso, necessita igualmente explicar o país ao mundo, torná-lo admirado, digno de atrair apoio político, de receber capitais, imigrantes, tecnologia."



PARA LER A ÍNTEGRA, ACESSE: http://www.mundorama.net/?p=23942

Mundorama. "A diplomacia na construção do Brasil – uma entrevista com Rubens Ricupero, por Paulo Roberto de Almeida". Mundorama - Revista de Divulgação Científica em Relações Internacionais,. [Acessado em 15/09/2017]. Disponível em: <http://www.mundorama.net/?p=23942>.


Leia também: ALMEIDA, Paulo Roberto A diplomacia na construção do Brasil – 1750-2016: livro de Rubens Ricupero (em breve). Diplomatizzando. [Acessado em 15/09/2017]. Disponível em: < http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2017/09/a-diplomacia-na-construcao-do-brasil.html

14/09/2017

Como é o estágio na DELBRASGEN?

Como é o estágio na DELBRASGEN? O clipping CACD publicou um relato da advogada e cacdista Lídia Dreher sobre sua experiência em Genebra, na Delegação Brasileira. Confiram, é bem interessante.





31/08/2017

Clube do Livro: Diplowife - Mês 08





"The hilarious memoirs of an undiplomatic wife. This is Cherry Denman's witty take on her life trailing husband Charlie round some of the most godforsaken outposts of the world. Illustrated by brilliantly funny cartoons of diplomatic life, this is a collection of clever and very funny tales of global misunderstanding."

21/08/2017

Exercício de Atividade Remunerada por parte de Dependentes

Decreto nº 9.134, de 18.8.2017 - Promulga o Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Italiana sobre o Exercício de Atividade Remunerada por parte de Dependentes Residentes do Pessoal Diplomático, Consular e Técnico-Administrativo, firmado em Roma, em 11 de novembro de 2008.

Decreto nº 9.133, de 18.8.2017 - Promulga o Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República da Turquia sobre o Trabalho Remunerado de Dependentes de Membros de Missões Diplomáticas e Repartições Consulares, firmado em Ancara, em 21 de outubro de 2010.

Decreto nº 9.132, de 18.8.2017 - Promulga o Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República da Polônia sobre o Exercício de Trabalho Remunerado por Membros da Família que Permanecem sob Sustento de Membro do Pessoal da Missão Diplomática ou da Repartição Consular, firmado em Brasília, em 26 de novembro de 2012.

16/08/2017

Livro "Direito da Concorrência", de Ana Frazão

LIVRO “DIREITO DA CONCORRÊNCIA” RESGATA DIÁLOGO COM PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA ORDEM ECONÔMICA
Crédito: Sérgio Lima

Obra da jurista Ana Frazão resgata diálogo com princípios constitucionais da ordem econômica

Juristas, economistas e estudantes têm uma nova fonte de estudo sobre economia de mercado: o livro Direito da Concorrência - Pressupostos e Perspectiva, da doutora em Direito Comercial Ana Frazão. A obra será publicada pela editora Saraiva e lançada, no próximo dia 23 de agosto no Espaço Cultural do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Ex-conselheira do CADE, a advogada Ana Frazão aborda a concorrência no contexto das relações do Direito, Economia e Política; o controle das estruturas corporativas e o controle das condutas praticadas no universo empresarial.

Em sete capítulos distribuídos por 512 páginas, o livro traz a perspectiva crítica e multidisciplinar da autora com foco na didática do assunto e noções básicas da área, bem como caminhos para a “desconstitucionalização” do Direito da Concorrência no Brasil. Trata também sobre a consecução dos objetivos esperados de uma economia de mercado na qual a livre-iniciativa e a busca da justiça social estão em permanente tensão, apresentando o debate de temas que estão em voga, como compliance e joint ventures.

A publicação destaca ainda o arcabouço legal do ilícito antitruste e apresenta aspectos específicos da matéria considerando o impacto da concorrência sobre a adequada alocação de bens sociais.

No prefácio, Calixto Salomão Filho, lança reflexão sobre a necessidade de reformas estruturais para garantir uma verdadeira transformação no combate ao abuso de poder econômico e aponta a sistematização de Ana Frazão como uma forma coerente de ver a matéria nas questões atuais de forma relevante para o desenvolvimento do antitruste.

Índice do Livro
- As finalidades do Direito da Concorrência
- O Direito da Concorrência no Contexto das Discussões sobre as relações entre Direito, Economia e Política
- Aspectos gerais do controle de estruturas
- Objetivo do Controle de Estruturas: os Grupos Societários
-Objetivo do Controle de Estruturas: os Grupos Contratuais
- O controle de condutas no Direito Brasileiro
- Tópicos especiais em Controle de Condutas


Informações para Imprensa:
Engenho Criatividade e Comunicação
Tel.: (61) 3242.1095, com Kátia Cubel ou Deniza Gurgel

31/07/2017

Clube do Livro: Diplowife - Mês 07


Brigid Keenan was a successful young London fashion journalist when she fell in love with a diplomat and left behind the gilt chairs of the Paris salons for a large chicken shed in Nepal. Her bestselling account of life as a “trailing spouse,” Diplomatic Baggage, won the hearts of thousands in countries all over the world.

Now, in her further adventures, we find Brigid in Kazakhstan, where AW, her husband, contracts Lyme disease from ticks, the local delicacy is horse meat sausage, and Brigid's visit to a market leads to a full-scale riot from which she requires a police escort. Then, as the prospect of retirement looms, Brigid finds herself on the cusp of a whole new world: shuttling between London, Brussels, and their last posting in Azerbaijan; navigating her daughters' weddings while coping with a cancer diagnosis; and getting a crash course in grandmotherhood as she helps organize a literature festival in Palestine.

Along the way, dauntless and wildly funny as ever, Brigid learns that packing up doesn't mean packing in as she discovers that retiring and moving back home could just be her biggest challenge yet.

19/07/2017

Pesquisa sobre o impacto da expatriação em casais

Para ler a pesquisa sobre o impacto da expatriação em casais e em suas carreiras, basta acessar http://bit.ly/2vo5h8T e clicar nos resultados da pesquisa, que estão divididos como na imagem abaixo. É bem interessante e vale a pena ler todos.


06/07/2017

Festa à Fantasia dos alunos IRBr 2017: como foi



Disclaimer: As imagens deste post e muitas outras tiradas pelo fotógrafo da festa estão disponíveis em: facebook.com/festaafantasia.irbr. Se alguém quiser que eu retire alguma imagem daqui do blog é só me enviar uma mensagem pelo formulário "fale comigo", do lado direito da página.



Se você costuma ler o blog (que anda desatualizado, eu sei) sabe que eu tenho participado de todas as edições da Festa à Fantasia dos Alunos do Instituto Rio Branco desde 2009. Se você não costuma ler o blog, ou se quer saber como foram as edições de 2009 a 2016, acesse o post "Como é a festa à fantasia do IRBr", é só clicar aqui.

Bem, agora que você já leu ou releu (ou não) o post, vamos falar da festa deste ano! 

A primeira coisa que você precisa saber é que o Clipping CACD publicou um post no blog deles, de autoria do Sec. Hudson Caldeira, antes da festa deste ano. Para passar lá e ler é só clicar aqui

O tema de 2017 foi "preferia star morta", o que abriu inúmeras possibilidades de fantasias que homenageavam famosos que já faleceram. Teve de tudo! Alguns dos meus favoritos no quesito criatividade e originalidade  foram o Freddie Mercury em "I want to break free", o padre dos balões, o casal  do famoso beijo e o Tupac. 

Pedro de Lara e Elke Maravilha
No quesito Brasil, Lampião e Maria Bonita estavam ótimos, assim como a Carmen Miranda, a Elke Maravilha, o Pedro de Lara e o Chacrinha. No quesito qualidade da maquiagem e fantasia (nossa, quase um Oscar isso aqui) os favoritos foram o Jack Esqueleto e Michael Jackson em "Thriller".

Eu e o meu marido fomos de Ayrton Senna e garota da linha de chegada (eu não estava em um dia de boas fotos... por isso não vou postar. kkkk). 


Presidentes, Cleópatra, Chacrinha, Bruce Lee, Che, Padre do Balão, .... todo mundo junto

Neste ano, conforme antecipado pelo blog do Clipping, as bebidas foram Vodka Ketel One, Gin Tanqueray, Espumante Casa Perini, Whisky Old Parr, Cerveja Budweiser, água, água de côco, refrigerantes, sucos, Caipiroskas (acerola com tangerina, limão, mel e cravo e abacaxi com limão siciliano), Aperol Spritz, Gin tônica (com ou sem opcionais), Tom Collins (gin, suco de limão, club soda e cereja) e drink temático. Para quem quisesse, tinham opções de Foodtruck (dentre eles a Hamburgueria do Cheff). A festa tinha uma pista de dança que estava muito boa, não sei quem era o DJ, mas estava bem agitada. 


Raul Seixas e Amy Whinehouse
A inovação desta turma foi a ideia de trazer presença vip, com a participação especial do diplomata Rômulo (Big Brother Brasil) -  que apesar de fantasiado estava reconhecível. 

JK e Freddie Mercury
Tupac e Carmen Miranda
Jack

Che Guevara

Casal do famoso beijo

Lampião e Maria Bonita

Michael Jackson em Thriller


E agora, é esperar a festa de 2018! 

30/06/2017

Clube do Livro: Diplowife - Mês 06



Prefácio da obra:

“Um jovem diplomata em princípio de carreira, um jovem casal nos primórdios de sua vida em comum, um jovem país às voltas com as primeiras décadas de sua independência… Eis o cenário e os personagens principais desse painel em que Eduardo Mello contrapõe, em uma delicada costura, a missão que o levaria à Guiné- Bissau ao universo, a um tempo mágico e heroico, que por lá encontrou. (…) Curiosamente, em que pesem tantos desafios e ameaças, o que emerge do texto é de uma leveza comovedora. E não apenas por força dos poemas (de grande sensibilidade) com que abre determinados capítulos, mas porque ele consegue narrar suas aventuras com simplicidade e humor, incorporando a elas vinhetas tão surpreendentes quanto pungentes. Eduardo tem igualmente o dom de dar vida a objetos inanimados. À certa altura, a troco de nada, “um pneu de caminhão, à venda na calçada, rebela-se, foge, desvia dos carros e cruza para o outro lado da rua”… Puro cinema.”

Edgar Teller Ribeiro

19/06/2017

Réu é condenado a 4 anos de prisão por depredar Itamaraty em protesto de 2013


"Quase quatro anos depois das manifestações que ocorreram contra o governo em todo o país, em junho de 2013, a Justiça Federal no Distrito Federal condenou um homem a 4 anos e 8 meses de prisão por ter lançado coquetel molotov no prédio do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília. A sentença foi proferida na terça-feira (30/5) e fixou pena em regime semiaberto, mais multa de R$ 949,20.  Na época, o ministério calculou os danos das depredações em mais de R$ 18 mil, segundo a Agência Brasil. Como o Ministério Público Federal não pediu a reparação dos danos, a decisão diz que o valor não foi fixado para garantir os princípios da celeridade e da economia processuais."

Leia a íntegra da notícia em: http://www.conjur.com.br/2017-jun-02/reu-condenado-prisao-depredar-itamaraty-protesto-2013

Acordos Promulgados Hoje

Decreto nº 9.080, de 16.6.2017 - Promulga a Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, de 23 de junho de 1979.

06/06/2017

Acordos promulgados hoje

Decreto nº 9.074, de 5.6.2017 - Promulga o Acordo de Cooperação Técnica entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Islâmica da Mauritânia, firmado em Brasília, em 17 de fevereiro de 2012.

Decreto nº 9.073, de 5.6.2017 - Promulga o Acordo de Paris sob a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, celebrado em Paris, em 12 de dezembro de 2015, e firmado em Nova Iorque, em 22 de abril de 2016.

01/06/2017

Acordos Promulgados Hoje

Decreto nº 9.065, de 31.5.2017 - Promulga o Acordo sobre Auxílio Jurídico Mútuo em Matéria Penal entre a República Federativa do Brasil e a República da Turquia, firmado em Ancara, em 7 de outubro de 2011.

31/05/2017

Clube do Livro: Diplowife - Mês 05




"Janice Y. K. Lee’s New York Times bestselling debut, The Piano Teacher, was called “immensely satisfying” by People, “intensely readable” by O, The Oprah Magazine, and “a rare and exquisite story” by Elizabeth Gilbert. Now, in her long-awaited new novel, Lee explores with devastating poignancy the emotions, identities, and relationships of three very different American women living in the same small expat community in Hong Kong.

Mercy, a young Korean American and recent Columbia graduate, is adrift, undone by a terrible incident in her recent past. Hilary, a wealthy housewife, is haunted by her struggle to have a child, something she believes could save her foundering marriage. Meanwhile, Margaret, once a happily married mother of three, questions her maternal identity in the wake of a shattering loss. As each woman struggles with her own demons, their lives collide in ways that have irreversible consequences for them all. Atmospheric, moving, and utterly compelling, The Expatriates confirms Lee as an exceptional talent and one of our keenest observers of women’s inner lives."

29/05/2017

Acordos Promulgados Hoje

Decreto nº 9.061, de 26.5.2017 -Promulga o Acordo de Coprodução Cinematográfica entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo do Estado de Israel, firmado em Brasília, em 11 de novembro de 2009.

12/05/2017

STF julga cotas em concursos públicos

"Após 5 votos favoráveis, julgamento sobre cotas no serviço público é suspenso

11 de maio de 2017, 20h42
Por Matheus Teixeira

É constitucional a Lei 12.990/2014, que reserva para negros 20% das vagas em concursos públicos, pois é dever do Estado fazer reparações históricas às pessoas que herdaram o peso e o custo social da escravidão. Assim votou, nesta quinta-feira (11/5), o ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso, relator da Ação Declaratória de Constitucionalidade 41, em defesa da chamada Lei de Cotas.

Outros quatros magistrados — Edson Fachin, Rosa Weber, Alexandre de Moraes e Luiz Fux — acompanharam o entendimento, mas a análise da ação foi suspensa porque Barroso teve de deixar o Plenário.

A ADC foi protocolada pela Ordem dos Advogados do Brasil, que afirma que a “legislação em apreço vem sendo alvo de controvérsias judiciais em diversas jurisdições do país, sob alegação de que as cotas são inconstitucionais”.

No voto, Barroso rebateu três argumentos contrários à legislação: o primeiro, que somente as cotas em universidades são válidas porque a educação é um direito universal; o segundo, que o ingresso no serviço público é tutelado por valores de interesse coletivo, não individual; e, por último, que ao facilitar a entrada de negros no ensino superior eles já disputariam em igualdade as vagas nos concursos públicos.

Das críticas às cotas, disse o relator, “essas são as únicas plausíveis, embora improcedentes”. Segundo ele, os três questionamentos foram enfrentados em 2014 "no magnífico voto" do ministro Ricardo Lewandowski, relator da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 186.

Políticas afirmativas

Após citar vários dados que tratam da desigualdade entre negros e brancos no país, Barroso afirmou que as políticas afirmativas são necessárias para combater as desigualdades. “Impossível alguém imaginar que é possível sair desse estado de coisas estruturalmente desfavorável sem algum tipo de ajuda institucional. Estatísticas comprovam que o racismo estrutural é muito gritante para que haja alguma dúvida.”

O ministro Edson Fachin concordou. “Acompanho integralmente o voto do relator. A hipótese tem assento constitucional, assento em documento internacional, há fundamento na literatura jurídica e essa Corte tem precedente na APDF 186.”

A ministra Rosa Weber lembrou que os salários da população negra equivalem, em média, à metade da remuneração dos brancos. Ela ainda ressaltou a importância de ações afirmativas. “Nessas linhas, considerada a principiologia e a regra expressa na constituição, eu não tenho como concluir de maneira diferente da que chegou o eminente relator”, explicou.

O mais novo integrante da corte, Alexandre de Moraes, também concordou com o relator, mas acredita que o STF deve esclarecer a interpretação a respeito do parágrafo único do artigo 2º da lei, que regula o tratamento àqueles que fizeram uma declaração falsa da sua própria cor.

“Além da autodeclaração, pode haver critérios étnicos de identificação para fins de concorrência e conter a fraude, e que seja efetivamente alcançado o objetivo, desde que respeite a dignidade da pessoa humana. Exemplos desses mecanismos são a exigência de autodeclaração presencial, exigência de fotos e formação de comissões com composição plural para entrevista posterior a autodeclaração”, afirmou.

Antes de encerrar a sessão, o ministro Luiz Fux apresentou os argumentos que o levaram a concordar com Barroso e deu a entender que esta é uma tese pacífica dentro do Supremo. “Diante de questões árduas e complexas que passa o STF, olhamos para uma causa dessa natureza e temos até vontade de afirmar: ‘Se todas fossem iguais a você’.”

A advogada-geral da União, Grace Mendoça, esteve presente e defendeu a lei atual. Admitidos como amici curiae na ação, o diretor do Instituto de Advocacia Racial e Ambiental, Humberto Adami, e o representante da Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes, Daniel Sarmento, também discursaram a favor das cotas."

ADC 41


Matheus Teixeira é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 11 de maio de 2017, 20h42


30/04/2017

Clube do Livro: Diplowife - Mês 04



"John Mahelm Berry Sill served as the American Minister to Korea (1894 1897) during an extremely turbulent period of Korean history. This book uses the personal correspondence between the Sills in Korea and their family in the United States to portray candidly life in not only the American contingent in Seoul, but also the Russian legation, where King Gojong and the crown prince sought refuge following the murder of Queen Min. The letters also provide evidence of the rumors and speculation that plagued the daily lives of Westerners in Seoul and the Korean community as well."

29/04/2017

Acordos promulgados Hoje

Decreto nº 9.039, de 27.4.2017 - Promulga a Convenção sobre a Obtenção de Provas no Estrangeiro em Matéria Civil ou Comercial, firmada em Haia, em 18 de março de 1970.

26/04/2017

Programa Iluminuras: entrevista com João Almino




Em edição especial, Iluminuras recebe o diplomata João Almino

"Eleito recentemente para a Academia Brasileira de Letras, o diplomata João Almino fala sobre o novo desafio, elege os escritores preferidos, conta detalhes dos livros que lançou e adianta pontos da próxima publicação. 

Ao longo da entrevista, ele lembra ainda como surgiu o interesse pela literatura, fala da influência do pai e revela os assuntos preferidos. Autor de 16 livros, entre eles seis romances, Almino coleciona prêmios, como o do “Instituto Nacional do Livro”, o “Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura” e o “Candango de Literatura”.

Formado em Direito, João Almino fez mestrado no Brasil e doutorado na França. Foi diretor do Instituto Rio Branco, que forma e capacita diplomatas e deu aula no Brasil, nos Estados Unidos e no México. "

31/03/2017

Clube do Livro: Diplowife - Mês 03




"Entangled in Yugoslavia - an Outsider's Memoir is a compelling combination of personal memoir as well as a portrait of a collapsing society. The author is a foreign service wife returning to Belgrade - the scene of a previous posting- to find that the society she had known as a peaceful, stable place under socialism, was caught up in political upheaval. This is an objective account relying on the testimonies of people coming from different national and class groups. The author travelled extensively in all the republics of the former Yugoslavia and became heavily involved in the psychological turmoil taking place, only to find release by participation in the international relief effort, working for Unicef to deliver supplies to war-torn areas."

30/03/2017

Acordos Promulgados Hoje

Decreto nº 9.014, de 29.3.2017 - Promulga o Acordo de Coprodução Cinematográfica entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, firmado em Brasília, em 28 de setembro de 2012.

09/03/2017

Embaixador João Almino é eleito para a ABL



Biografia

"Escritor e diplomata, João Almino nasceu em Mossoró, no Rio Grande do Norte, em 1950. É autor do Quinteto de Brasília, composto pelos romances Idéias para Onde Passar o Fim do Mundo (indicado para o Prêmio Jabuti, ganhador de Prêmio do Instituto Nacional do Livro e do Prêmio Candango de Literatura), Samba-Enredo, As Cinco Estações do Amor (Prêmio Casa de las Américas 2003), O Livro das Emoções (Record, 2008; finalista do 7º Prêmio Portugal Telecom de Literatura 2009 e finalista do 6º Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura 2009); Cidade Livre (Record, 2010; Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura 2011 de melhor romance publicado no Brasil entre 2009 e 2011; finalista do Jabuti e do Prêmio Portugal Telecom de Literatura 2011) e Enigmas da Primavera (Record, 2015; finalista do Prêmio Rio de Literatura 2016 e finalista do Prêmio São Paulo de Literatura 2016). Alguns de seus romances estão traduzidos para o inglês, o francês, o espanhol e o italiano. Seus escritos de história e filosofia política são referência para os estudiosos do autoritarismo e a democracia. Entre estes, incluem-se os livros Os Democratas Autoritários (1980), A Idade do Presente (1985), Era uma Vez uma Constituinte (1985) e O Segredo e a Informação (1986). É também autor de Naturezas Mortas – A Filosofia Política do Ecologismo (2004), de Brasil-EUA: Balanço Poético (1996), Escrita em contraponto (2008) e O diabrete angélico e o pavão: Enredo e amor possíveis em Brás Cubas (2009). Doutorou-se em Paris, orientado pelo filósofo Claude Lefort. Ensinou na UNAM (México), UnB, Instituto Rio Branco, Berkeley, Stanford e Universidade de Chicago.

Obras do autor:

Ficção:
  • Idéias para Onde Passar o Fim do Mundo, 1987.
  • Samba-Enredo, 1994.
  • As Cinco Estações do Amor, 2001.
  • O Livro das Emoções, 2008.
  • Cidade Livre, 2010.
  • Enigmas da Primavera, 2015.

Não-ficção:
  • Os Democratas Autoritários, 1980.
  • A Idade do Presente, 1985.
  • Era uma Vez uma Constituinte, 1985.
  • O Segredo e a Informação, 1986.
  • Brasil/EUA, Balanço Poético, 1997.
  • Literatura Brasileira e Portuguesa Ano 2000 (org. com Arnaldo Saraiva), 2000.
  • Rio Branco, a América do Sul e Modernização do Brasil (org. com Carlos Henrique Cardim), 2002.
  • Naturezas Mortas – A Filosofia Política do Ecologismo, 2004.
  • Escrita em Contraponto – Ensaios Literários, 2008.
  • O diabrete angélico e o pavão: Enredo e amor possíveis em Brás Cubas, 2009."


Autobiografia

Jornal de Letras, Lisboa, 12 de janeiro de 2011, p.12
Autobiografias
João Almino, Vida cigana

"Como o presente reescreve o passado e as histórias sempre se refazem, uma autobiografia é só o que rememoramos agora e, se deve caber em determinado número de caracteres, é uma pequena seleção do que rememoramos. Apesar disso, vistos de distintas formas, certos elementos de nossa biografia teimam em permanecer nas manifestações de nossas lembranças.

Minha literatura está cheia de biografias e memórias inventadas, e, se nunca havia feito autobiografia, foi por boas razões. O leitor exigente que me imaginava personagem de romance pode abandonar a leitura deste texto imediatamente, pois o que eu poderia contar de heróico, dramático ou apaixonante? Já o leitor capaz de associar sua curiosidade a uma dose de paciência, certo de que esta história não passará de duas páginas, pode querer saber que passei minha infância em Mossoró, no Rio Grande do Norte. Morava próximo ao centro, a poucas quadras do mercado central e da Catedral de Santa Luzia, numa época em que a cidade era relativamente pequena. Tanto assim que não havia por que temer atravessá-la a pé, sozinho, quando passava os domingos na casa de meus primos, no Alto da Conceição.

Parte dos brinquedos nós mesmos inventávamos. Carteiras de cigarro se transformavam em notas de dinheiro depositadas numa instituição financeira situada embaixo da mesa da sala. Disputava, em jogos, castanhas de caju. Esculpia com canivete meus cavalos de pau. Comprados em loja, não muito mais do que bolas de gude, um ou outro caminhão de madeira no natal, uma metralhadora de plástico após uma ida ao dentista ou lança-perfumes também de plástico durante os carnavais. Brincávamos nas ruas, nas calçadas, ou então me deitava no parapeito da varanda para ver as normalistas passarem. A cidade tinha orgulho de ser a segunda a libertar os escravos, e uma vez por ano eu entrava na fila para cumprimentar um ex-escravo de noventa anos, sentado num banco de praça.

Entre os fatos marcantes, destaco o de estar vivo, e não porque tenha escapado das bombas de Beirute quando lá vivi por dois anos em plena guerra, mas sim porque uma de minhas irmãs me salvou duas vezes: de um carro quase em frente à casa e de um forte choque elétrico, quando eu, aos três anos, com vocação científica precoce, desmontava um interruptor de luz.

Se tenho um lado sertanejo, vem de minha mãe. No sertão do Ceará, meu avô tinha uma fazenda, onde eu andava a cavalo e apostava corridas de cem metros. Era o lugar da liberdade, de rios secos no verão e de enchentes no inverno; de paisagens e histórias que caberiam num romance de José Lins do Rego. Andava de pés descalços e chegava das férias de joelhos ralados. Colhi algodão, debulhei feijão, e de noite, no escuro das calçadas, as histórias de alma me davam medo.

Tive sorte: vivi cercado de mulheres, o que, convenhamos, torna a vida menos monótona e mais divertida, cheia de histórias para contar, pois em geral suas conversas são mais ricas e emocionantes do que as de rodas masculinas. Com quatro irmãs e várias primas, não era raro ser convidado para ser padrinho de batismo de bonecas ou então o padre a oficiar o batismo. Meu único irmão, dezesseis anos mais velho, saiu de casa cedo para estudar. Com a morte de meu pai, quando eu tinha doze anos, fiquei eu, o caçula, em casa com minhas quatro irmãs e minha mãe.

Mudamo-nos então para os arredores de Fortaleza. Por essa época eu já não pensava em ser padre, mas sim arquiteto, jornalista, psicólogo e, como era bom em matemática, fui incentivado por meus professores a me preparar para engenharia. Mudei a tempo: estudei direito, administração e economia, concluindo o primeiro. O interesse pela pintura substituí pela fotografia, à qual me dedico um pouco até hoje; deixei a escrita de poesia para ser leitor de poesia, e o convívio com poetas me levou a envolver-me na elaboração de antologias. De forma insistente, havia a literatura e a diplomacia, carreiras que julgava compatíveis uma com a outra, talvez pela admiração que tinha por alguns diplomatas escritores, como João Cabral, Vinicius e Guimarães Rosa.

Queria sair do Ceará, morar no Rio, e o caminho mais certo passava pelo Instituto Rio Branco. No Rio sobrevivi dando aulas de inglês, o que já fazia em Fortaleza, onde dirigia um curso de línguas. Financiei minha viagem com um prêmio de um concurso nacional sobre direito de autor e mais a venda de um pequeno terreno que meu pai me deixou de herança e aluguei um quarto num apartamento do Catete.

Na hora de fazer mestrado, encaminhei-me para a sociologia, porque queria ler Marx e os marxistas franceses, alguns dos quais vim a encontrar na França anos depois, quando acompanhei e senti bem dentro de mim a chamada crise do marxismo na segunda metade dos anos setenta. Fiz meu doutorado em Paris numa época ainda marcada pelo marxismo e também pelo espírito de 68 e a cultura hippie, dos quais não fugi. Sartre ainda era vivo, frequentei as aulas de Foucault no Collège de France e seu seminário restrito, aulas esparsas de Barthes e de Bourdieu, mas o que mais me atraiu foi o grupo da antiga revista Socialisme ou Barbarie. Com Lefort, meu diretor de tese, aprendi não apenas a ler criticamente Maquiavel e Marx, mas também a respeitar algumas ideias liberais e conservadoras, de Tocqueville, Burke ou Aron, e descobri que os direitos humanos, os direitos sindicais, a liberdade de organização e de expressão não eram direitos burgueses: eram fundamentais para existência da sociedade. Daí surgiu Os Democratas Autoritários, que creio ter ajudado a lançar o debate sobre uma Assembléia Constituinte.

Mas o melhor de Paris foi que conheci minha mulher, Bia Wouk, que ali vivia como artista plástica. Eu morava na Notre Dame des Champs e frequentava o café Le Select, onde algumas páginas de meu primeiro romance, Ideias para Onde Passar o Fim do Mundo, foram escritas. O interesse pela literatura vinha de antes. Havia me acompanhado praticamente durante toda a minha vida. Com nove anos tive a ideia de escrever um livro e mostrei a meu pai cerca de cinquenta páginas escritas num caderno de escola. Acho que foi o entusiasmo dele com minha escrita meu primeiro grande incentivo para que crescesse aquele germe que pouco a pouco foi tomando conta de mim. Ele também me incutiu o gosto pela leitura. Nunca tinha freqüentado escola, foi um autodidata, mas lia muito. Numa pequena estante, dedicava uma meia prateleira a alguns livros de romancistas regionalistas do Nordeste, e várias a livros de história do Brasil.

Com minha história e por causa de minhas primeiras leituras, teria me enveredado pela literatura regionalista nordestina não fosse o desejo, mais forte, de não repetir o que já estava feito. Em 1985 o Brasil entrava numa nova fase política, e a literatura precisava renovar-se. Achei que Brasília, por ser cidade nova, sem tradição nem história dissociada do mito modernizador de seu projeto, se prestaria a uma literatura desenraizada, que retratasse as identidades múltiplas, cambiantes e em aberto e espelhasse algo que tenho chamado de universalismo descentrado. Daí surgiram os demais romances: Samba-Enredo, As Cinco Estações do Amor, O Livro das Emoções e o recém-publicado Cidade Livre. No lugar de histórias que me seguissem mundo afora, trouxe os lugares por onde passei àquele ponto de referência. Em Brasília, onde residi em três ocasiões e por um período total de dez anos, coloquei também o Nordeste e o mundo – ou pelo menos o mundo daquelas muitas andanças propiciadas pela diplomacia, carreira que também abracei e à qual dediquei muito de meu tempo e de minhas energias: além de Paris, Beirute, México, de onde voltamos em 1985 ao Brasil no momento da democratização, época em que nasceu nossa primeira filha, Letícia, hoje arquiteta; Washington, onde nasceu nossa filha mais nova, Elisa, que tudo indica se encaminha para uma carreira literária; São Francisco, Lisboa, Londres, Miami e Chicago. Sempre com o pé na estrada, portanto; vida cigana.

Algumas dessas cidades me propiciaram o convívio com a vida universitária. Dei aulas, de filosofia ou literatura, para continuar aprendendo: na Universidade de Brasília, Instituto Rio Branco, UNAM, Berkeley, Stanford e Universidade de Chicago, o que me levou a publicar, ao lado dos romances, livros de ensaios filosóficos ou literários. Entre os primeiros estão o O segredo e a informação e A idade do presente, e o mais recente é um livrinho sobre Machado: O diabrete angélico e o pavão.

Em meio a tantos interesses e lugares, a literatura tem sido minha companhia mais fiel, por ser igualmente companheira na alegria e na tristeza, na esperança e no desespero, na tranquilidade e na angústia. Escrevo ficção todos os dias. Publicar é fundamental, ter leitores também, mas o mais importante mesmo é escrever, como quem tem de fazer exercício físico diariamente, pois no meu caso a escrita é uma forma de organização do caos da vida".


Mais informações: g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/diplomata-joao-almino-e-eleito-para-a-vaga-de-ivo-pitanguy-na-abl.ghtml