19/06/2017

Réu é condenado a 4 anos de prisão por depredar Itamaraty em protesto de 2013


"Quase quatro anos depois das manifestações que ocorreram contra o governo em todo o país, em junho de 2013, a Justiça Federal no Distrito Federal condenou um homem a 4 anos e 8 meses de prisão por ter lançado coquetel molotov no prédio do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília. A sentença foi proferida na terça-feira (30/5) e fixou pena em regime semiaberto, mais multa de R$ 949,20.  Na época, o ministério calculou os danos das depredações em mais de R$ 18 mil, segundo a Agência Brasil. Como o Ministério Público Federal não pediu a reparação dos danos, a decisão diz que o valor não foi fixado para garantir os princípios da celeridade e da economia processuais."

Leia a íntegra da notícia em: http://www.conjur.com.br/2017-jun-02/reu-condenado-prisao-depredar-itamaraty-protesto-2013

Acordos Promulgados Hoje

Decreto nº 9.080, de 16.6.2017 - Promulga a Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, de 23 de junho de 1979.

06/06/2017

Acordos promulgados hoje

Decreto nº 9.074, de 5.6.2017 - Promulga o Acordo de Cooperação Técnica entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Islâmica da Mauritânia, firmado em Brasília, em 17 de fevereiro de 2012.

Decreto nº 9.073, de 5.6.2017 - Promulga o Acordo de Paris sob a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, celebrado em Paris, em 12 de dezembro de 2015, e firmado em Nova Iorque, em 22 de abril de 2016.

01/06/2017

Acordos Promulgados Hoje

Decreto nº 9.065, de 31.5.2017 - Promulga o Acordo sobre Auxílio Jurídico Mútuo em Matéria Penal entre a República Federativa do Brasil e a República da Turquia, firmado em Ancara, em 7 de outubro de 2011.

31/05/2017

Clube do Livro: Diplowife - Mês 05




"Janice Y. K. Lee’s New York Times bestselling debut, The Piano Teacher, was called “immensely satisfying” by People, “intensely readable” by O, The Oprah Magazine, and “a rare and exquisite story” by Elizabeth Gilbert. Now, in her long-awaited new novel, Lee explores with devastating poignancy the emotions, identities, and relationships of three very different American women living in the same small expat community in Hong Kong.

Mercy, a young Korean American and recent Columbia graduate, is adrift, undone by a terrible incident in her recent past. Hilary, a wealthy housewife, is haunted by her struggle to have a child, something she believes could save her foundering marriage. Meanwhile, Margaret, once a happily married mother of three, questions her maternal identity in the wake of a shattering loss. As each woman struggles with her own demons, their lives collide in ways that have irreversible consequences for them all. Atmospheric, moving, and utterly compelling, The Expatriates confirms Lee as an exceptional talent and one of our keenest observers of women’s inner lives."

29/05/2017

Acordos Promulgados Hoje

Decreto nº 9.061, de 26.5.2017 -Promulga o Acordo de Coprodução Cinematográfica entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo do Estado de Israel, firmado em Brasília, em 11 de novembro de 2009.

28/05/2017

Festa à Fantasia dos alunos do IRBr 2017

Durante a semana, vou contar tudo sobre essa tradicional festa. Um leitor do blog me perguntou onde comprar certa fantasia, então, seguem as informações.

http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-698776454-bone-ayrton-senna-nacional-brim-retr-_JM
https://www.facebook.com/arconfeccao



12/05/2017

STF julga cotas em concursos públicos

"Após 5 votos favoráveis, julgamento sobre cotas no serviço público é suspenso

11 de maio de 2017, 20h42
Por Matheus Teixeira

É constitucional a Lei 12.990/2014, que reserva para negros 20% das vagas em concursos públicos, pois é dever do Estado fazer reparações históricas às pessoas que herdaram o peso e o custo social da escravidão. Assim votou, nesta quinta-feira (11/5), o ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso, relator da Ação Declaratória de Constitucionalidade 41, em defesa da chamada Lei de Cotas.

Outros quatros magistrados — Edson Fachin, Rosa Weber, Alexandre de Moraes e Luiz Fux — acompanharam o entendimento, mas a análise da ação foi suspensa porque Barroso teve de deixar o Plenário.

A ADC foi protocolada pela Ordem dos Advogados do Brasil, que afirma que a “legislação em apreço vem sendo alvo de controvérsias judiciais em diversas jurisdições do país, sob alegação de que as cotas são inconstitucionais”.

No voto, Barroso rebateu três argumentos contrários à legislação: o primeiro, que somente as cotas em universidades são válidas porque a educação é um direito universal; o segundo, que o ingresso no serviço público é tutelado por valores de interesse coletivo, não individual; e, por último, que ao facilitar a entrada de negros no ensino superior eles já disputariam em igualdade as vagas nos concursos públicos.

Das críticas às cotas, disse o relator, “essas são as únicas plausíveis, embora improcedentes”. Segundo ele, os três questionamentos foram enfrentados em 2014 "no magnífico voto" do ministro Ricardo Lewandowski, relator da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 186.

Políticas afirmativas

Após citar vários dados que tratam da desigualdade entre negros e brancos no país, Barroso afirmou que as políticas afirmativas são necessárias para combater as desigualdades. “Impossível alguém imaginar que é possível sair desse estado de coisas estruturalmente desfavorável sem algum tipo de ajuda institucional. Estatísticas comprovam que o racismo estrutural é muito gritante para que haja alguma dúvida.”

O ministro Edson Fachin concordou. “Acompanho integralmente o voto do relator. A hipótese tem assento constitucional, assento em documento internacional, há fundamento na literatura jurídica e essa Corte tem precedente na APDF 186.”

A ministra Rosa Weber lembrou que os salários da população negra equivalem, em média, à metade da remuneração dos brancos. Ela ainda ressaltou a importância de ações afirmativas. “Nessas linhas, considerada a principiologia e a regra expressa na constituição, eu não tenho como concluir de maneira diferente da que chegou o eminente relator”, explicou.

O mais novo integrante da corte, Alexandre de Moraes, também concordou com o relator, mas acredita que o STF deve esclarecer a interpretação a respeito do parágrafo único do artigo 2º da lei, que regula o tratamento àqueles que fizeram uma declaração falsa da sua própria cor.

“Além da autodeclaração, pode haver critérios étnicos de identificação para fins de concorrência e conter a fraude, e que seja efetivamente alcançado o objetivo, desde que respeite a dignidade da pessoa humana. Exemplos desses mecanismos são a exigência de autodeclaração presencial, exigência de fotos e formação de comissões com composição plural para entrevista posterior a autodeclaração”, afirmou.

Antes de encerrar a sessão, o ministro Luiz Fux apresentou os argumentos que o levaram a concordar com Barroso e deu a entender que esta é uma tese pacífica dentro do Supremo. “Diante de questões árduas e complexas que passa o STF, olhamos para uma causa dessa natureza e temos até vontade de afirmar: ‘Se todas fossem iguais a você’.”

A advogada-geral da União, Grace Mendoça, esteve presente e defendeu a lei atual. Admitidos como amici curiae na ação, o diretor do Instituto de Advocacia Racial e Ambiental, Humberto Adami, e o representante da Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes, Daniel Sarmento, também discursaram a favor das cotas."

ADC 41


Matheus Teixeira é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 11 de maio de 2017, 20h42


30/04/2017

Clube do Livro: Diplowife - Mês 04



"John Mahelm Berry Sill served as the American Minister to Korea (1894 1897) during an extremely turbulent period of Korean history. This book uses the personal correspondence between the Sills in Korea and their family in the United States to portray candidly life in not only the American contingent in Seoul, but also the Russian legation, where King Gojong and the crown prince sought refuge following the murder of Queen Min. The letters also provide evidence of the rumors and speculation that plagued the daily lives of Westerners in Seoul and the Korean community as well."

29/04/2017

Acordos promulgados Hoje

Decreto nº 9.039, de 27.4.2017 - Promulga a Convenção sobre a Obtenção de Provas no Estrangeiro em Matéria Civil ou Comercial, firmada em Haia, em 18 de março de 1970.

26/04/2017

Programa Iluminuras: entrevista com João Almino




Em edição especial, Iluminuras recebe o diplomata João Almino

"Eleito recentemente para a Academia Brasileira de Letras, o diplomata João Almino fala sobre o novo desafio, elege os escritores preferidos, conta detalhes dos livros que lançou e adianta pontos da próxima publicação. 

Ao longo da entrevista, ele lembra ainda como surgiu o interesse pela literatura, fala da influência do pai e revela os assuntos preferidos. Autor de 16 livros, entre eles seis romances, Almino coleciona prêmios, como o do “Instituto Nacional do Livro”, o “Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura” e o “Candango de Literatura”.

Formado em Direito, João Almino fez mestrado no Brasil e doutorado na França. Foi diretor do Instituto Rio Branco, que forma e capacita diplomatas e deu aula no Brasil, nos Estados Unidos e no México. "

31/03/2017

Clube do Livro: Diplowife - Mês 03




"Entangled in Yugoslavia - an Outsider's Memoir is a compelling combination of personal memoir as well as a portrait of a collapsing society. The author is a foreign service wife returning to Belgrade - the scene of a previous posting- to find that the society she had known as a peaceful, stable place under socialism, was caught up in political upheaval. This is an objective account relying on the testimonies of people coming from different national and class groups. The author travelled extensively in all the republics of the former Yugoslavia and became heavily involved in the psychological turmoil taking place, only to find release by participation in the international relief effort, working for Unicef to deliver supplies to war-torn areas."

30/03/2017

Acordos Promulgados Hoje

Decreto nº 9.014, de 29.3.2017 - Promulga o Acordo de Coprodução Cinematográfica entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, firmado em Brasília, em 28 de setembro de 2012.

09/03/2017

Embaixador João Almino é eleito para a ABL



Biografia

"Escritor e diplomata, João Almino nasceu em Mossoró, no Rio Grande do Norte, em 1950. É autor do Quinteto de Brasília, composto pelos romances Idéias para Onde Passar o Fim do Mundo (indicado para o Prêmio Jabuti, ganhador de Prêmio do Instituto Nacional do Livro e do Prêmio Candango de Literatura), Samba-Enredo, As Cinco Estações do Amor (Prêmio Casa de las Américas 2003), O Livro das Emoções (Record, 2008; finalista do 7º Prêmio Portugal Telecom de Literatura 2009 e finalista do 6º Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura 2009); Cidade Livre (Record, 2010; Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura 2011 de melhor romance publicado no Brasil entre 2009 e 2011; finalista do Jabuti e do Prêmio Portugal Telecom de Literatura 2011) e Enigmas da Primavera (Record, 2015; finalista do Prêmio Rio de Literatura 2016 e finalista do Prêmio São Paulo de Literatura 2016). Alguns de seus romances estão traduzidos para o inglês, o francês, o espanhol e o italiano. Seus escritos de história e filosofia política são referência para os estudiosos do autoritarismo e a democracia. Entre estes, incluem-se os livros Os Democratas Autoritários (1980), A Idade do Presente (1985), Era uma Vez uma Constituinte (1985) e O Segredo e a Informação (1986). É também autor de Naturezas Mortas – A Filosofia Política do Ecologismo (2004), de Brasil-EUA: Balanço Poético (1996), Escrita em contraponto (2008) e O diabrete angélico e o pavão: Enredo e amor possíveis em Brás Cubas (2009). Doutorou-se em Paris, orientado pelo filósofo Claude Lefort. Ensinou na UNAM (México), UnB, Instituto Rio Branco, Berkeley, Stanford e Universidade de Chicago.

Obras do autor:

Ficção:
  • Idéias para Onde Passar o Fim do Mundo, 1987.
  • Samba-Enredo, 1994.
  • As Cinco Estações do Amor, 2001.
  • O Livro das Emoções, 2008.
  • Cidade Livre, 2010.
  • Enigmas da Primavera, 2015.

Não-ficção:
  • Os Democratas Autoritários, 1980.
  • A Idade do Presente, 1985.
  • Era uma Vez uma Constituinte, 1985.
  • O Segredo e a Informação, 1986.
  • Brasil/EUA, Balanço Poético, 1997.
  • Literatura Brasileira e Portuguesa Ano 2000 (org. com Arnaldo Saraiva), 2000.
  • Rio Branco, a América do Sul e Modernização do Brasil (org. com Carlos Henrique Cardim), 2002.
  • Naturezas Mortas – A Filosofia Política do Ecologismo, 2004.
  • Escrita em Contraponto – Ensaios Literários, 2008.
  • O diabrete angélico e o pavão: Enredo e amor possíveis em Brás Cubas, 2009."


Autobiografia

Jornal de Letras, Lisboa, 12 de janeiro de 2011, p.12
Autobiografias
João Almino, Vida cigana

"Como o presente reescreve o passado e as histórias sempre se refazem, uma autobiografia é só o que rememoramos agora e, se deve caber em determinado número de caracteres, é uma pequena seleção do que rememoramos. Apesar disso, vistos de distintas formas, certos elementos de nossa biografia teimam em permanecer nas manifestações de nossas lembranças.

Minha literatura está cheia de biografias e memórias inventadas, e, se nunca havia feito autobiografia, foi por boas razões. O leitor exigente que me imaginava personagem de romance pode abandonar a leitura deste texto imediatamente, pois o que eu poderia contar de heróico, dramático ou apaixonante? Já o leitor capaz de associar sua curiosidade a uma dose de paciência, certo de que esta história não passará de duas páginas, pode querer saber que passei minha infância em Mossoró, no Rio Grande do Norte. Morava próximo ao centro, a poucas quadras do mercado central e da Catedral de Santa Luzia, numa época em que a cidade era relativamente pequena. Tanto assim que não havia por que temer atravessá-la a pé, sozinho, quando passava os domingos na casa de meus primos, no Alto da Conceição.

Parte dos brinquedos nós mesmos inventávamos. Carteiras de cigarro se transformavam em notas de dinheiro depositadas numa instituição financeira situada embaixo da mesa da sala. Disputava, em jogos, castanhas de caju. Esculpia com canivete meus cavalos de pau. Comprados em loja, não muito mais do que bolas de gude, um ou outro caminhão de madeira no natal, uma metralhadora de plástico após uma ida ao dentista ou lança-perfumes também de plástico durante os carnavais. Brincávamos nas ruas, nas calçadas, ou então me deitava no parapeito da varanda para ver as normalistas passarem. A cidade tinha orgulho de ser a segunda a libertar os escravos, e uma vez por ano eu entrava na fila para cumprimentar um ex-escravo de noventa anos, sentado num banco de praça.

Entre os fatos marcantes, destaco o de estar vivo, e não porque tenha escapado das bombas de Beirute quando lá vivi por dois anos em plena guerra, mas sim porque uma de minhas irmãs me salvou duas vezes: de um carro quase em frente à casa e de um forte choque elétrico, quando eu, aos três anos, com vocação científica precoce, desmontava um interruptor de luz.

Se tenho um lado sertanejo, vem de minha mãe. No sertão do Ceará, meu avô tinha uma fazenda, onde eu andava a cavalo e apostava corridas de cem metros. Era o lugar da liberdade, de rios secos no verão e de enchentes no inverno; de paisagens e histórias que caberiam num romance de José Lins do Rego. Andava de pés descalços e chegava das férias de joelhos ralados. Colhi algodão, debulhei feijão, e de noite, no escuro das calçadas, as histórias de alma me davam medo.

Tive sorte: vivi cercado de mulheres, o que, convenhamos, torna a vida menos monótona e mais divertida, cheia de histórias para contar, pois em geral suas conversas são mais ricas e emocionantes do que as de rodas masculinas. Com quatro irmãs e várias primas, não era raro ser convidado para ser padrinho de batismo de bonecas ou então o padre a oficiar o batismo. Meu único irmão, dezesseis anos mais velho, saiu de casa cedo para estudar. Com a morte de meu pai, quando eu tinha doze anos, fiquei eu, o caçula, em casa com minhas quatro irmãs e minha mãe.

Mudamo-nos então para os arredores de Fortaleza. Por essa época eu já não pensava em ser padre, mas sim arquiteto, jornalista, psicólogo e, como era bom em matemática, fui incentivado por meus professores a me preparar para engenharia. Mudei a tempo: estudei direito, administração e economia, concluindo o primeiro. O interesse pela pintura substituí pela fotografia, à qual me dedico um pouco até hoje; deixei a escrita de poesia para ser leitor de poesia, e o convívio com poetas me levou a envolver-me na elaboração de antologias. De forma insistente, havia a literatura e a diplomacia, carreiras que julgava compatíveis uma com a outra, talvez pela admiração que tinha por alguns diplomatas escritores, como João Cabral, Vinicius e Guimarães Rosa.

Queria sair do Ceará, morar no Rio, e o caminho mais certo passava pelo Instituto Rio Branco. No Rio sobrevivi dando aulas de inglês, o que já fazia em Fortaleza, onde dirigia um curso de línguas. Financiei minha viagem com um prêmio de um concurso nacional sobre direito de autor e mais a venda de um pequeno terreno que meu pai me deixou de herança e aluguei um quarto num apartamento do Catete.

Na hora de fazer mestrado, encaminhei-me para a sociologia, porque queria ler Marx e os marxistas franceses, alguns dos quais vim a encontrar na França anos depois, quando acompanhei e senti bem dentro de mim a chamada crise do marxismo na segunda metade dos anos setenta. Fiz meu doutorado em Paris numa época ainda marcada pelo marxismo e também pelo espírito de 68 e a cultura hippie, dos quais não fugi. Sartre ainda era vivo, frequentei as aulas de Foucault no Collège de France e seu seminário restrito, aulas esparsas de Barthes e de Bourdieu, mas o que mais me atraiu foi o grupo da antiga revista Socialisme ou Barbarie. Com Lefort, meu diretor de tese, aprendi não apenas a ler criticamente Maquiavel e Marx, mas também a respeitar algumas ideias liberais e conservadoras, de Tocqueville, Burke ou Aron, e descobri que os direitos humanos, os direitos sindicais, a liberdade de organização e de expressão não eram direitos burgueses: eram fundamentais para existência da sociedade. Daí surgiu Os Democratas Autoritários, que creio ter ajudado a lançar o debate sobre uma Assembléia Constituinte.

Mas o melhor de Paris foi que conheci minha mulher, Bia Wouk, que ali vivia como artista plástica. Eu morava na Notre Dame des Champs e frequentava o café Le Select, onde algumas páginas de meu primeiro romance, Ideias para Onde Passar o Fim do Mundo, foram escritas. O interesse pela literatura vinha de antes. Havia me acompanhado praticamente durante toda a minha vida. Com nove anos tive a ideia de escrever um livro e mostrei a meu pai cerca de cinquenta páginas escritas num caderno de escola. Acho que foi o entusiasmo dele com minha escrita meu primeiro grande incentivo para que crescesse aquele germe que pouco a pouco foi tomando conta de mim. Ele também me incutiu o gosto pela leitura. Nunca tinha freqüentado escola, foi um autodidata, mas lia muito. Numa pequena estante, dedicava uma meia prateleira a alguns livros de romancistas regionalistas do Nordeste, e várias a livros de história do Brasil.

Com minha história e por causa de minhas primeiras leituras, teria me enveredado pela literatura regionalista nordestina não fosse o desejo, mais forte, de não repetir o que já estava feito. Em 1985 o Brasil entrava numa nova fase política, e a literatura precisava renovar-se. Achei que Brasília, por ser cidade nova, sem tradição nem história dissociada do mito modernizador de seu projeto, se prestaria a uma literatura desenraizada, que retratasse as identidades múltiplas, cambiantes e em aberto e espelhasse algo que tenho chamado de universalismo descentrado. Daí surgiram os demais romances: Samba-Enredo, As Cinco Estações do Amor, O Livro das Emoções e o recém-publicado Cidade Livre. No lugar de histórias que me seguissem mundo afora, trouxe os lugares por onde passei àquele ponto de referência. Em Brasília, onde residi em três ocasiões e por um período total de dez anos, coloquei também o Nordeste e o mundo – ou pelo menos o mundo daquelas muitas andanças propiciadas pela diplomacia, carreira que também abracei e à qual dediquei muito de meu tempo e de minhas energias: além de Paris, Beirute, México, de onde voltamos em 1985 ao Brasil no momento da democratização, época em que nasceu nossa primeira filha, Letícia, hoje arquiteta; Washington, onde nasceu nossa filha mais nova, Elisa, que tudo indica se encaminha para uma carreira literária; São Francisco, Lisboa, Londres, Miami e Chicago. Sempre com o pé na estrada, portanto; vida cigana.

Algumas dessas cidades me propiciaram o convívio com a vida universitária. Dei aulas, de filosofia ou literatura, para continuar aprendendo: na Universidade de Brasília, Instituto Rio Branco, UNAM, Berkeley, Stanford e Universidade de Chicago, o que me levou a publicar, ao lado dos romances, livros de ensaios filosóficos ou literários. Entre os primeiros estão o O segredo e a informação e A idade do presente, e o mais recente é um livrinho sobre Machado: O diabrete angélico e o pavão.

Em meio a tantos interesses e lugares, a literatura tem sido minha companhia mais fiel, por ser igualmente companheira na alegria e na tristeza, na esperança e no desespero, na tranquilidade e na angústia. Escrevo ficção todos os dias. Publicar é fundamental, ter leitores também, mas o mais importante mesmo é escrever, como quem tem de fazer exercício físico diariamente, pois no meu caso a escrita é uma forma de organização do caos da vida".


Mais informações: g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/diplomata-joao-almino-e-eleito-para-a-vaga-de-ivo-pitanguy-na-abl.ghtml

07/03/2017

Série Jovens: o nosso futuro. Entrevista com Dani Black

Em 2017, iniciamos uma nova série de entrevistas aqui no blog, intitulada "Jovens: o nosso futuro". Nela, jovens de 18 a 30 anos contarão suas histórias, expressarão suas opiniões e nos contarão o que têm feito para melhorar o mundo em que vivemos. No primeiro post, conhecemos Alexandre Netto e no segundo, Eduarda Zoghbi. Neste terceiro, a entrevistada é Dani Black. 




Dani Black é Moradora da cidade de Ceilândia, tem 28 anos, três dos quais dedicados à militância de jovens e mulheres. Sou ativista de um movimento negro e de tudo que é ligado à juventude, principalmente a juventude negra e periférica. O meu papel vai ser levar uma indagação, reflexões e perguntas para o encontro, baseados nas vivências e experiências que tenho como jovem nascida e criada na Ceilândia.



PERGUNTA: Vamos saber um pouco mais sobre sua atuação, Dani Black?

Dani Black: Sou formada em Administração de Empresas, membra desde 2013 do Curso de Promotoras Legais Populares do Distrito Federal, Projeto de Extensão da Universidade de Brasília e Núcleo de Gênero Pró-Mulher do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. Onde atualmente sou uma das Coordenadoras. Fiz parte de um coletivo interracial periférico formado por mulheres de Ceilândia de 2014 a 2015. 

Membra da primeira turma do Projeto Embaixadores da Juventude, fruto da parceria do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) da Caixa Seguradora, com o objetivo desenvolver competências e habilidades como liderança, capacidade crítica e comunicação a fim de formar jovens com capacidade de envolver-se em pautas políticas e técnicas a respeito de melhores práticas e políticas públicas voltadas à juventude em âmbito nacional e internacional. 

Sou também microempreendedora da empresa Coroa Abayomi onde atuo como turbantista, artesã, fazendo palestras motivacionais e de empoderamento de pessoas, principalmente de negras e periféricas. Foi Terapeuta Comunitária do programa Jovem de Expressão onde estou responsável pelo Fala Jovem, uma roda de terapia, baseada na terapia comunitária (metodologia brasileira). Através de rodas de conversas onde como terapeuta, estimulava a reflexão com trocas de experiências entre os participantes.

Brasiliense, me dedico aos temas em que milito e estudo sobre questões de gênero e emponderamento de mulheres no Curso de extensão PLPS da Universidade de Brasília.

“Nós somos os mais afetados pela falta de segurança, saúde, bem-estar e representatividade. Como sou mulher preta e periférica se bem como é a realidade dessas pessoas e procuro sempre ser muito ativa naquilo que defendo. Acredito que a melhor forma de se preparar é ser fiel e verdadeiro à luta, pensando sempre no próximo e nas pessoas que  represento”. 

Estou sempre em contato com a juventude da minha comunidade e de outros locais, tendo recebido total apoio de toda a região nos trabalhos que faço.



Luta e Resistência Preta Periférica

Dani Black: Eu cheguei ao Jovem de Expressão por meio de um coletivo. Recebi o convite para ser terapeuta comunitária depois de muitos trabalhos que realizei dentro do projeto. O que me levou realmente a lutar pelas causas da juventude negra periférica foi que há três anos eu perdi o meu irmão de 19 anos, ele era o caçula da família e foi assassinado. A morte dele foi planejada e o caso ainda não foi solucionado, quem o matou continua livre. Ele também sofreu muita violência policial, algo comum no nosso cotidiano. A maneira que eu encontrei de me levantar depois disso foi participar de movimentos que pudesse trazer melhoras para a população negra. Hoje eu luto por mim, por ele e para que jovens como meu irmão não vão embora sem experimentar o bom da vida e que não tenham seus direitos feridos. É muito pessoal falar desses temas, eu luto sempre por mim e pensando no meu coletivo. A juventude preta e periférica é o meu foco, luto por tudo aquilo que eu enfrento todos os dias.




Coroa Abayomi

A palavra ABAYOMI tem origem, IORUBÁ. Abayomi quer dizer aquela (e) que traz, felicidade.

Dani Black: A escola itinerante de cultura afrobrasileira Coroa Abayomi, atua nas periferias do DF desde 2014 objetivando uma conversa franca sobre o estímulo à beleza negra, debatendo contexto histórico e ancestralidade a  partir de referências cotidianas, históricas e periféricas. A partir da utilização da técnica “Ojá” - tipo de torço ou turbante usado na cabeça em religiões tradicionais africanas, afro-americanas e afro-brasileiras - e da Roda de Terapia Comunitária Integrativa (TCI) a Coroa Abayomi desenvolve um diálogo autêntico e horizontal que proporciona aos participantes reconstruções das formas de ver e sentir o mundo a partir de conexões com sua ancestralidade e historicidade.


COROA ABAYOMI, um encontro precioso com os ancestrais.

Dani Black tem a Kamila Silva como parceira e colaboradora do Coroa Abayomi.

Kamila Silva Nascimento, é moradora da QNL e tem 23 anos. Mulher preta, graduanda em Terapia Ocupacional pela UnB/FCE, estuda música e cultura afrobrasileira nas horas vagas.  Apaixonada por artes visuais e desenho animado, formou-se em teatro e jornalismo comunitário pelo Jovem de Expressão, espaço onde, no primeiro semestre de 2016, trabalhou como professora voluntária no pré-vestibular solidário. Na UnB, colabora com o grupo de estudos e debate NegroSUS, que discute temáticas raciais e questões de gênero aplicadas ao Sistema Único de Saúde (SUS). Participa do projeto de extensão universitária Promotoras Legais Populares (PLP) que atua no combate à opressões de gênero e raça através da educação popular. Colaboradora/Artesã na empresa Coroa Abayomi.




Contatos:


Quer saber mais sobre a Dani Black? 
Acesse os links de entrevistas que ela deu para diferentes mídias


Por onde ando...



Sei que não tenho escrito muito no blog. Faz bastante tempo que quero escrever sobre a primeira remoção da turma do meu marido, mas os últimos meses têm sido bastante agitados. Entre artigos acadêmicos e entrevistas, tenho tentado retomar a minha carreira após a pausa que fiz. Mas não se preocupem, em breve teremos coisas novinhas em folha. 

03/03/2017

Acordos Promulgados Hoje

Decreto nº 8.996, de 2.3.2017 - Dispõe sobre a execução do Quinquagésimo Segundo Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 35 (52PA-ACE35), firmado entre a República Federativa do Brasil, a República Argentina, a República do Paraguai e a República Oriental do Uruguai, Estados Partes do Mercosul, e a República do Chile.

28/02/2017

Coisas com o nome Diplomata - Parte III

Seguindo na série "Coisas com o nome Diplomata", apresento a vocês receitas de?

Carne à diplomata
www.tudogostoso.com.br/receita/104498-carne-a-diplomata.html

Doce tipo diplomata
www.tudogostoso.com.br/receita/5996-doce-tipo-diplomata.html

Receita de diplomata (!?!)
cybercook.uol.com.br/receita-de-diplomata-r-99-98225.html


Clube do Livro: Diplowife - Mês 02



"When Pamela O'Cuneen heard her diplomat husband was being transferred to Suriname, her first reaction was: 'Suri-where?' Neither she nor anyone she spoke to had heard of the country. Having spent sixteen years in Africa - a story told in her first book, Culture Shock and Canapes - she was prepared for surprises, but Suriname, the mysterious land of seven cultures, proved to be a multi-layered experience that tested all her powers of cultural adaptation. Hummingbirds in My Hair describes Pamela's move from rainforest Suriname to carnivalesque Trinidad where, beneath the sound of steel pans and soca music, a dark and violent history of enslaved people still influences politics today. Those who read and enjoyed Culture Shock and Canapes will welcome this second episode of diplomatic travels and travails, revealing that what goes on inside embassy walls in developing countries is not just endless champagne and silver spoons. The book unrolls with humour, delighting in a lively procession of multicultural characters and animals, and includes a variety of recipes collected along the way..."

21/02/2017

Duplas Sertanejas com nome Chanceler ou Diplomata

Na música sertaneja os nomes "Diplomata" e "Chanceler" são famosos para duplas. Vamos conhecer três delas?


CHANCELER E DIPLOMATA




CHANCELLER E MONTENEGRO





ZÉ DA VIOLA E DIPLOMATA



20/02/2017

Diplomatas Famosos: Oswaldo Aranha - Parte III

"Na primeira sessão especial da Assembléia Geral da ONU, em 1947, Oswaldo Aranha inaugurou a tradição -que se mantém até hoje- de ser um brasileiro o primeiro orador daquele foro internacional.

Oswaldo Euclides de Souza Aranha era um dos 11 filhos do coronel Euclides de Souza Aranha e de Luiza de Freitas Valle Aranha, proprietários da estância Alto Uruguai, no município gaúcho de Itaqui.

Freqüentou a faculdade de direito, aproximando-se dos colegas que se ligavam às oposições, embora o pai fosse do partido situacionista. Manteve também intensa atividade política contra o então presidente da República, marechal Hermes da Fonseca.

Em princípios de 1917, instalou banca em Uruguaiana. Até 1923, dedicou-se quase exclusivamente à advocacia, obtendo alto conceito profissional. Getúlio Vargas (também advogado, formado em 1907) costumava consultá-lo, e os dois chegaram a ter clientes em comum.

Pouco depois de haver fixado residência em Uruguaiana, Aranha casou com Delminda Benvinda Gudolle, com quem teria quatro filhos.

Começou a carreira política como intendente da cidade de Alegrete e depois subchefe de polícia de Porto Alegre e deputado federal. Em novembro de 1927, com a eleição de Vargas para o governo do Rio Grande do Sul, Aranha foi convidado a ocupar a Secretaria do Interior e da Justiça.

Tornou-se um dos principais articuladores da Revolução de 1930, que começou em Porto Alegre em 3 de outubro daquele ano. Uma semana depois, Getúlio Vargas passou o poder do estado para Oswaldo Aranha, antes de rumar para Ponta Grossa (PR), onde estabeleceu seu quartel-general e assumiu o comando das forças revolucionárias em marcha para o Rio de Janeiro, então capital da República.

Em 1931, Aranha tornou-se ministro da Justiça e da Fazenda. Criou o "Esquema Aranha", que se destinava a evitar o aumento da dívida externa e possibilitou uma redução real dos débitos. Foi embaixador em Washington entre 1933 e 1937 e ministro das Relações Exteriores a partir de 1938.

Como chanceler, colocou o Brasil ao lado dos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial, conseguindo importantes vantagens políticas e econômicas que estimularam nossa industrialização.

Em 1947, como chefe da delegação brasileira na ONU, defendeu a criação do Estado de Israel. Sempre preocupado com questões de segurança nacional, promoveu o pan-americanismo e estreitou o relacionamento com a Argentina. No Itamaraty, pôs a diplomacia brasileira no caminho da análise política internacional e destacou a utilização do comércio e demais atividades econômicas como instrumentos da política externa.

Em 1953, a convite de Getúlio Vargas, voltou ao Ministério da Fazenda, onde criou o "Plano Aranha", que visava a agilizar o mecanismo fazendário e fiscal, adotar uma política orçamentária e codificar o direito tributário e a lei orgânica do crédito público.

Após o suicídio de Vargas (agosto de 1954), Oswaldo Aranha afastou-se da vida pública, retornando ao escritório de advocacia. Em 1956, já no governo Kubitschek, foi convidado a participar da delegação brasileira na ONU, mas recusou. No ano seguinte, porém, aceitou novo convite, sendo nomeado chefe da delegação brasileira na 12ª Assembléia Geral das Nações Unidas.

Em 1958, seu nome foi cogitado para concorrer ao Senado, tanto pelo Distrito Federal quanto pelo Rio Grande do Sul. Dois anos depois, concorreu à Vice-Presidência da República na chapa do general Henrique Teixeira Lott, mas veio a morrer em 27 de janeiro."

Fonte: 

09/02/2017

Acordos Promulgados Hoje

Decreto nº 8.984, de 8.2.2017 - Promulga o Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte para Evitar a Dupla Tributação de Salários, Ordenados e Outras Remunerações Auferidas por Membro de Tripulação de Aeronave Operada em Tráfego Internacional, firmado em Brasília, em 2 de setembro de 2010.

07/02/2017

Programa Iluminuras: entrevista com Felipe Fortuna


Sopa Leão Veloso

Seguindo na gastronomia com nomes de diplomatas, hoje conheceremos a Sopa Leão Veloso.

"Leão Veloso foi diplomata. Atuou em diversos países e quando representou o Brasil na França, teve contato com um prato típico da região do Mediterrâneo: a Bouillabaisse! Sopa feita pelos pescadores do Porto de Marselha, geralmente com peixes menos nobres, que não tinham muito valor comercial… Voltando ao Brasil, resolveu introduzir a receita por aqui e. como devia ser muito modesto, a batizou com seu nome. Com algumas mudanças começou a desenvolver a receita utilizando a cabeça de Cherne e Camarões para o Caldo. Foi no Restaurante do Rodriguez, no Rio de Janeiro, que a sopa tomou forma. A maneira de preparo é quase idêntica a da Boillabaisse.. ficando de fora o Açafrão.. talvez por motivos econômicos, sabe-se lá…Aqui é normalmente servida com peixe, camarões, mariscos, lula e polvo, mas a receita varia conforme a disponibidade de cada ingrediente." Fonte e receita completa: http://www.obagastronomia.com.br/sopa-leao-veloso

Vale muito a pena conhecer o restaurante onde a sopa foi inventada e ouvir a história narrada pelo dono do estabelecimento. O link para o vídeo é https://globoplay.globo.com/v/3932104.

Para uma abordagem mais divertida, assistam a este programa, a partir de 1 minuto de vídeo. 





06/02/2017

Diplomatas famosos: Pedro Leão Veloso Neto

"Pedro Leão Veloso Neto nasceu em Pindamonhangaba (SP) no dia 13 de janeiro de 1887, filho de Pedro Leão Veloso Filho, fazendeiro em São Paulo, advogado, professor de direito, juiz, promotor público, presidente da província de Alagoas de julho a agosto de 1888, chefe de polícia do Paraná em 1884 e de São Paulo em 1889, redator-chefe do Correio da Manhã, onde escrevia sob o pseudônimo de Gil Vidal, e deputado federal de 1906 a 1917. Seu avô, o conselheiro Pedro Leão Veloso, foi durante o Império deputado provincial, conselheiro de estado, senador, ministro e presidente das províncias do Espírito Santo, Alagoas, Maranhão, Rio Grande do Norte, Piauí, Pará e Ceará. Seu primo Pedro Leão Veloso Wähmann foi presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro de 1975 a 1978,

Pedro Leão Veloso Neto diplomou-se em 1907 pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, ingressando em seguida na diplomacia, como auxiliar do Tribunal Arbitral Brasileiro-Peruano. Em janeiro de 1908, passou a auxiliar do Tribunal Arbitral Brasileiro-Boliviano, reunido no Rio de Janeiro para apurar o montante das indenizações devidas ao Brasil em virtude do Tratado de Petrópolis, que ratificou a soberania brasileira sobre o Acre.

Em janeiro de 1910, foi nomeado segundo-secretário, servindo no Ministério das Relações Exteriores, no Rio, até outubro de 1911, quando foi designado para a embaixada do Brasil em Roma. Permaneceu na capital italiana até abril de 1913. De junho daquele ano a fevereiro de 1916, serviu como segundo-secretário em Paris. Promovido a primeiro-secretário, transferiu-se em julho de 1916 para a embaixada em Berna. Designado conselheiro em abril de 1918, retornou a Paris. De maio de 1918 a agosto de 1919, serviu como primeiro-secretário na capital francesa.

Com o fim da Primeira Guerra Mundial, foi instalada, em janeiro de 1919, a Conferência de Paz de Versalhes. A delegação brasileira era chefiada por Epitácio Pessoa e dela fazia parte Leão Veloso, como primeiro-secretário, função que exerceu até agosto. Nomeado então encarregado de negócios em Copenhague, representou o Brasil na Dinamarca até março de 1920. Em abril do mesmo ano voltou para Roma, no posto de primeiro-secretário e depois como encarregado de negócios. De março de 1923 a março de 1926, foi encarregado de negócios em Paris.

De volta ao Brasil, assumiu, em novembro de 1926, no início do governo de Washington Luís, a chefia de gabinete do ministro das Relações Exteriores, Otávio Mangabeira.

Em julho de 1928, representou o governo brasileiro na solenidade de posse do presidente do Paraguai.

Em abril de 1929, foi promovido a ministro-residente e designado para servir em Pequim. Permaneceu no entanto na chefia do gabinete de Mangabeira até a deposição do governo de Washington Luís pela Revolução de 1930, em 24 de outubro.

No início de 1931, promovido a ministro plenipotenciário de segunda classe, seguiu para Pequim como embaixador extraordinário. Em fevereiro de 1934, foi promovido a ministro plenipotenciário de primeira classe, permanecendo na China até novembro de 1935. Transferido para Tóquio como embaixador em comissão, ficou no Japão até março de 1939. Removido para Roma, chefiou a representação brasileira na Itália até fevereiro de 1941, retornando então ao Brasil. No ano seguinte, chefiou o Departamento Diplomático e Consular do Itamarati.

Em julho de 1942, um mês antes de o Brasil declarar guerra às potências do Eixo, Leão Veloso passou a ocupar o cargo de secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, exercendo-o até agosto de 1944. Em setembro de 1943, foi indicado para servir junto à Comissão de Emergência para a Defesa Política do Continente. Foi também diretor da Seção de Segurança Nacional do Ministério das Relações Exteriores.

Em 24 de agosto de 1944, Pedro Leão Veloso assumiu em caráter interino o Ministério das Relações Exteriores, em substituição ao chanceler Osvaldo Aranha, que se demitira desgastado por conflitos internos com a cúpula do regime e em protesto pelo fechamento da Sociedade Amigos da América.

Como ministro interino, ainda em 1944 manteve conversações em Washington com o embaixador soviético nos EUA, Andrei Gromiko, visando ao estabelecimento de relações entre o Brasil e a URSS, o que veio a ocorrer através de protocolo formado pelos dois países em março de 1945.

Em fevereiro de 1945, Pedro Leão Veloso presidiu a delegação brasileira à Conferência Interamericana sobre Problemas da Guerra e da Paz, em Chapultepec, México. Em abril do mesmo ano, chefiou a representação brasileira à Conferência de São Francisco, nos Estados Unidos, que aprovou a criação da Organização das Nações Unidas (ONU).

Em setembro de 1945, o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Adolf Berle Júnior, num discurso pronunciado no Hotel Quitandinha, em Petrópolis, comentou as próximas eleições brasileiras, manifestando-se contrário à idéia da Constituinte sem a renovação do Executivo ou seja, da Constituinte com Getúlio. A ingerência de um diplomata estrangeiro na política interna provocou uma onda de protestos e a reação do governo brasileiro. Leão Veloso conversou com Berle sobre o caso. Escrevendo a Carlos Martins, embaixador em Washington, o chanceler brasileiro contou que Berle se justificara dizendo que falava como amigo do Brasil e que se sentira no dever de advertir os brasileiros sobre a maneira de sentir do público norte-americano. Diante do veemente protesto do Itamarati junto ao Departamento de Estado norte-americano, entretanto, o governo de Harry Truman removeu Adolf Berle Júnior de seu posto no Rio de Janeiro.

Manteve-se à frente da pasta das Relações Exteriores, formalmente sempre como ministro interino, até a deposição do governo Vargas, em outubro de 1945. Entretanto, o novo presidente provisório, José Linhares, o confirmou no cargo, que exerceu até 31 de janeiro de 1946, início do governo do presidente Eurico Dutra, quando foi substituído por João Neves da Fontoura.

Em março de 1946, Pedro Leão Veloso foi nomeado representante do Brasil no Conselho de Segurança da ONU.

Faleceu no dia 16 de janeiro de 1947 em Nova Iorque, como embaixador brasileiro na ONU.

Robert Pechman
FONTES: ABRANCHES, J. Governos; BLAKE, A. Dic.; CONSULT. MAGALHÃES, B.; Efemérides paulistas; Encic. Mirador; Estado de S. Paulo (17/1/47); FICHÁRIO PESQ. M. AMORIM; Grande encic. Delta; GUIMARÃES, A. Dic.; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; INST. NAC. LIVRO. Índice; Jornal do Comércio, Rio (26/2/41, 17/1/42, 17, 22 e 23/1/47); LEITE, A. História; MIN. REL. EXT. Anuário (1947)."





02/02/2017

Acordos Promulgados Hoje

Decreto nº 8.979, de 1º.2.2017 - Dispõe sobre a execução do Quinquagésimo Oitavo Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 35 (58PA-ACE35), firmado entre a República Federativa do Brasil, a República Argentina, a República do Paraguai e a República Oriental do Uruguai, Estados Partes do Mercosul, e a República do Chile.

31/01/2017

Série Jovens: o nosso futuro. Entrevista com Eduarda Zoghbi

Eduarda na Brazil Conferece, com o Jorge Paulo Lemann
Em 2017, iniciamos uma nova série de entrevistas aqui no blog, intitulada "Jovens: o nosso futuro". Nela, jovens de 18 a 30 anos contarão suas histórias, expressarão suas opiniões e nos contarão o que têm feito para melhorar o mundo em que vivemos. No primeiro post, conhecemos Alexandre Netto.

No segundo post da série, entrevistarei Eduarda Zoghbi, brasiliense, de 23 anos, que é super ativa e engajada. Ela trabalha no Engajamundo, na Brazil Conference e leciona inglês na Estrutural. Vamos saber um pouco mais sobre ela e sobre o seu trabalho?

Pergunta: Duda, conte-nos um pouco sobre sua história pessoal.

EDUARDA: Talvez uma das partes mais importantes da minha trajetória tenha sido a escola que estudei, a Escola das Nações. Como desde criança me aproximei muito de crianças de vários países, sempre tive a curiosidade de morar fora e me relacionar mais com pessoas que tivessem o perfil diferente do meu. Em 2009, resolvi fazer intercâmbio para a Dinamarca porque tive vontade de viver em um "país de primeiro mundo" e entender melhor o porquê que essa realidade não ocorre no Brasil. A experiência foi muito boa e me abriu várias portas, como por exemplo, me fez perceber aos 16 anos que eu tinha paixão pelo meio ambiente. Na época que fui estava acontecendo a COP15 em Copenhague, e mesmo me esforçando muito para ir, não consegui, mas resolvi me empenhar para lutar contra as mudanças climáticas. Ainda com esse objetivo, decidi entrar no curso de ciência política na Universidade de Brasília para que eu me preparasse para em um futuro próximo, tomar decisões nessa área de meio ambiente pelo meu país. 

Na faculdade eu estudei muito, participei de todos os projetos oferecidos pelo meu curso como extensão, empresa júnior e pesquisa. Apesar de tudo isso, a melhor experiência que tive na faculdade foi ter estagiado na Embaixada do Reino Unido nas áreas de mudanças climáticas e energia. Minha monografia acabou sendo nesse tema, e durante o estágio, me convenceram a participar de uma competição mundial da ONU que, caso eu ganhasse, me levaria a COP21 (como expliquei acima, esse era um dos meus maiores sonhos). Para ganhar, o meu vídeo no youtube deveria ser o mais visualizado da competição. Entrei em contato com todas as mídias de Brasília, apareci em jornais, em vários canais e páginas no Facebook, incluindo do Ministério do Meio Ambiente. Eu estava em primeiro lugar, até que nos últimos três dias, fui ultrapassada e perdi.

Foi bem triste, mas como quando uma porta se fecha, outra se abre, eu contei essa história em uma outra competição para ser embaixadora da Brazil Conference e ganhei! Essa conferência é realizada por alunos de graduação e pós-graduação de Harvard e do MIT, e lá eles debatem alguns dos maiores problemas do Brasil. Como embaixadora, meu objetivo era de conscientizar os jovens e levar esses debates para a universidade. Assim o fiz, e em julho de 2016 palestrei no JEWC, maior evento de empresas juniores do mundo. No mesmo mês fiz um curso na Universidade de Utrecht, na Holanda, sobre governança climática. 

Mas a maior conquista de todas aconteceu através do Engajamundo, ONG criada por jovens, para jovens, que busca engajar os jovens brasileiros a fim de encontrar soluções sustentáveis para os problemas no nosso meio ambiente. Eu participo como articuladora no Grupo de Trabalho de Clima, e a partir de uma seleção interna, fui escolhida para ir para a COP22 (mesma conferência que tentei quanto estava na Dinamarca). Foi um dos melhores momentos da minha vida/carreira porque conheci stakeholders de vários países e também pude trabalhar na parte de advocacy do Engajamundo, conversando com deputados, senadores e com o próprio Ministro do Meio Ambiente.





Pergunta: Fale sobre o trabalho que você faz no Engajamundo. O que você acha que te marcou mais?

EDUARDA: Tenho três principais projetos que são o Engajamundo, a Brazil Conference e o Inglês na Estrutural. Neste último, eu dou aula de inglês para crianças da Cidade Estrutural há 2 anos. 

No Engajamundo eu atuo como articuladora da ONG, ou seja, implemento projetos, realizo formações sobre meio ambiente em Brasília e participo das reuniões do grupo de trabalho de clima – foi através do GT que fui escolhida para participar da COP22. Atualmente, estou também trabalhando no “Engajasutra” que é o núcleo de advocacy do Engajamundo. Por enquanto, existem apenar os posicionamentos da ONG, mas como sou formada em ciência política, estou ajudando a estruturar o acompanhamento de projetos no legislativo e também a defesa de interesses para que a gente possa atuar no Congresso como todas as outras ONGs, conseguindo apoio para as nossas pautas.


Eduarda no pavilhão da China na COP22 falando sobre o Engajamundo

Pergunta: O que a motiva a realizar esses trabalhos?

EDUARDA: Eu acredito que o trabalho remunerado é uma forma que contribuímos com o nosso crescimento profissional, ao passo que o trabalho voluntário contribui para o nosso crescimento pessoal. Portanto não há nada mais gratificante do que participar de um projeto voluntário, porque essa é a forma que você encontra de contribuir para a sua comunidade. Pra mim a maior doença dos brasileiros é de reclamar de tudo que temos aqui, nos comparar com a Europa e os Estados Unidos, sendo que ninguém faz nem o mínimo para mudar essa realidade. Eu uso o meio ambiente apenas como exemplo, mas note a quantidade de pessoas com boa renda que ainda jogam lixo no chão porque "todo mundo joga". Essa falta de compromisso com o próximo é o que nos impede de melhorar. 

No Engajamundo, especialmente na área de defesa de interesses, acho de extrema importância que os jovens tenham maior representatividade no Congresso, especialmente porque essa pauta do meio ambiente vai impactar muito a nossa geração. Então como cientista política, acho que é meu dever atuar dessa forma em projetos que eu acredito, porque assim quem sabe, estaremos inspirando outras ONGs formadas por jovens à participarem mais da formulação das nossas políticas.


Pergunta: Qual foi a experiência que mais te marcou no trabalho voluntário?

EDUARDA: No inglês da estrutural a melhor experiência foi na reunião de pais, quando ouvi dos pais dos meus alunos que eles contam os dias para ter a aula de inglês e que ficam morrendo de saudades nas férias <3

No Engajamundo foi sem dúvidas ter participado da COP22! Um sonho que tenho desde os 16 anos se concretizou apenas com 23, e de fato foi tudo que eu esperava. Fiquei muito impressionada com a voz que a juventude conquistou nesse tipo de evento. Acredito que é esse tipo de união entre jovens do mundo todo que faz a diferença na hora de pressionar governos a tomarem melhores decisões para o meio ambiente.

Em geral, eu acho que o mais me marca no trabalho voluntário é ver os resultados de todo o seu esforço. Querendo ou não, você está ajudando alguém, ajudando pessoas a mudarem de mentalidade, sair da sua zona de conforto, e dedicando mais tempo pensando no próximo. No momento em que esse trabalho tem retorno é uma sensação muito boa, de que você é ÚTIL e está fazendo a sua parte. Tanto no inglês vendo crianças que talvez nunca tivessem a oportunidade de ter aulas cantando músicas e lendo livros sozinhos, quanto no Engajamundo, conscientizando jovens da importância de fazermos nossa parte, cuidando do nosso planeta, e vendo eles reproduzirem isso entre os amigos e familiares. 


Projeto do Inglês na Estrutural

Pergunta: Se você pudesse dar um recado para quem, como você, quer fazer a diferença no mundo, qual seria?

EDUARDA: Eu diria para não desistirem! Vejo tanta gente idealizando projetos maravilhosos, mas nunca tem força de vontade para seguir adiante. É difícil mesmo, por isso é importante sair da zona de conforto e procurar pessoas que pensem como você, que tenham mentes empreendedoras, e que querem ver o nosso país melhorar botando a mão na massa. Pode não parecer, mas já tem muitos jovens no nosso país comprometidos com essa mudança. Eu sou uma delas, e participo de três grandes projetos que todos têm esse perfil. Além disso, tenho amigos que me perguntam onde voluntariar, mas não sabem onde começar. Eu sempre respondo que o importante é primeiro saber o que você quer fazer para contribuir: é melhorar o transporte público? Ajudar na educação da sua comunidade? Construir casas? Enfim, são milhares de opções e todas já acontecem a sua volta sem você perceber, e hoje com a internet, está muito fácil de encontrar essas organizações. Se ela não existir, por que não começar uma do zero? Fica a dica :) 


Contatos:
Engajamundo: facebook.com/engajamundo 
Inglês na Estrutural:  facebook.com/inglesnaestrutural
Brazil Conference: facebook.com/brazilconference

Clube do Livro: Diplowife - Mês 01




"A young Australian working girl from London struggles to adapt to diplomatic life among the royal courtiers of Swaziland, in post-independence Zimbabwe and in Angola amid the gunfire of the civil war. She accompanies her husband, the striding KJ, on his African postings together with two English bull terriers and a large, redoubtable African tabby cat. As each country unfolds its challenges and discoveries she shares her delight, her wry humour, and keen sense of the ridiculous. In a darker mood we follow KJ in Somalia during the famine and in Rwanda after the genocide. The book will appeal to travellers; to those who have worked overseas and coped with culture shock. The writer, a psychologist, delves into history and sociology, revels in the bizarre and includes recipes collected along the way" 

28/01/2017

Filé Oswaldo Aranha

Você sabia que o Filé Oswaldo Aranha foi criado para o diplomata Oswaldo Aranha? Assista ao vídeo e conheça o motivo de o prato ter esse nome. 

Diplomatas Famosos: Oswaldo Aranha - Parte II



Neste segundo post, transcrevo notícia da Folha.

"Nesta terça-feira (20), o presidente Michel Temer faz o discurso de abertura da 71ª Assembleia Geral da ONU, mantendo a tradição segundo a qual o Brasil é responsável pela fala inaugural do evento. A deferência remonta aos primórdios da ONU, quando Oswaldo Aranha, então chefe da delegação brasileira, presidiu a Primeira Sessão Especial da Assembleia, em 1947.

Na oportunidade, foi aprovada a criação do Estado de Israel, com voto favorável do Brasil.

Por sua atuação, Aranha teve seu nome cogitado como possível candidato ao Prêmio Nobel da Paz, com apoio de 15 delegações de países integrantes da União Pan-americana, e de entidades sionistas norte-americanas.

De 1938 a 1944, durante o primeiro governo de Getúlio Vargas, foi ministro das Relações Exteriores.

Como chanceler, promoveu uma política gradual, mas contínua, de aproximação com os Estados Unidos. Esse movimento, iniciado com a assinatura de importantes acordos comerciais, acabou levando à colaboração entre os dois países na área militar e, afinal, ao alinhamento brasileiro com o governo norte-americano durante a Segunda Guerra Mundial.



Nascido em Alegrete (RS), em 15 de fevereiro de 1894, Oswaldo Euclides de Sousa Aranha formou-se pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, em 1916.

Começou a carreira política em 1925, como intendente de Alegrete. Em 1927, elegeu-se deputado federal pelo Partido Republicano Rio-grandense. No ano seguinte, com a posse de Getúlio Vargas no governo do Rio Grande do Sul, foi nomeado secretário estadual do Interior e Justiça.

Foi um dos principais articuladores da Revolução de 1930, que depôs o então presidente Washington Luís –encerrando o período conhecido como República Velha– e levou à ascensão de Getúlio Vargas ao poder. No novo governo, Oswaldo Aranha ocupou inicialmente o Ministério da Justiça.

No final de 1931, assumiu o Ministério da Fazenda, onde renegociou a dívida externa brasileira e transferiu para o governo federal a condução da política de valorização do café, implementada por meio da compra dos estoques excedentes do produto.

Foi nomeado embaixador em Washington em 1934, permanecendo no posto até 1937.

Em junho de 1953, durante o segundo governo Vargas, voltou a assumir o Ministério da Fazenda, onde implementou um programa de recuperação da economia que ficou conhecido como "plano Aranha".

Após o suicídio de Vargas, em 1954, afastou-se da vida pública, retornando a seu escritório de advocacia. Em 1957, durante o governo de Juscelino Kubitscheck, Aranha voltou a chefiar a delegação brasileira na Assembleia Geral da ONU.

Morreu em 27 de janeiro de 1960, no Rio de Janeiro."

Diplomatas Famosos: Oswaldo Aranha





"Há 57 anos, em 27 de janeiro de 1960, faleceu Oswaldo Euclides de Souza Aranha. Nascido em 1894, na cidade de Alegrete-RS, graduou-se em Direito, no Rio de Janeiro, em 1916.

Durante sua trajetória política, Oswaldo Aranha atuou em diversos cargos: foi ministro da Justiça,ministro da Fazenda por duas vezes, embaixador em Washington e ministro das Relações Exteriores, entre outros. Liderou a chamada Missão Aranha, quando negociou uma série de acordos entre Brasil e EUA.

Chefiou a delegação brasileira nas Nações Unidas e presidiu, em 1948, a Assembleia-Geral da ONU, durante a sessão que culminou na criação do Estado de Israel. Em virtude da sua atuação na ONU, o Brasil passou a ocupar o posto de primeiro orador da sessão anual de abertura da Assembleia-Geral, tradição mantida até os dias de hoje.

Saiba mais sobre Oswaldo Aranha por meio da coleção "Pensamento Diplomático Brasileiro", da Fundação Alexandre de Gusmão - FUNAG (www.funag.gov.br), disponível para download gratuito: goo.gl/q7pgim"

Fonte: https://www.facebook.com/ItamaratyGovBr

Série Jovens: o nosso futuro. Entrevista com Alexandre Netto

Hoje iniciamos uma nova série de entrevistas aqui no blog, intitulada "Jovens: o nosso futuro". Nela, jovens de 18 a 30 anos contarão suas histórias, expressarão suas opiniões e nos contarão o que têm feito para melhorar o mundo em que vivemos. 

O nosso primeiro entrevistado é Alexandre Netto, gaúcho, nascido em Bagé, e tem 25 anos. Em 2016, concluiu o curso Embaixadores da Juventude, organizado pelo UNODC e pela Caixa Seguradora. Ele é criador do BYE Program e faz parte do Árvore do Bairro. Vamos conhecê-lo melhor, e também ao trabalho que ele realiza?

Crédito: Jovem de Expressão

Pergunta: Alexandre, conte-nos um pouco sobre sua história pessoal.

ALEXANDRE: Sempre fui uma criança tímida de poucos amigos, entrei na adolescência fazendo um pouco mais de amizades, porém, nunca fui uma pessoa popular na escola.

Meus pais se divorciaram quando tinha 3 anos, fui criado pela minha mãe e visitava meu pai nas férias da escola. Muitos dos meus esforços enquanto adolescente eram para criar um link com meu pai, por isso tentei a todo custo virar um jogador de futebol. Futebol virou minha obsessão por um bom tempo. Comecei tarde com essa obsessão, aos 13 para ser mais específico, quando cheguei aos meus 16, notei que eu não tinha o que era necessário para ser um jogador. 

Ao final dos 16, fui convidado para um retiro de jovens de uma Igreja Evangélica, lá fui apresentado à fé, e, a partir desse dia tudo mudou. Eu considero essa parte da minha vida uma fase bem complexa, por que eu não fui somente apresentado à fé, eu também fui apresentado ao microfone. Foi nessa época que tive minha primeira oportunidade de falar em público, e para minha surpresa, pelo menos com o microfone na mão e pessoas me olhando, eu não era mais aquele garoto tímido de poucos amigos. Era como se eu pudesse naquele momento, em frente às pessoas, me transformar em um novo eu, um eu mais corajoso, forte, inteligente e descolado. A essa fase sou grato, porém, por ter sido uma experiência que durou por volta de 3 anos, acabei perdendo alguns amigos, deixando de lado minha adolescência para que com 18 anos pudesse encaixar-me em uma posição que 99% das pessoas que exerciam tal função tinham mais de 40 anos. Entretanto, há momentos em que vale a pena perder coisas para poder ganhar lá na frente outras, e eu ganhava a habilidade de fazer o conhecimento palpável, fazer pessoas entenderem, mal sabia eu que essa capacidade traçaria o rumo da minha vida.

Saí dessa fase direto para a faculdade, onde cursei Teologia, o curso era interno e em outro estado do Brasil, mais precisamente em Santa Luzia (MG). Lá desenvolvi um trabalho de 2 anos em um presídio de adultos e uma unidade para adolescentes em conflito com a lei, a qual mais me ensinou a ser um ser humano melhor. Finalizei meu curso e vim direto para Brasília, onde minha noiva morava, nos casamos e desde então comecei a trabalhar com Inglês. 

Nessa época eu não tinha nenhuma plataforma de fala e o inglês me devolveu algo que eu já sentia muita falta, falar em público, ensinar, conectar-me com pessoas através do conhecimento. Trabalhei em algumas escolas, cada qual com sua metodologia, porém todas com a mesma crença; viam os alunos com a mesma visão dos portugueses ao avistar os índios.

Tive o privilégio de nessas idas e vindas em escolas de inglês conhecer um mestre para a vida, o dono de uma escola que me ajudou não somente a entender melhor o ensino como entender a mim mesmo. Saí dessa escola que tanto aprendi para começar uma caminhada, que tem sido revolucionária a cada momento.

Desenvolvi um método de ensino baseado em coisas que faltavam nas escolas que trabalhei, banhado em um valioso princípio ensinado por um de meus chefes: “O ensino precisa respeitar as dimensões culturais de cada lugar, sem isso não há aprendizado”.


Imagem: Programa Embaixadores da Juventude. Crédito: Jovem de Expressão


Pergunta: Como foi a experiência no curso organizado pela Organização das Nações Unidas? O que ele mudou na sua vida? Em que momento da sua história você foi selecionado?

ALEXANDRE: Após o desenvolvimento desse método fui selecionado para participar de um curso promovido pelo UNODC em parceria com a Caixa Seguradora, chamado Embaixadores da Juventude.

Foram pouco mais de mil inscritos, desses mil 24 foram selecionados e para minha completa surpresa eu era um deles. Estar lá, olhar para cada colega, cada um com suas características, dores, reivindicações e principalmente suas diferenças fez desse curso o maior breakthrough da minha vida. As aulas me permitiram entender melhor o cenário político internacional e o trabalho da ONU dentro dessa sopa de letrinhas chamada cenário político internacional, cada um com sua língua, moeda, valores, religião. Tive contato com dados que desconhecia, dados que quase me fizeram chorar, porém, em meio ao desespero gerado por alguns números nascia uma vontade imensa de fazer a diferença no mundo e me posicionar como um cidadão do mundo, alguém que vai do micro ao macro em pequenas coisas.

Um ponto interessante desse curso foi o momento da minha vida no qual fui selecionado, eu estava cumprindo aviso prévio em minha antiga empresa, tinha decidido sair para construir uma vida na qual eu me orgulhasse, impregnada de meus valores e que pudesse de alguma forma gerar vida em mim e nas pessoas ao meu redor. Cumpri meu aviso prévio e vivi a pior uma semana da minha vida, dormia e acordava pensando qual seria meu próximo passo sem saber como sair desse labirinto sofri. Uma semana depois eu recebi a notícia de que tinha sido selecionado para o curso Embaixadores da Juventude. Bom, eu acho que você pode imaginar meu entusiasmo, porém, deixei de lado o entusiasmo para me concentrar, pois  eu sabia que essa experiência não era fruto do acaso mas sim um norte que guiaria minha vida a partir daquele momento, fui grato a cada aula e não saí de lá sem agradecer a todos envolvidos fazendo questão de, aí então, mostrar meu entusiasmo, pois, eles estavam mudando minha vida.

Lá, fui empoderado em várias áreas. Uma das coisas que mais me chamaram a atenção foi o conceito de empresa inclusiva, e isso foi uma mudança de paradigma muito grande para mim, sempre vi o empreendedorismo como a concretização de um legado que seu maior fruto é financeiro, notei que estava completamente equivocado, existia uma forma de deixar um legado muito maior que o financeiro, um legado de transformação pessoal e social. 

Lá nesse curso, dentro da sala de reunião da UNODC nascia o BYE Program.
Pergunta: O que é o BYE Program?

ALEXANDRE: Brazilian Youth for English nasceu com uma missão muito clara, acabar com a desigualdade social que o próprio ensino de idiomas tem causado no Brasil: cursinhos de inglês cada vez mais caros, criam um abismo para um povo que começou a ter acesso a faculdade há pouco tempo e já tem mais um desafio para serem competitivos no mercado de trabalho - o inglês.

O BYE Program cumprirá sua missão através de uma metodologia que entende as dimensões culturais do brasileiro, através de muita conversa e exercícios linguísticos que visam o relacionamento e não um livro. 

Faremos com que cada vez mais pessoas falem inglês em nosso país usufruindo de um curso sustentável. O material que tenho produzido não depende de livro, depende apenas de um computador, um projetor e links do youtube. A metodologia foi criada para fazer com que os alunos aprendam inglês e virem os próprios professores do método para suas comunidades, em um processo de empoderamento linguístico que não visa somente a língua em si, mas todas as nuances que giram em torno da comunicação. Dessa forma enriqueceremos comunidades inteiras com o aprendizado do inglês quebrando com a monopolização do conhecimento, vivemos na era da internet, temos todos os recursos em nossas mãos, só estava faltando alguém se levantar e fazê-los acreditar que é possível.

BYE Program já contempla uma comunidade no Recanto das Emas, temos por volta de 40 alunos tendo aula graças à Igreja Evangélica da Assembleia de Deus (ADET do Recanto das Emas) que abriu as portas e cedeu suas instalações para que esse projeto aconteça. E esse é só o começo.

Estamos no meio de conversas para no ano de 2017 entrar na Ceilândia com esse projeto e ensinar Inglês para a juventude através da mistura da cultura brasileira com a cultura do Hip-Hop.


Imagem: acervo pessoal de Alexandre Netto


Pergunta: Alexandre, ouvi falar sobre o trabalho que você faz no Árvore do Bairro, você poderia falar sobre ele?.

ALEXANDRE: O Árvore do Bairro é uma comunidade de fé orgânica, ou seja, não tradicional, não institucionalizada,  democrática, espontânea, natural. Os encontros acontecem nos lares de amigos, onde compartilhamos muita conversa e comidas simples e deliciosas. Em meio a sorrisos e lágrimas, desfrutamos a vida, saboreamos experiências e não nos economizamos um ao outro, nos doamos.

Dentro dessa esfera de comunidade, temos um trabalho de desenvolvimento de metodologias de ensino e formatos litúrgicos. Nossa metodologia visa criar momentos em que elementos que compõem a fé sejam palpáveis, não temos um approach conceitual, mas sim experiencial. Ou seja, ao invés de ensinar as pessoas sobre elementos como comunhão, amor, vulnerabilidade, gratidão, honra, criamos oportunidades de experimentar esses elementos pela vivência, seja ela ativa ou passiva.

Existe um número grande de pessoas saindo de instituições religiosas, porém, sem instrução teológica para viver a fé fora da instituição. É para dar suporte à estas pessoas que temos este trabalho de desenvolvimento metodológico. Fazemos isso para que os conceitos de vida deixados por Jesus sejam cada vez mais tangíveis, palpáveis, percebidos com facilidade, e a fé seja experienciável.

A esses, forneceremos nossos estudos, experiências, metodologias e suporte. Hoje somos 8 amigos que vivem essa realidade. Já começamos a dar suporte a algumas pessoas no Rio Grande do Sul e aos jovens de determinada cidade do entorno de Brasília. Nosso desejo é que essa rede cresça naturalmente e nossos estudos ajudem pessoas a terem acesso à fé e a serem mais autônomas na caminhada cristã. E em reflexo a isso, façam do mundo um lugar melhor.

Logo Árvore do Bairro


Pergunta: O que o motiva a realizar esse trabalho?

ALEXANDRE: Eu tenho dois catalizadores que tem me motivado nessa caminhada.  O primeiro é minha necessidade de manifestar minha fé, vivê-la, tocá-la, percebê-la saindo do campo das ideias para transformá-la em relacionamentos. O outro catalizador que tenho é uma visão clara do presente e audaciosa do futuro. 

Existiu um Teólogo chamado Rudolf Bultmann (1884 - 1976) que poucos conhecem, porém devem a ele sua fé. Bultmann viveu na era da modernidade, que eu defino da seguinte forma: << Modernidade é fruto da construção do pensamento humano em relação aos fatos que se desenrolaram no decorrer da História >>.

Logo, essa geração começou a abraçar fatos e todos os mitos, crenças e até mesmo a fé começaram a perder a relevância. Bultmann, em contra partida, foi um dos grandes nomes que desenvolveu estudos desmistificando a fé e evidenciando o Jesus histórico, com isso as pessoas da época poderiam até não acreditar que ele ressuscitou dos mortos, mas não poderiam anular sua historicidade. Assim, Bultmann protegeu a fé e fez ponte para o que hoje, na pós-modernidade temos sobre ela.  Bultmann foi uma ferramenta essencial para a sobrevivência da fé.  Se hoje um cristão ler seus estudos ficará escandalizado com o que ele falava sobre os milagres de Cristo, porém, historicamente falando, Bultmann foi a solução perfeita para uma sociedade em mutação.

Dado o fundo histórico explano sobre o conceito de visão (Clara/Audaciosa):  Eu acredito que a fé têm perdido pouco a pouco sua relevância na sociedade brasileira no que tange o significado de Jesus e sua aplicabilidade na vida do ser social, ou seja, estamos vivendo uma crise religiosa que divido em dois pilares: Significado e Aplicabilidade. 

Quem é Jesus?
O que ele representa?
O que é minha instituição?
O que ela representa?

Dessa forma, me sinto impulsionado a tentar resolver esse problema que é conceitual e institucional. Nós, do Árvore do Bairro, fornecemos suporte a “desistitucionalizados” promovendo autonomia na fé baseado em nossa metodologia, resgatando assim a vida que infelizmente divorciou-se da fé nesses últimos anos, no formato de rede orgânica.  Não deixamos de dar suporte a instituições que aceitam nossa ajuda entendendo que alguns formatos litúrgicos precisam ser revistos para que as pessoas possam absorver com mais propriedade a fé.

Visão audaciosa do futuro:  Ao olhar para o passado, conhecer a realidade do momento atual tirei conclusões do futuro. Vivemos na era da pós-modernidade, uma de nossas características é relativizar tudo. Aprendi na escola a demonizar a relativização e a minha própria geração (Geração z que também, por influencia da era, ou não, relativiza).

Porém existe algo de muito belo nisso tudo, alguns questionamentos geram revisões em padrões que em sua grande maioria não são repensados há muito tempo, como exemplo disso cito a educação que segue um padrão industrial de ensino e avaliação. 

Quando olho para o ambiente religioso entendo que para a fé fazer sentido para essa geração e as seguintes, ela precisa ter um approach desinstitucionalizado dando acesso a todos.  Acessibilidade tem sido um tema de muita relevância para nossa geração. Por exemplo: Direitos iguais para casais do mesmo sexo, direitos iguais entre mulheres e homens, direitos iguais entre negros e brancos (black lives matter), etc. 

Hoje pela fé muitas vezes ser monopolizada por religiões diversas e suas ramificações, o Jesus que incluiu o leproso na sociedade judaica, que deu autonomia a mulheres para desempenhar o cargo de administração financeira, que andou com homens sem instrução, que relativizou um código penal ao expor a hipocrisia dos que julgavam, infelizmente não pode ser conhecido. Assim, a religião que deveria operar o religare, tem feito o “desligare”, não conseguindo lidar com demandas sociais e com isso, escondendo partes essenciais do evangelho e sua aplicabilidade.

Pensando nisso, o Árvore do Bairro, é uma rede orgânica de suporte para os marginalizados, trazendo inclusão e aplicabilidade da fé para o ser social. E talvez, preparando uma estrutura de vivência que possa assegurar a relevância de Jesus e seu evangelho para uma sociedade em mutação, assim como Bultmann fez.

Imagem: acervo pessoal de Alexandre Neto


Contatos:
BYE Program Fanpage: facebook.com/byeprogram
Árvore do Bairro Fanpage: facebook.com/arvoredobairro